Sete vinhos de norte a sul a não perder de vista em 2017

Mais que boa relação preço-qualidade, podemos esperar muito de cada região, neste ano. Uma escolha do crítico Fernando Melo para ver na fotogaleria.

A fileira do vinho é por definição conservadora, e com razão. Os caminhos para chegar onde se chegou representam esforço, recursos gastos e muito trabalho e cada mudança tem de ser bem pensada. Mesmo assim a mobilização é geral e a ligação da produção ao mercado e às tendências mundiais nunca tiveram tantos reflexos. Ao mesmo tempo, vive-se um ambiente de verdadeira descoberta em cada hectare de vinha, com novos perfis, experiências e enologia a proporcionar cenários inéditos. Sem nos darmos conta, apesar de conservadores, queremos a mudança.

Os Alvarinhos do Minho mais atlântico tornaram-se expressão fiel dos seus terroirs, para o que muito contribuiu a definição da região mais alargada de Monção e Melgaço. Queremos mais, assim como queremos provar mais vinhos das castas mais relevantes dos vinhos verdes. A grande ilha de xisto que é o Douro, tem os criadores de sempre e mais outros tantos, que além de transformar o douro superior, estão a olhar para detalhes como a transição xisto-granito, este a pontificar na emergente reunião de Trás-os-Montes.

A Bairrada oferece agora vinhos da casta Baga com que os antigos sonhavam e está a produzir Touriga Nacional de antologia. Claro que queremos novidades todos os anos, assim como no vizinho Dão, onde à Touriga se junta a branca Encruzado, medrando nos granitos velhos dos maciços altaneiros gelam no Inverno e abrasam no Verão. A região do Tejo, outrora Ribatejo, revela micropropriedades e nuances que nos põem a estudar de novo, como um lugar clássico de convivência de castas estrangeiras com autóctones chegou tão longe.

Devemos procurar provar tanto as grandes casas como os pequenos produtores. A região de Lisboa é um festival de terroirs com forte exposição atlântica e tem sido palco de vinhos brancos e tintos que clamam por prova e comparação com os grandes do resto do mundo. E o Alentejo, a nossa única região de vinha em extensão, trata nas palminhas as suas vinhas e gentes, com tanto por conhecer. Ficam algumas pistas para começar a exploração. Boas provas! E bom ano!



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