Quiz #22: «Bairrada e Beira Interior: extraordinário potencial»

Luís Ramos Lopes, jornalista de vinhos e um dos organizadores da maior feira do país nesta especialidade
Por ano chega a provar mais de seis mil vinhos, mas, garante, os bons nunca lhe saem da cabeça. Luís Ramos Lopes fundou e dirige, juntamente com João Geirinhas, a revista "VINHO Grandes Escolhas", sendo também um dos principais responsáveis pela realização da Grandes Escolhas Vinhos & Sabores, a maior feira anual do setor em Portugal. E é lá, entre os dias 27 e 30 de outubro, em Lisboa, que o vamos poder encontrar entre cerca de 400 produtores e 25 mil visitantes.

Uma cozinha para todos os dias?

Uma cozinha de simplicidade. Para mim, a cozinha do dia-a-dia deve passar por matéria-prima simples e de qualidade, que possa ser cozinhada de forma igualmente fácil e rápida, variando na conjugação de ingredientes ou nos molhos/temperos. Alguns exemplos: saladas, “pasta”, legumes salteados, peixe do mar grelhado. Às vezes, basta ter por perto uma boa variedade de queijos e pão… E vinho, claro!

Na hora de comer fora, o que pesa mais: o fator novidade, a comida, o nome do chef ou o boca a boca?

A qualidade da comida, em primeiro lugar. Sou fiel aos locais que conheço e que considero valores seguros, seja qual for o estilo de cozinha praticado. Mas estou sempre pronto para experimentar novos espaços ou seguir dicas de amigos. Se corre mal, paciência, as surpresas agradáveis compensam as menos boas. O nome do chef não é determinante nas minhas escolhas. Uns são, na verdade, obreiros de pratos sublimes e merecem toda a fama que têm; outros ficam bem na televisão mas na hora da verdade espalham-se ao comprido; outros ainda fazem uma cozinha excelente mas ninguém sabe o seu nome porque os media não passaram por lá…

Uma dica infalível para não errar na escolha do vinho?

Não há dicas infalíveis. A menos falível, ainda assim, é escolhermos um vinho que conhecemos e gostamos. Ou seguir o conselho de alguém em cujo critério e gosto confiamos. Na conjugação de vinhos com comida, a forma mais fácil de não errar, é a harmonia pela intensidade: para um prato delicado um vinho delicado, para um prato intenso um vinho intenso. Mas para que dê certo é preciso conhecer o vinho e prato.

Um vinho que não lhe sai da cabeça?

Tenho uma muito boa memória para vinhos (e péssima para quase tudo o resto) pelo que quase poderia dizer, com um pouco de exagero, que não consigo que os vinhos me saiam da cabeça. Ficam todos lá (pelo menos os bons, os outros tento com todas as forças esquecê-los). É por isso que é ótimo voltar a um vinho que já não provo há alguns anos e confrontá-lo com a última impressão que tive dele. E, melhor ainda, é constatar que o tempo lhe fez bem.

Qual o maior trunfo dos vinhos portugueses?

Conseguir concentrar num espaço relativamente pequeno uma enorme diversidade de climas, solos, orografia, castas de uva. São fatores que contribuem decisivamente para termos tantos vinhos tão diferentes entre si e daquilo que se faz por esse mundo fora. Num mercado global o consumidor esclarecido valoriza cada vez mais a singularidade e essa é uma vantagem que Portugal pode e deve aproveitar. Aliás, está a fazê-lo, e os efeitos positivos começam a sentir-se.

O que nunca pode faltar na sua despensa/frigorífico/adega?

Tudo aquilo que permita fazer uma refeição rápida quando se chega cansado a casa: queijos, massas, conservas de peixe, azeite e azeitonas, tomate seco ou fresco, sal, pão. A base da dieta mediterrânea, na verdade. E uma boa variedade de vinhos portugueses, para poder escolher à vontade.

Qual a região, ou as regiões portuguesas, que ainda nos vão dar muitas alegrias?

As mais antigas, conhecidas e prestigiadas já nos dão muitas alegrias. Mas existem duas que os consumidores portugueses e do mundo pouco conhecem e que possuem extraordinário potencial: a Bairrada e a Beira Interior. Se procuramos qualidade, singularidade, exclusividade, estas regiões são o sítio certo.

O paladar, educa-se?

O meu educa-se todos os dias. O perfil de vinhos de que gosto actualmente não é o mesmo que apreciava quando comecei a escrever sobre a matéria, há 28 anos. E ainda hoje me pergunto como era capaz de fugir de casa quando a minha mãe fazia favas (nem o cheiro suportava) e hoje vou onde for preciso para as comer.

Um vinho que ainda está na sua bucket list?

Château Latour de 1961, o ano do meu nascimento. Como é por muitos considerada a melhor colheita de sempre de Bordéus, os vinhos subiram um “bocadinho” de preço…

Um prato com sabor a infância?

A galinha caseira de cabidela feita pela minha tia Luísa, uma cabidela à moda do Baixo Alentejo, com batatas em vez de arroz. Nunca mais esqueci aquele sabor.

 

[Sigam-me também no Instagram para mais estórias visuais]

 

O que precisa saber sobre a feira Grandes Escolhas Vinhos & Sabores:

Local: FIL – Feira Internacional de Lisboa (Pavilhão 4). Parque das Nações

Data: 27 a 30 de Outubro de 2017

Horários: Sexta, das 18h00 às 22h00, sábado e domingo, das 14h00 às 20h00; segunda (só para profissionais), das 11h00 às 18h00

Preço dos Bilhetes: 1 dia, €15,00, ou 3 Dias, €20,00 (IVA e copo incluídos)

Preço do Copo: €4,00 (caso entre com convite; o copo não está incluído)

Grandes Provas: €35,00 – acesso gratuito à feira; 10% de desconto para mais de uma inscrição (em provas@grandesescolhas.com)

Mais Informações pelo tel.: 215810526