Chaves: Um museu de hoje na cidade moderna

Uma ponte com quase dois mil anos tem sido o maior símbolo da cidade. Desde hoje, porém, o novo Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso cria outra vocação na terra natal do arquiteto e pintor modernista – a de estar no roteiro artístico internacional.

Ergue-se alvo, retilíneo e imponente, nos quase três mil metros quadrados que correm pela margem direita do rio Tâmega, o novo museu que Álvaro Siza Vieira desenhou para Trás-os-Montes, em homenagem ao pintor e arquiteto flaviense Nadir Afonso. Hoje, no dia em que o espaço abre ao público, Chaves deixa de ser apenas a cidade raiana de tesouros romanos e medievais, onde em tantos recantos se respira história milenar, para gravar o nome também no roteiro internacional da arte contemporânea.

Elevado por uma sucessão de placas perpendiculares ao rio para ficar a salvo de cheias, o edifício do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso surge suspenso, como se flutuasse sobre o Tâmega. Lá dentro, o branco amplia a luz que entra pelas janelas, cada uma a criar composições a partir das linhas retas do espaço e das curvas da paisagem transmontana. O edifício tem ainda biblioteca, auditório, loja, cafetaria e um espaço projetado para ser o ateliê de Nadir, pois pretendia-se concluir a obra ainda em vida do artista.

A comemoração, hoje, é dupla. A abertura do museu coincide com o Dia da Cidade e do Município, e por isso tem entrada gratuita e horário alargado até à meia-noite. É a oportunidade para estar entre os primeiros a ver a exposição inaugural Nadir Afonso – Chaves para Uma Obra, sobre os 35 anos iniciais de trabalho do pintor modernista falecido em 2013 e que estará patente até ao próximo ano. E este pode muito bem ser o ponto de partida para uma visita à cidade que os romanos chamaram Aquae Flaviae.

Quem for ao museu de manhã pode ficar para almoçar pela zona histórica, onde há restaurantes de boa gastronomia transmontana. Como a famosa Adega Faustino que, ali perto, surge atrás do enorme portão vermelho que já foi o do armazém de vinhos da família, há um século dona do espaço. Virou restaurante em 1992 e serve fora de horas. «A partir do meio-dia e até encerrarmos servimos tudo o que temos na lista», afiança Clara Faustino, professora reformada que se tem dedicado ao negócio dos pais e anuncia ter «trinta e tal pratos a sair, todos feitos no momento». Como o pica-pau de carne frita, a dobradinha com grão-de-bico ou a linguiça assada em aguardente. Tudo para saborear sob um espantoso teto de ferro e madeira a formar uma cú­pula, sendo ainda possível visi­tar a pequena galeria e o museu da adega, com objetos recupera­dos do armazém.

De passeio pelo centro histó­rico, há grande probabilidade de o olhar se encantar pelas ruas e ruelas de matriz medieval, onde a cada passo se avistam as singu­lares varandas de madeira, mui­tas delas decoradas com flores. Um bom lu­gar para vê-las é a Rua Direita, a mais emble­mática de Chaves e a partir da qual se chega a vários monumentos, como as igrejas matriz e da Misericórdia ou o Paço dos Duques de Bragança, onde está o Museu da Região Fla­viense. Próxima dos Paços do Concelho fica a torre de menagem, que é o que resta do cas­telo medieval e hoje acolhe o Museu Militar. Subindo ao topo, ganha-se uma vista panorâmica sobre o vale onde Chaves se espraia.

Outro ponto de interesse dentro da muralha é a Ilha do Cavaleiro, recuperada em 2013 e transformada num bar agradável, com uma grande esplanada num terraço com vista para a cidade.

Quem quiser dormir entre muralhas deve saber que o antigo Forte de São Francisco, junto da zona histórica, se tornou hotel de quatro estrelas, com piscina exterior e alguns espaços amigos do desporto, como ginásio, campos de ténis e de futebol.

Descendo até ao rio e caminhando pelo passeio ribeirinho (sem esquecer de apreciar a ponte romana de Trajano, o ícone da cidade construído no século I) até ao Jardim do Tabolado, encontra-se a razão pela qual os  romanos chamaram à cidade Aquae Flaviae. Estão aí as Termas de Chaves, cujas águas brotam a 76 graus centígrados, podendo ser bebidas ou usadas em banhos e massagens terapêuticas. Ali, é possível experimentar vários banhos de imersão com e sem hidro­massagem, massagens para pernas cansa­das, sauna e banho turco, entre outros tra­tamentos.

Não muito longe das termas está outro bom poiso para levar o sabor transmonta­no para casa. É o restaurante Quinta da Ce­ra, instalado numa casa de pedra, no meio de uma urbanização, e conhecido pelo baca­lhau, pelos assados, pelo naco na broa e por uma já célebre entrada de cogumelos reche­ados com queijo. E se entramos em Chaves com Nadir Afonso, há que sair na sua com­panhia e passar pela Panificadora de Cha­ves, perto do Forte de São Neutel, que o artis­ta projetou para a sua cidade-natal.

 

ONDE FICAR

Forte São Francisco Hotel
Rua Pedisqueira
Tel.: 276333700
Web: fortesaofran­cisco.com
Quarto duplo a partir de 90 euros por noite (inclui pequeno–almoço)

 

ONDE COMER

Restaurante Adega Faustino
Travessa Cândido dos Reis
Tel.: 276322142
Das 12h00 às 23h00.
Encerra ao domingo
Preço médio: 15 euros

Quinta da Cera
Rua Quinta da Cera, 25
Tel.: 276331169
Das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 22h30
Encerra à terça.
Preço médio: 15 euros

 

VISITAR

Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso
Lugar das Longras Das 10h00 às 19h00 Entrada: 5 euros (grátis, até 18 anos
e +65)

Museu da Região Flaviense
Praça de Camões
Tel.: 276340500
Das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. Encerra aos feriados.

Museu Militar
Torre de menagem do Castelo de Chaves
Tel.: 276340500
Das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. Encerra aos feriados.

Termas de Chaves
Largo das Caldas
Tel.: 276332445/6
Web: termasdechaves.com
Tratamentos a partir de 3 euros



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