Há uma nova cerveja artesanal e é feita em Gaia

É numa discreta quinta em Avintes que António Lopes elabora as suas cervejas. Chama-se Lupum e começaram a entrar para o mercado o ano passado.

António Lopes gosta de cervejas fortes. Por isso, quando começou a produzir, mesmo no início ainda em modo caseiro, decidiu fazer as cervejas que gostava de beber. «A primeira foi uma imperial stout», lembra o cervejeiro que, em apenas alguns anos, passou de fazer da cerveja um passatempo para se tornar na sua vida. Foi depois de ter saído da Petrogal, onde trabalhava como técnico ambiental, que a ideia de produzir começou a ganhar peso. António já fazia cerveja com o seu amigo José Gonçalves (que entretanto deixou Portugal mas continua a colaborar com ele, desenhando os rótulos para as garrafas). Quando se aventurou sozinho, quis avançar a «passos pequenos», explica. «Foi nos primeiros tempos das artesanais, estavam a aparecer a Sovina e a Letra», lembra. Depois destas, no primeiro boom de cervejas artesanais portuguesas, surgiram dezenas de marcas, mas ele não se quis precipitar. «A nível técnico, fui evoluindo e aprimorando as receitas das cervejas», conta. Visitou fábricas e tirou dúvidas com outros cervejeiros. A marca estava já criada mas o cervejeiro achava que ainda não era hora de as apresentar ao público.

Foi só depois de ter frequentado um curso de empreendedorismo para conseguir elaborar o plano de negócios e do apoio da Inovagaia» que avançou, investindo em equipamento. Deixou para trás as pequenas panelas onde fermentou as suas primeiras cervejas, na pequena adega da quinta, e construiu de raiz uma pequena fábrica com as condições necessárias para produzir a sério. As cervejas que tem agora disponíveis no seu portfólio – tirando as edições especiais – são três, todas elas fortes e bastante alcoólicas: imperial stout, belgian strong ale e uma american IPA. Quase pronta a ser engarrafada está uma triple IPA, feita especialmente, e a convite, para a comemoração do terceiro aniversário do Catraio – Craft Beer Shop (ver caixa).

No futuro próximo, quer fazer uma sour, um estilo de cerveja mais ácido que está em voga no universo das artesanais. Mas, como sempre, não se quer precipitar: «Preciso de encontrar a levedura certa e ter muito cuidado porque é esta levedura pode contaminar as outras cervejas». Olhando ainda mais para o futuro, António quer acrescentar à sua fábrica uma taproom (sala de provas) para receber visitas em boas condições. O facto de estar inserido no mundo rural mas muito perto de centros urbanos é para ele uma mais-valia. «Eu gosto disto porque é calmo, não há trânsito nem confusão», diz. Na verdade, aqui os únicos barulhos vêm dos animais que se passeiam pela quinta: cabras, galinhas, ovelhas, porcos e até um cavalo. «Este tipo de cervejeiras no meio rural é muito comum nos Estados Unidos e na Bélgica, por exemplo». Tranquilidade para fazer cerveja com calma e, como ele gosta, passo a passo.

Aniversário do Catraio com triple IPA
Todos os anos, o Catraio convida um cervejeiro para fazer uma cerveja comemorativa do aniversário deste que foi o primeiro bar de cervejas artesanais no Porto. Em 2016, a honra coube a Pedro Sousa (Post Scriptum Brewery), que elaborou uma black IPA. O ano passado, a Catraio 2.0, uma (almost) Imperial stout, foi produzida pela Dos Diabos, de Amarante, e este ano o cervejeiro da Lupum ficou responsável pela edição especial. Como a celebração é de três anos, optou-se por fazer uma triple IPA. A cerveja vai ser apresentada na quarta-feira, 31 de janeiro, dia de aniversário. Mas a festa não termina nesse dia. Até sábado haverá lançamentos de várias cervejas especiais, atuação de djs e comida e condizer – sandes do Guedes, fumeiro transmontano, bifanas do Conga e até um chili preparado pelo chef Manuel Vieira (do restaurante Mesa com Tradição).

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Morada
Rua de Cedofeita, 256, Porto
Telefone
934360070
Horário
Das 16h00 às 24h00. Sexta e sábadp até ás 02h00. Encerra domingo e segunda.


GPS
Latitude : 41.1511083
Longitude : -8.617304500000046