Aprenda a fazer esta deliciosa açorda com pão alentejano

Se em cada açorda há um hino, em cada uma que sai das mãos da chef Manuela Brandão, do Pap’Açorda, há mesmo muito prazer. Esta é de camarão e lagosta e é feita com pão alentejano.

Receita

Açorda real (camarão e lagosta)
(para 1 pessoa)

Meio pão alentejano
100 g coentros
6 dentes de alho seco
5 cl azeite
12 camarões
100 g lagosta
1 ovo
Sal

 

Preparação

Demolhe o pão com 50 cl de água. Coloque num tacho em lume brando e junte o sal, os coentros e o alho, que deve ser previamente frito no azeite. Mexa durante 15 minutos até cozer e, se necessário, adicione mais água até obter a textura desejada. Depois de cozida, colocar num prato com o ovo e, por cima, pousar o camarão descascado e a lagosta desfiada (previamente cozidos em água e sal).

 

Mediterrâneo, pois então!

O termo «açorda» vem do árabe «tarid», por sua vez declinação moderna de «ath-thurdã». «Sopa» decorre do léxico germânico e deriva da palavra «suppa». Com pequenas diferenças, ambas querem dizer o mesmo, mas exprimem realidades totalmente diferentes. A primeira é obviamente mediterrânea, enquanto a segunda é continental. Nada mais, nada menos do que duas das três grandes influências da cozinha portuguesa, só falta a atlântica, que responde contudo à chamada no capítulo dos caldos e proteínas. É, por isso, assunto bem português, mais caldoso ou menos caldoso, mais pão ou menos pão – ou mesmo sem pão algum, a açorda dita à alentejana, criação inefável e rústica –, está na ordem do dia.

A chef Manuela Brandão, do restaurante Pap’Açorda, em Lisboa, partilha hoje connosco a receita de mais um dos seus pratos-estrela, de assinatura alentejana inconfundível, porque é baseada num piso de alho, azeite e coentros, e por recorrer ao pão mais tradicional do Alentejo, onde «às sopas chamam açorda e à açorda chamam-lhe migas», como se ouve no fado corrido Mestre alentejano, de João Vasconcelos e Sá. A cascaria que a chef utiliza – lagosta e camarão – é rica mas funciona sempre, com qualquer caldo extraído do marisco mais corrente. Em casa, quase vale a pena comprar o pão e deixá-lo endurecer por dois ou três dias, para reproduzir esta maravilha que a receita oferece. Boas experiências!

 

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