Em Vila Nova de Cacela há um turismo rural com casa na árvore e piscina salgada

A piscina de água salgada do hotel Conversas de Alpendre. (Fotografia de Leonardo Negrão/GI).
No barrocal, a poucos quilómetros da praia, ergue-se este refúgio campestre de bem-estar e boa comida gerido por uma simpática família.

No work, no pressure, no traffic, no boss. Os nomes dos quartos são reveladores do que pesava na vida de Marta Guevara, 38 anos, como diretora técnica de uma farmacêutica na Avenida de Roma, em Lisboa. Quando o filho Francisco começou a crescer-lhe no ventre, fruto do casamento com Tiago, que trabalhava na consultora PwC, veio-lhes à mente o desejo de mudar para um estilo de “vida mais saudável” e pausado e “um ambiente favorável” para o ver crescer. Foi nessa altura que descobriram a propriedade do Conversas de Alpendre, em Vila Nova de Cacela, à venda na Internet.

Quando rumaram a sul de malas e bagagens, em 2016, Francisco ainda mal gatinhava. Encaixaram-se os três num quarto, estavam então os apartamentos “entregues às empregadas”, que os mantinham depois de o dono abandonar o projeto (o sonho era da mulher, de quem se divorciara). Estava aberto “há uns seis anos”, mas “não havia piscina nem alpendre”, recorda Marta com boa disposição, sentada à beira da atual piscina de água salgada e aquecida que faz as delícias dos hóspedes de todas as idades.

Pouco a pouco, foram fazendo jus ao nome Conversas de Alpendre, recuperando a fonte e o altar que ali existiam e o edifício, todo em branco, com materiais como o microcimento, madeiras naturais e azulejos de Santa Catarina. Nasceu assim o espaço aberto que acolhe hoje espreguiçadeiras, sofás e a zona de refeições para o pequeno-almoço “sem hora de acabar” e o jantar. “Aqui conseguimos fazer aquilo de que gostamos”, justifica a empresária.

A gastronomia, deixou-a entregue às mãos do chef Gonçalo Esteves, também ele vindo de outras vidas até chegar à cozinha, ligadas a setores como a banca e os produtos hospitalares. De manhã, cada hóspede diz apenas se vai querer carne ou peixe (também há opções vegetarianas). Ao jantar, ninguém sai insatisfeito, sendo a refeição composta por amuse bouche, entrada fria, entrada quente, prato principal e sobremesa. Tudo depende do que há nos mercados de Tavira e Vila Real de Santo António, onde Gonçalo vai abastecer-se.

A faceta familiar do Conversas de Alpendre (os pais e o irmão de Marta – piloto em terra por causa da pandemia – ajudam em tudo o que é preciso) é outro dos trunfos e explica porque alguns antigos clientes continuam a procurar o hotel paratemporadas de sol e bem-estar. De todo o alojamento, distribuído por 10 quartos e suítes, com e sem terraço e decoradas com simplicidade e elegância, destacam-se o logde e a casa da árvore. Se o primeiro é um quarto de luxo camuflado atrás de uma pilha de todos de madeira, com piscina e cama no exterior; o outro é um sonho
de criança para qualquer adulto.

Erguida numa alfarrobeira a 6,5 metros de altura, suficientes para dali se ver o mar, só lhe falta ter cozinha para ser uma verdadeira casa. Mas tem um terraço privativo com baloiço, num piso inferior, e um chuveiro king size entre as comodidades. É o quarto mais cobiçado do Conversas de Alpendre, e na verdade nasceu de uma empreitada de José Carlos, que quis oferecer uma casa na árvore verdadeira ao neto. Segundo conta Marta, foi ele próprio que a construiu. Claro que o pequeno Francisco também não ficou a perder: no terreno onde vivem, mesmo ao lado, tem
uma casa só para ele, e pode brincar à vontade.

 

+ O que fazer à volta

Comer na Manta Rota
O restaurante Chá com Água Salgada, a oito minutos do hotel, reabriu em abril e tem novo serviço de takeaway. O espaço, de arquitetura moderna, fica em cima da praia.

Estender a toalha em Cacela
A Praia da Fábrica, eleita pela Condé Nast entre as “15 melhores do mundo”, fica a uns quilómetros do hotel e encontra-se dentro da Ria Formosa. Quem quiser pode levar cestos de piquenique para passar lá o dia.

 

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