Grutas de Mira de Aire: descida a 110 metros numa catedral de rocha calcária

As Grutas de Mira de Aire, em Porto de Mós, são as maiores grutas turísticas do país. (Fotografia de Leonardo Negrão/GI)
Descer a uma catedral de rocha calcária esculpida há milhares de anos é o grande atrativo desta meca turística que reúne as famílias e os fãs de espeleologia. À superfície, há um bar, loja de lembranças, bungalows com piscina e um restaurante para recuperar as forças.

“Foi aqui que tudo começou”, diz Carlos Alberto, 70 anos, a apontar para a cavidade natural por onde saiu a coluna de vapor de água que, num certo inverno, intrigou a população de Mira de Aire. O vapor nada mais era que a condensação do ar quente e húmido libertado por um algar em contacto com o frio exterior, mas foi quanto bastou para os habitantes desobstruirem o local em busca de água, uma fonte de energia para a indústria têxtil da região. Pouco depois, nesse ano de 1947, Ernesto Morais tornava-se o primeiro a descer a fenda, numa fisga de suspensão.

Nascido na vila, Carlos brincou dentro das grutas, o que mais tarde lhe despertou o interesse pela espeleologia. “Apaixonado pela descoberta do desconhecido e pela preservação” destes locais, foi acompanhando as expedições, aprendendo autonomamente e depois convidado a integrar a empresa de exploração turísticas da gruta, da qual é o presidente da administração. Com 53 anos de casa e oito milhões de visitantes alcançados este ano, Carlos prepara-se para abrir a Sala do Conhecimento, com detalhes sobre a história da gruta, e cristais, em exposição.

Carlos Alberto (à esq.) e Nuno Jorge, diretor das Grutas de Mira de Aire. (Fotografia de Leonardo Negrão/GI)

(Fotografia de Leonardo Negrão/GI)

As grutas, encaixadas no Parque Natural das Serra de Aire e Candeeiros, levaram milhares de anos a formar-se, graças à erosão física e química da água, que quando chega à superfície “absorve muito dióxido de carbono e origina sulcos e fissuras no calcário, que reage facilmente a ácidos fracos”, explica em linguagem simples o diretor da maior gruta turística do país, Nuno Jorge. Descer os degraus e patamares das galerias exige cautela, pois encontram-se molhados pelas gotas que caem do teto e vão formando estalactites, estalagmites e mantos de calcite.

A água corre abundante, natural ou artificialmente, para ajudar a manter a saúde da gruta, que mantém todo o ano a humidade a 90% e a temperatura de 18 graus. A descida a 110 metros de profundidade, ao longo de 600 metros de percurso iluminado, transporta a imaginação para os filmes de Indiana Jones, mas é só uma amostra dos 11,5 quilómetros das Grutas de Mira de Aire, cujos níveis mais baixos permanecem inundados. O regresso à superfície faz-se através de um elevador. Além das visitas normais, há temáticas mensais, guiadas por vários cientistas.

(Fotografia de Leonardo Negrão/GI)


Grutas de Mira de Aire
Avenida Dr. Luciano Justo Ramos, 470
Tel.: 244 440 322
Web: grutasmiradaire.com
Das 09h30 às 18h em maio e setembro. Das 09h30 às 18h30 de junho a agosto. Encerra dia
25 de dezembro.
Preço: 8,20 euros (12 ou mais anos); 4,90 euros (5 aos 11 anos); gratuito até aos 5 anos.




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