Estrelas Michelin 2017. Estamos em festa e estamos no mapa!

Enquanto amornam ainda as novas estrelas que nos calharam, há sobretudo que festejar. Primeiro, o triunfo colectivo de chefs, empresários e empregados que parecem ter finalmente entendido que só avançando em bloco chegamos a algum lado. Segundo, a supremacia do que está no prato - a comida propriamente dita -, de um nível muito elevado, com um recorte técnico que apesar do que se diz sempre que se fala de Michelin nos coloca muito no gosto português. E finalmente, ver distinguidos grandes profissionais que são também grandes apaixonados pelo seu ofício.
Era inevitável a subida do Yeatman, em Gaia, para as duas estrelas. Trabalha-se muito naquela casa, tanto nos vinhos – Beatriz Machado – como na comida – Ricardo Costa. São dois colossos a trabalhar, quase biónicos. Muitos conhecem o restaurante apenas pelos jantares vínicos semanais que acontecem com produtores afectos ao projecto hoteleiro do Yeatman. Aconselho sempre a visita ao restaurante, é uma grande experiência. E raiava já a injustiça não conceder a segunda também ao Il Gallo d’Oro, no Funchal. Benoit Sinthon na cozinha, Sérgio Marques nos vinhos, oferecem todo um programa inesquecível em cada refeição.
Desenrolando os novos “uma estrela”, ainda no Funchal, no mítico hotel Reid’s Palace, rebenta a estrela que terá surpreendido mais gente, por não ser local de passagem evidente de quem vai à Madeira. É o William (na foto), restaurante coordenado por Joachim Koerper, cozinha a cargo de outro grande obreiro, Luís Pestana. Fiz uma única refeição depois da última remodelação, que de resto conduziu ao novo nome. Finalmente reconhecido o labor de Rui Paula, na Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, merece e faz por merecer desde há muito, com uma equipa de sonho que não arreda pé. Vítor Matos, do Antiqvvum, no Porto, também vê o seu mérito reconhecido pela nova estrela, assunto que não lhe é desconhecido, já que oficiou outrora na Casa da Calçada em Amarante. Recupera a estrela Miguel Laffan, no L’And Vineyard, em Montemor-o-Novo, assim agora se mantenha porque muita gente não chegou a conhecer a sua arte. Ganha estrela o Lab, de Sergi Arola, no Penha Longa, em Sintra, abordagem vanguardista disponível em declinações de grande recorte técnico, a visitar.
O novo Alma de Henrique Sá-Pessoa, em Lisboa, recebe a estrela mais que merecida, o cozinheiro e esteta do sabor há muito que aí anda, foi notável a forma como orientou o restaurante para merecer a distinção estrelada. Alexandre Silva, no Loco, também em Lisboa, montou uma cozinha consistente, apoiada em fusão de técnicas e grande controlo de extracções e caldos, numa lógica informal e muito exposta, tudo acontece à nossa frente. Grande equipa, grande sommelier, Sérgio Antunes, que faz o impossível na harmonização com os pratos.
São as novas estrelas. Espanha – o guia é conjunto de Portugal e Espanha – teve 1 novo 3 estrelas, 5 novos 2 estrelas e 15 novos 1 estrela. Mantém-se por isso o afastamento crescente, sem razão alguma. Tínhamos o dobro para dar, porque estamos melhor que nunca. Importante é estarmos definitivamente no mapa. E em festa.

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gm