A mais antiga casa de vinho do porto está de parabéns

A Croft comemora 430 anos. É a mais antiga casa de vinho do porto em atividade, anterior ao próprio vinho do porto, e tem na Quinta da Roêda, perto do Pinhão, o seu centro nevrálgico e demonstrador.

 

Pode parecer um pouco dramática a afirmação de que a Croft é anterior ao próprio vinho do Porto, mas na verdade tudo se passa bastante antes da delimitação da região demarcada do Douro em 1756, altura em que se definiu a zona vinhateira exclusiva de vinha para a produção de vinho do Porto. O inglês Henry Thompson, foi aceite como membro de Merchants Company of York em 1588, há 430 anos, o mesmo em que a Invencível Armada espanhola foi derrotada, gorando os planos de invasão de Inglaterra.

Foi o facto de pertencer a essa agremiação que fez com que obtivesse em 1851 o direito a estabelecer negócio de importação de vinhos, entre outros com Portugal, concedido pela rainha Dona Isabel I. Foi um dos sócios da empresa, John Croft, que a veio a trazer para a ribalta do negócio do vinho do Porto Vintage. Começa no final do século XVIII a ser marca importante, comunicando-se ao tempo atual. A expedição do primeiro vintage para Inglaterra, em termos absolutos, dá-se com o Vintage 1781. O primeiro catálogo da Christie’s a referir um porto vintage acontece em 1810, então com o Croft 1790.

A Quinta da Roêda, perto de Pinhão, que pertence à Croft

O estilo Croft, frutado e jovial, encontra bom acolhimento em muitos mercados e em 1962 a empresa foi vendida a uma multinacional que deu mais tarde origem à Diageo. Ao longo de cerca de 40 anos, a Croft foi produzindo dentro do mesmo estilo, perdendo competitividade e capacidade de ombrear com os seus pares, apesar de possuir uma das mais belas vinhas de todo o Douro, a Quinta da Roêda. Conta com 130 hectares de vinha. O vasto e diversificado património vitícola aí existente chamou a atenção do grupo The Fladgate Partnership, proprietário das marcas Fonseca e Taylor’s e em 2001 compra mesmo a empresa e a marca, integrando-a no seu portfolio. António Magalhães, diretor de viticultura e David Guimaraens, administrador do grupo e diretor de enologia empenharam-se em dar o brilho merecido à quinta, e a melhoria da qualidade dos vintages fez-se logo sentir.

Trabalham em proximidade desde há décadas, visando objetivos comuns, por um lado de preservação da diversidade, em termos de castas e vinhas, por outro de procurar a máxima expressão dos diferentes terroirs do grupo. A efeméride dos 430 anos foi assinalada com um ruby reserva muito especial, resultado da seleção cuidada de uvas de castas e talhões que representam o melhor da Quinta da Roêda, confirmando a assinatura inconfundível da quinta, de dar vinhos de taninos macios e ao mesmo tempo produzir vinhos de registo doce e elegante.

Em prova vertical, com vintages entre 1955 e 2016, ficou bem patente a personalidade do terroir da Roêda, mas sobretudo a subida na qualidade e expressão dos vinhos produzidos depois de 2001, altura em que entra em funções a dupla maravilha David Guimaraens e António Magalhães. Muito e bom futuro pela frente, pode esperar-se o melhor.

Croft 430th Anniversary Celebration Edition Ruby Reserve Porto | The Fladgate Partnership

Classificação: 17
Preço: 17,90€

Vinho do Porto criado para celebrar a fundação da casa que está na origem da Croft enquanto produtora e exportadora. Grande talante enológico, como é apanágio de David Guimaraens, com notas aromáticas florais intensas, enquanto na boca mostra sugestões de frutos silvestres e morango sobre um fundo de grande frescura. Muito bom para acompanhar queijos curados e sobremesas baseadas em chocolate preto.

 

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