Dino Parque já abriu. E estas são as novidades

O maior museu ao ar livre de Portugal abriu portas a 9 de fevereiro, com 120 réplicas em escala real dos animais que ali viveram há muitos milhões de anos. O diretor do Dino Parque, Luís Rocha, fala sobre os diferentes percursos e o fabrico dos modelos de dinossauro.

Como se chega ao maior museu ao ar livre de Portugal, exclusivamente sobre dinossauros?
Começou há 20 anos este sonho dos lourinhanenses e, em particular, da família Mateus, cujo pai tinha sido um famoso paleontólogo e os dois filhos seguiram-lhe os passos. Um deles, o Simão, é nosso coordenador científico e a sua família foi uma das grandes impulsionadoras deste sonho. O grupo alemão, detentor do projeto, já tinha um parque semelhante a este na Alemanha e submeteu uma proposta que acabou por ser a vencedora.

Existem espécies exclusivas deste parque?
Sim, é isso que também distingue o nosso parque do alemão. Temos neste momento 10 dos 36 hectares do parque ocupados com 120 modelos, alguns únicos desta região, como o lourinhanosaurus, símbolo da Lourinhã, e o lourinhasaurus, um simpático gigante com 24 metros de altura (cinco toneladas), herbívoro e o maior dinossauro que temos no parque. Inclusive no museu temos algumas réplicas do esqueleto desse animal. E são apenas dois exemplos, temos mais espécies particulares e outras mais conhecidas, associadas ao Jurássico Parque, o tiranossauro-rex, o triceratop…

O que traz o Dino Parque de diferente a uma região já por si associada aos dinossauros?
A Lourinhã é um dos sites mais importantes do mundo entre os paleontólogos. Talvez muitos portugueses desconheçam esse facto, mas muitos dos dinossauros encontrados na Lourinhã não existiam em mais lado nenhum do mundo. Podíamos ter feito um museu, mas porque não um parque ao ar livre onde temos as espécies como há milhões de anos e fazer dessa experiência um programa divertido em família? Penso que o que vai trazer de novo é a vertente do entretenimento, através de uma linguagem muito acessível, e destas réplicas de dinossauros perfeitamente integradas na natureza, à escala real, com nível de detalhe formidável.

Como foram feitos os modelos à escala real?
Foram todos fabricados na Alemanha. Uma das empresas do grupo alemão faz também o fabrico dos dinossauros e está classificada como uma das melhores do mundo, tendo recentemente enviado para a Patagónia um modelo com 40 metros de altura. Os modelos variam conforme o tamanho, alguns chegam a vir em sete peças diferentes. Têm uma estrutura (metálica ou de esferovite), são revestidos em fibra de vidro, pintados numa primeira fase à pistola e posteriormente à mão para conseguirmos todo o nível de detalhe. Eles são muito credíveis, penso que vai surpreender as pessoas.

Como vão funcionar as visitas ao parque?
Há a visita livre, as pessoas chegam e desfrutam do parque que fica num pinhal. Podem fazer piqueniques, trazer a comida de casa, já que temos mais de 800 lugares sentados. O bilhete é para o dia e os visitantes têm acesso a quatro percursos correspondentes a diferentes períodos (Devoniano, Triássico, Jurássico e Cretáceo). Cada um com as réplicas de dinossauros dessa época. Também existirão visitas guiadas durante o dia, com valor adicional, feitas aos dois percursos mais extensos (jurássico e o cretáceo) onde estão os dinossauros mais emblemáticos, quer da Lourinhã, quer dos mais conhecidos.
Outras atividades no Parque
Além dos percursos ao ar livre, o Dino Parque conta com um laboratório ao vivo, onde se pode ver como é feito o trabalho nas rochas até a retirada de um osso, e ainda um pavilhão de atividades, onde as crianças podem encontrar pedras semi-preciosas, fazer escavação de dentes e de esqueletos de dinossauros.

 

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