Um passeio na Madeira, entre levadas, miradouros renovados e jardins

Miradouro do Guindaste. (Fotografia: DR)
A pé ou em passeios de Jeep, a pérola do Atlântico põe a descoberto os trunfos naturais, entre levadas pela floresta Laurissilva acessíveis a todos, novos miradouros suspensos sobre o mar e os espaços verdes de sempre. Sem perder fio à meada aos bordados tradicionais, ao vinho e às novas camas.

Assim que chegam os meses em que os termómetros mais sobrem, as muitas zonas de sombra tornam este pulmão verde num dos locais de eleição no coração do Funchal. Ainda assim, que o calor não confunda ninguém: o Parque de Santa Catarina é um dos mais acarinhados por quem aqui vive e visita ao longo de todo o ano, não só pela localização central e pela vista limpa sobre a baía do Funchal e o oceano, como pela sua amplitude. Estendendo-se por três hectares, é casa de centenas de espécies de flora mundial, como palmeiras, pinheiros, acácias-rubras e jambeiros, tem zona de relvado e dois cafés com esplanada, uma capela que remonta ao século XV, parque infantil e um lago habitado por gansos e cisnes.

Mas não só. Além das competências biológicas, o parque que soma seis décadas ganha importância cultural, sendo palco para várias iniciativas na capital madeirense, como é exemplo a próxima Festa da Juventude da Madeira, o mais antigo festival de música do arquipélago, que regressa a 1 e 2 de setembro com concertos de nomes como Pedro Abrunhosa e The Gift.

O Parque de Santa Catarina. (Fotografia: DR)

O apetite está aguçado para partir em descoberta de outros trunfos naturais da ilha. Desta vez, o anfitrião de serviço é Ivan Rodrigues, natural do Porto Santo, mas a morar na Ilha da Madeira há uma década. A paixão pela adrenalina fê-lo mudar de vida e trocar a carreira na banca pela aventura em 4×4. A Brave Landers, empresa que criou, organiza passeios em Jeep por todo o território madeirense. Do centro do Funchal, arrancam percursos pré-definidos de quatro e oito horas, mas há abertura para se personalizarem rotas, que podem incluir atividades como cozinhar ao ar livre, piqueniques ou acampar.

Pico do Areeiro, Ribeiro Frio, Santana, Porto da Cruz ou São Lourenço são pontos de passagem a este, Machico, Faial, Santana, Cabanas ou Boaventura nas rotas a norte, Ribeira Brava, Paul da Serra, Ribeira da Janela, Porto Moniz ou Seixal a oeste, e Câmara de Lobos, Madalena do Mar, Calheta, Prazeres e Jardim do Mar na costa sul. “Faço muito trabalho de casa, vou descobrir caminhos novos e alternativas nos tempos livres”, explica Ivan.

A Brave Landers faz passeios em Jeep. (Fotografia de André Carvalho)

A norte, no Faial, junto à praia da Ribeira do Faial, um dos destaques vai para o imponente Miradouro do Guindaste. Esta varanda panorâmica foi renovada recentemente, tendo duas plataformas envidraçadas e suspensas sobre o mar, a uma altura de 26 metros, a partir das quais se observam as falésias vizinhas.

O Miradouro do Guindaste. (Fotografia: DR)

Uma levada democrática em Santana

O roteiro pela natureza leva-nos a outro destaque na zona norte, no concelho de Santana. As levadas, já se sabe, fazem parte do quadro natural madeirense, mas o Trilho Pico das Pedras-Parque Florestal das Queimadas destaca-se pela sua acessibilidade a todos. Trata-se de um percurso pedestre, “um caminho para todos”, como o próprio painel informativo indica, que pode ser feito com facilidade por pessoas de qualquer idade ou mobilidade, até em cadeira de rodas. Ao longo de quase dois quilómetros, o terreno é amplo e largo, sem oscilações de altitude, caminhando-se ao som de água corrente, numa zona verde de cruzamento entre a floresta nativa Laurissilva (classificada Património Mundial Natural da UNESCO) e floresta exótica.

O trilho soma quase dois quilómetros. (Fotografia: DR)

A proximidade com o Parque Florestal das Queimadas, um dos eixos do trilho, é a desculpa perfeita para um almoço no Cantinho da Serra, restaurante com quase 25 anos de matriz tradicional e ambiente rústico, com direito a lareiras em pedra, cestos de flores secas e mobiliário antigo em madeira. À mesa, chegam doses bem servidas de pratos como bacalhau com broa de milho servido em caçarola de barro, vazia grelhada com manteiga aromatizada, pernil de borrego e ossobuco de vitela, estes dois últimos alvos de longas cozeduras em forno a lenha. Importante é acompanhar a refeição com o típico pão de Santana, feito à base de trigo e batata-doce.

O Cantinho da Serra, em Santana. (Fotografia: DR)

Bordados, vinha e novas camas

De volta ao centro do Funchal, tempo para uma visita à Bordal, a bordo da urgência de manter vivo o saber-fazer manual de outros tempos. A fábrica dos tradicionais bordados da Madeira existe desde a década de 1960, altura em que existiam dezenas de outras mais. “Nessa altura, todas as mulheres na Madeira bordavam”, explica Susana Vacas, atual responsável pela única fábrica visitável, que hoje dá trabalho a 400 bordadeiras.

Pelas várias salas da Bordal, observa-se in loco e aprende-se as várias fases do processo artesanal, um “trabalho de minúcia” que vai do desenho feito em papel vegetal à picotagem, estampa (em linho, algodão ou organdi), bordado e engomagem. Antes da saída, a zona de loja vende peças variadas, como toalhas de mesa e banho, individuais de mesa, malas e roupa para mulheres e crianças.

Na Bordal, fazem-se visitas pelas várias fases do fabrico de borbados madeirenses. (Fotografia: DR)

A poucos metros daqui, a tradição estende-se ao edifício do século XVI onde está sediada a Blandy’s, produtora de Vinho Madeira há dois séculos, que já vai na sétima geração da mesma família. As visitas guiadas às instalações – que já foi uma prisão, hospital e convento – permitem conhecer melhor o cálice madeirense, da sua variedade de estilos (doce, meio-doce, seco ou meio-seco) às castas usadas no terroir da ilha (verdelho, sercial, malvasia, terrantez, tinta negra e boal), passando pela zona museológica que explica a expansão do império da família Blandy e a zona de provas, claro está, na despedida.

A Blandy’s produz Vinho Madeira há dois séculos. (Fotografia: André Carvalho)

E se é de legado que se faz o tecido funchalense, também é certo que este se completa com as novidades que vão chegando. Caso do Barceló Funchal Oldtown, novo hotel cinco estrelas com mais de uma centena de quartos, onde dormem de uma até quatro pessoas. Situado junto à Sé Catedral, exemplar local da estética gótica e manuelina, o hotel vem dar nova vida a um conjunto de seis edifícios do século XVII e XVIII, agora requalificados.

Aqui, os tempos livres dividem-se entre ginásio, terraço com piscina exterior aquecida e o restaurante Noz Café. Ao leme da cozinha está o chef portuense João Lima, que põe em prática uma carta onde se amplifica o produto local, como acontece com as bochechas de novilho com molho de Vinho Madeira, o bolo de banana da Madeira e o ceviche com peixe fresco vindo do vizinho Mercado dos Lavradores.

O Barceló Funchal Oldtown é o novo cinco estrelas do Funchal. (Fotografia: DR)

Há mais de uma centena de quartos no novo hotel. (Fotografia: DR)

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.




Outros Artigos





Outros Conteúdos GMG





Send this to friend