Coimbra: este festival de jazz enche escadas até setembro

O QuebraJazz, festival de jazz que decorre nas Escadas do Quebra Costas, no centro histórico de Coimbra, está de volta: a sétima edição arranca hoje, sexta-feira, e estende-se até 1 de setembro. Os 23 concertos, gratuitos, realizam-se às sextas e sábados, a partir das 22h30.

O festival, organizado pela Associação Cultural Quebra Costas, distingue-se, desde logo, pelo espaço em que decorre: as escadas que ligam a Baixa à Alta, zona classificada como Património da Humanidade pela UNESCO. Daquele palco com apenas cinco por três metros, montado num patamar, se diz que pode ser o mais pequeno do mundo.

Paulo Bandeira, diretor, fundador e programador do QuebraJazz, não duvida de que se trata de um palco «mágico», «um dos melhores auditórios», graças à «acústica especial». Destaca também o facto de permitir grande proximidade com os espetadores, que rodeiam os músicos. Chega a haver pessoas sentadas a meio metro dos artistas. «Ter o público tão perto é uma sensação espetacular», garante o também baterista, que já lá atuou e vai tornar a atuar.

O QuebraJazz monta o palco num patamar das Escadas do Quebra Costas.
Fotografia: Henrique Patrício

«Enchemos as escadas de cima a baixo», desde a Sé Velha até ao Arco de Almedina, independentemente de quem esteja a tocar, diz o programador. Nesta edição, passam pelo palco nomes consagrados, como Maria João ou Salvador Sobral – este último integrado na banda Alma Nuestra, como cantor -, mas também há espaço para novos valores e algumas estreias.

É uma programação heterogénea, a deste evento, que costuma receber cerca de 800 pessoas por noite. A abrir, nesta sexta-feira, está um concerto dos Dixie Gringos, jovens músicos de Coimbra apostados em divulgar o jazz tradicional.

No dia seguinte, Zé Eduardo – «contrabaixista histórico» que também é pianista, compositor e pedagogo de jazz, além de fundador e diretor da Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal em Lisboa – partilha o palco com Paulo Bandeira, na bateria, e Pedro Moreira, no saxofone.

Do programa consta também um concerto do contrabaixista e artista plástico Carlos Barretto, no dia 3 de julho, véspera do dia da cidade. Mais do que um espetáculo musical a solo, é de esperar uma performance artística.

Carlos Paredes é homenageado num espetáculo a decorrer nos dias 6 e 7 de julho. O pai, Artur Paredes, viveu ali mesmo, no primeiro andar do edifício d0 Bar Quebra, estabelecimento que esteve na origem do QuebraJazz, em 2012.

Já nos dias 6 e 7 de julho, tem lugar uma homenagem do jazz a Carlos Paredes, cujo pai, Artur Paredes, morou ali mesmo, no primeiro andar do edifício que hoje acolhe o Bar Quebra. Bernardo Moreira, que há 15 anos editou o disco «Ao Paredes confesso», uma espécie de diálogo com o artista, através das suas melodias, assume o contrabaixo. A ele se juntam Gonçalo Neto na guitarra, João Moreira no trompete, Joel Silva na bateria, e Tomás Marques, como convidado, no saxofone.

A cantora Maria João, por seu lado, marca presença com dois projetos: no dia 13 de julho, atua com o OGRE (electric trio), que inclui João Farinha no Fender Rhodes e André Nascimento no computador e teclados; e, no dia seguinte, o foco está no álbum «A poesia de Aldir Blanc» (autor brasileiro), reunindo o concerto, além de Maria João, João Farinha no Fender Rhodes e Quiné Teles na bateria/percussão.

O grupo Alma Nuestra, com Victor Zamora no piano, Salvador Sobral na voz, Nelson Cascais no contrabaixo e André Sousa Machado na bateria, é uma das estreias, nos dias 10 e 11 de agosto. A banda foi criada por Zamora e Sobral, ambos apaixonados pelos sons da América Latina e pelo jazz, a que se juntaram os restantes elementos, para reinventar as canções de Cuba, Argentina e outros países sul-americanos.

O QuebraJazz chega ao fim, em 1 de setembro, com um espetáculo do Quebra Ensamble, liderado por Carlos Azevedo, diretor da Orquestra de Jazz de Matosinhos, no piano. O conjunto fica completo com Ricardo Formoso no trompete, João Freitas na guitarra, Nelson Cascais no contrabaixo e Paulo Bandeira na bateria. Mas antes há muito para ver e ouvir, por parte de várias figuras do jazz feito em Portugal. Bem perto, talvez a meio metro do palco.

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