Caves Murganheira, onde repousam tesouros engarrafados

Caves Murganheira - enóloga Marta Lourenço (Fotografia de Leonel de Castro/GI)
Um milhão de garrafas de espumante repousam nos corredores subterrâneos da cave velha da Murganheira, passagem obrigatória numa visita à adega, fundada em 1946 no coração da região demarcada de Távora-Varosa.

A Murganheira tem morada num edifício moderno debruçado sobre o vale do rio Varosa, em Ucanha, Tarouca, mas os seus maiores tesouros encontram-se escondidos debaixo da terra. Os corredores da cave velha começaram a ser abertos em 1940, e as suas paredes conservam ainda hoje a aspereza do granito azul escavado a explosões de dinamite. Na galeria, que se estende por um quilómetro, repousa cerca de um milhão de garrafas, aconchegadas numa frescura constante (a temperatura mantém-se, em média, nos 12,7 graus, ao longo de todo o ano). E se em geral o período mínimo de estágio de um espumante é de nove meses, na Murganheira não há garrafa que fique menos de dois anos no silêncio e escuridão das caves. Na segunda fermentação são usadas exclusivamente leveduras livres, o que faz com que seja necessário que o vinho fique a estagiar mais tempo.

Caves Murganheira (Fotografia de Leonel de Castro/GI)

Caves Murganheira (Fotografia de Leonel de Castro/GI)

 

Ainda que o estágio seja um dos fatores que diferenciam os vinhos da marca, fundada em 1946 no coração da mais antiga região demarcada de espumante do país, é na matéria-prima de excelência que tudo começa. Entre o Douro e a Beira, “Távora-Varosa é a região vitivinícola mais pequenina a nível nacional mas é uma região com propriedades excepcionais. Eu costumo dizer que o nosso pó mágico é aquilo que este terroir nos dá, uvas com condições únicas”, diz Marta Lourenço, enóloga da Murganheira.

O início da produção de espumantes na empresa está ligado a uma viagem de negócios do seu fundador Acácio Laranjo, um industrial têxtil que começou a produzir vinho por amor à terra. Nessa ida a França, em que terá levado algumas garrafas para dar a provar aos seus clientes, conheceu um enólogo da Moët & Chandon que o incentivou a produzir espumante, seguindo os ensinamentos da região-mãe: Champagne.

A história da Murganheira é o ponto de partida das visitas guiadas que ali se fazem diariamente, e que levam os visitantes a conhecer todo o processo de produção. Além das caves de estágio, também se faz uma paragem numa pequena cave onde estão guardados exemplares das melhores colheitas da casa. No final, a paisagem bucólica do vale do rio Varosa serve de cenário a um brinde de espumante, na grande sala de provas envidraçada.

Caves Murganheira. Ucanha, Tarouca. Tel.: 254670185. Web: murganheira.com. Das 9h às 18h. Encerra ao domingo. Visita: 7,5 euros (inclui flute de espumante; recomenda-se marcação)




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