Campo de Ourique ganhou a primeira torradaria de Lisboa

Nota prévia: Lamentamos, caro leitor, mas este sítio (ainda) não existe. Como boa mentira que é, foi publicado pela Evasões a 1 de abril e cumpre agora desmentir.

Numa rua pouco movimentada de Campo de Ourique nasceu a primeira casa de Lisboa exclusivamente dedicada às torradas. O nome não podia ser mais certeiro: bem-vindos à Torradaria do Bairro.

«A ideia não é nova», desmistifica Bernardo Souza d’Avillez, arquiteto de profissão e apaixonado confesso pelo universo da panificação. E é ele o primeiro a assumir que se limitou a copiar um conceito já existente. «Há coisa de um ano, estava em Madrid por motivos de trabalho e, como bom português, estava já há alguns dias a ressacar de umas boas torradas. Até que me deparei com a minha salvação.» A «salvação» veio sob a forma de um café dedicado única e exclusivamente às torradas artesanais. «À segunda dentada, fez-se luz na minha cabeça!», diz.

Bernardo não perdeu tempo. Regressado a Portugal, iniciou contactos com padeiros de norte a sul e, ao cabo de um mês, tinha já uma carta com 32 variedades de pão. Foi altura de pôr as mãos na massa – ou na manteiga. Visitou produtores, em busca das melhores, daquelas que tivessem a cara do seu projeto. «Procurei, essencialmente, pequenos produtores, estamos a falar de tiragens muito reduzidas, 5 a 6 litros por semana, de modo a fugir ao máximo da produção intensiva industrial.» Daí as fotografias de prados verdejantes (e o retrato em grande plano de uma vaca que parece mesmo sorrir) que decoram as paredes deste novo espaço em Campo de Ourique.

Com a ajuda de Alfredo Batata – amigo de longa data e barista de serviço, responsável pela carta de cafetaria da Torradaria – Bernardo passou três meses a testar combinações de pão e manteiga, em busca das harmonizações perfeitas. Foi assim que chegou à ideia de juntar manteiga de ovelha de Azeitão com broa de Avintes (5,80 euros), ou de pincelar bolo do caco de Porto Moniz com manteiga de cabra da Serra do Larouco derretida (6,10 euros) – que não hesita em classificar como «a melhor manteiga do mundo».

A liberdade de escolha, contudo, não ficou à porta da Torradaria do Bairro. «Não obrigo ninguém a comer este pão com aquela manteiga, são só sugestões de experiências de degustação que podem surpreender muito», avisa Bernardo. Na longa lista, além de 25 tipos de pão (os restantes sete estão ainda em fase de testes de harmonização), disponíveis em cinco cortes diferentes, há, para já 7 variedades de manteiga, mas também compotas, mel e azeites. De futuro, Bernardo Souza d’Avillez pensa instalar um assador a carvão, «para matar saudades das torradas à lareira», bem como a inclusão de uma carta de cervejas artesanais. «No fundo, é tudo cereal.» Nem mais.

(Artigo atualizado no dia 2 de abril, onde foi acrescentada a nota prévia, no primeiro parágrafo)