Entrevista: Conhecer o Porto através de um tour vegetariano

Maria Cramês cresceu na Invicta e é «concierge». Montou tours específicos, dois deles para vegetarianos e para judeus, desenha experiências à medida e organiza eventos.

Maravilhas do Porto, Jardins do Porto e O Bolhão e as suas gentes são alguns dos tours de Maria. Todos incluem refeições a pensar em quem têm restrições alimentares, nomeadamente vegetarianos, vegan ou judeus ortodoxos.

O que isso de ser concierge de turismo?
O concierge é uma pessoa que resolve todos os assuntos, que sabe receber, que desenrasca, que tenta ir ao encontro de tudo o que lhe é proposto. Literalmente significa porteiro. Achei que a palavra descrevia aquilo que eu faço.

Como surgiram os tours para vegetarianos e para judeus?
No início tive de conhecer o mercado. Depois percebi que havia lugares que eram sempre requisitados e aí montei os primeiros tours. Tenho, claro, o dos hot spots da cidade, em que tento dar outra perspetiva do Porto, por exemplo trazendo as pessoas para a Afurada ou para as praias de Gaia. Mas há cerca de seis meses decidi mudar o negócio. Como tenho uma vida diferente da da maioria das pessoas e o negócio é meu, queria que ele transmitisse o meu lifestyle. Sou vegetariana há 14 anos e, quando viajo, gosto de conhecer outras culturas mas não saio do meu regime alimentar. O que fiz foi pôr-me no lugar de pessoas como eu, que vêm ao Porto. Criei um tour especificamente para vegetarianos e alterei os outros, mais genéricos – quando incluem refeições têm sempre uma opção vegetariana.

E o Porto é vegetarian-friendly?
É, mas não está a saber comunicá-lo da melhor forma. Na nossa gastronomia, temos muitas opções vegetarianas: um bom arroz de feijão malandrinho, uns grelos salteados, as nossas saladas, umas favas estufadas, a nossa sopa… Bastaria colocar à frente dos pratos a indicação de que são opções vegetarianas. Normalmente a resposta dos restaurantes tradicionais é que têm omolete ou salada. É preciso ser insistente e perguntar pelos acompanhamentos…

Mas a Maria já está habituada?
Exato, mas um estrangeiro não sabe, precisa de ser orientado. E um vegetariano como eu é muito feliz em restaurantes tradicionais. Eu gosto muito do tempero português e uso-o quando cozinho. Só não uso a carne e o peixe, o resto está lá tudo. Depois, os vegetarianos gostam da natureza, desse contacto, e são sensíveis a determinados temas. E nestas propostas incluo a visita a espaços como este, o Cantinho das Aromáticas, onde é possível fazer um trabalho na terra, e aos jardins do Porto. Visitar a Quinta de Villar d’Allen, por exemplo, é um privilégio fantástico.

E o tour judaico, em que consiste?
Alguns judeus quando viajam mantêm a tradição de comer comida Kosher. É outro segmento de turismo que está a crescer e eu contactei a sinagoga do Porto, que é a maior da Península Ibérica, e consegui desenhar um tour que leva a conhecer a história judaica da cidade, passando naturalmente por essa referência que é a sinagoga, e que inclui uma refeição. Tenho um fornecedor que me garante a comida Kosher certificada e o almoço é servido aqui no Cantinho das Aromáticas, onde é passada uma parte do dia e cujos produtos têm certificação Kosher.

Que horário faz um concierge?
Não há [risos]. É disponibilidade total. Mas, quando fazemos aquilo de que gostamos, é fácil.

 

Web: cramesporto.com