Hotel recatado e misterioso com histórias para contar, em Guimarães

O chalé que hoje é alojamento foi construído no início do século XX (Fotografia de Miguel Pereira/GI)
Quando, na primeira década do século XX, João Rodrigues Loureiro decidiu construir um chalé na Penha, a serra ainda não era o paraíso arborizado que hoje conhecemos. Naquele tempo, a florestação era um processo recente e quem olhava para a montanha via uma encosta agreste pontuada por enormes penedias.

A casa e principalmente o seu jardim – classificado como de interesse público, desde 2019 – acabaram por contribuir para a mancha florestal que caracteriza a Penha, como a conhecemos. Os atuais proprietários, João e Pedro Moreira, bisnetos do visionário construtor, decidiram recuperar o edifício a par com a casa do jardineiro e fazer dos dois espaços um hotel. O lugar é um depósito de memórias muito vincadas, já que a família teve que se mudar para o edifício, na sequência do 25 abril, para evitar a sua ocupação.

“A casa estava desabitada e nos primeiros tempos, antes de o meu pai fazer obras, não tinha grandes condições. Vivemos aqui à luz de candeeiros a petróleo”, conta João Moreira. Desses tempos restam apenas memórias que a anfitriã, Maria João Moreira, trineta do primeiro proprietário, gosta de partilhar com os hóspedes.

(Fotografia de Miguel Pereira/GI)

A decisão de reconstruir a casa e de lhe dar utilidade surgiu depois da morte do patriarca da família e de a mãe, Maria Antónia Moreira, ter deixado de viver na propriedade. “Ela continua a gostar muito deste lugar e queria que lhe déssemos aproveitamento”, nota Pedro Moreira.

A reconstrução do chalé procurou ser o menos intrusiva possível e preservar os detalhes da construção do início do século passado que o tornam pitoresco. Esta limitação fez com que a casa principal só pudesse ter três quartos, todos eles com vista para o jardim. No alojamento do topo nascente, na atmosfera aconchegante de um quarto de bonecas, além de ser possível acordar com o sol a entrar pela janela, quem se levantar cedo pode ver os coelhos bravos e os esquilos.

(Fotografia de Miguel Pereira/GI)

Na casa do jardineiro, a 50 metros do edifício principal, a opção foi por uma arquitetura mais moderna, “até porque não havia muito para preservar, estava tudo em ruínas”, esclarece Pedro Moreira. Esta casa possui seis quartos e, através de um sistema de fechar e abrir portas, é possível adaptar a tipologia do alojamento ao tamanho das famílias ou dos grupos de hóspedes.

O jardim com 700 árvores de 321 espécies diferentes, com nascentes de água e esconderijos em grutas artificiais e caramanchões, convida a passeios pela fresca, nos dias de verão. No topo da propriedade de quatro hectares, fica “o moinho”, assim chamado, embora nunca tenha desempenhado essa função: é uma das histórias para descobrir. O vento que sacode o arvoredo salpicado pela chuva, nos dias frios, empurra para junto da lareira, na sala do chalé.

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.

 




Outros Artigos





Outros Conteúdos GMG





Send this to friend