Entre Faro e Olhão, por novas mesas e camas recentes

Pure Formosa Concept Hotel, Olhão. (Fotografia de Paulo Spranger/GI)
Um novo restaurante na marina farense, aos pés da Ria Formosa, e a aposta biológica de uma mercearia a granel são razões para rumar à capital algarvia. No centro cubista de Olhão, descansa-se entre camas recentes, um rooftop panorâmico e mesas que homenageiam a cestaria.

A localização privilegiada é evidente, em plena Marina de Faro, junto ao centro histórico, ao Jardim Manuel Bívar e a dois passos do castelo, e a vista panorâmica faz-se da primeira fila, para a Ria Formosa. “O espaço estava degradado, mas assim que subi as escadas e vejo esta vista, vi logo o potencial”, explica Cláudio Mocho, dono do AMURA, o recente restaurante situado no topo do edifício do Ginásio Clube Naval de Faro, aberto desde setembro.

Está ligado à área do fitness, mas já tem experiência na restauração farense há seis anos. O viveiro de lavagantes e sapateiras e a banca de gelo com o peixe e marisco algarvios do dia desvendam, logo à entrada, a inspiração da cozinha, em combinação com a inspiração marinha do espaço luminoso, entre tons de azul e branco e quadros com motivos náuticos.

O Amura é o novo inquilino da Marina de Faro. (Fotografias de Paulo Spranger/GI)

O polvo com puré de batata-doce é um dos pratos do Amura.

Entre sala, esplanada e a zona privada para refeições mais intimistas (até oito pessoas), conseguem sentar-se 90 comensais. Entre as especialidades estão os tentáculos do tenro polvo com tomilho e puré de batata doce com canela; o arroz malandrinho de lingueirão da ria com açafrão e coentros; a clássica cataplana algarvia; ou a massa de peixe com camarão. Mas também há petiscos como ostras salada de polvo; camarão à Guilho; ceviches ou camarão-tigre na grelha, para acompanhar com pão e broa artesanais e as mais de 40 referências vínicas.

À despedida, há opções como panacota com molho de maracujá e o folar de Olhão com gelado de lima, por exemplo. Para provar sem pressas, já que o espaço não fecha entre refeições. “Queremos fugir ao rótulo sazonal”, conta Cláudio. A ajudar a isso está o novo terraço, que abre em breve mesmo ao lado, que trará bebidas e petiscos durante o por do sol e noite fora.

Mar e ria são dois dos principais pilares da carta do novo restaurante de Faro.

A vista para a Ria Formosa, da esplanada.

A sala mais intimista, pensada para pequenos grupos, com vista para a marina e a ria.

Na mesma cidade, também Sara Barão Teixeira arriscou ao criar a “primeira mercearia a granel de Faro”. É lisboeta mas rumou a sul para se formar em Biologia. Na RETRATOS D’ALDEIA, continua a zelar pela educação ambiental, mas de outra forma. “Foi um voltar às origens. Quis ter um espaço sustentável, que estimulasse as pessoas a ter uma vida mais ecológica, com oferta para todos, acessível a todos”, conta a proprietária, de 33 anos. Pela mercearia, desfilam produtos biológicos e artesanais, quase todos nacionais e muitos destes locais.

Sara Barão Teixeira é a responsável pela mercearia Retratos d’Aldeia.

Venda a granel e foco nos produtos biológicos, veganos e naturais são a espinha dorsal da mercearia.

Queijos veganos de Aljezur, pão de fermentação lenta e natural de Loulé, biscoitos de Faro e São Brás de Alportel, mel alentejano, café a grão e torrado, conservas de Olhão, bolachas de Oeiras sem glúten e manteigas veganas da Costa Vicentina são alguns dos produtos que aqui se vendem. A estes juntam-se cereais, sementes, frutos secos, compotas, chocolates biológicos, leguminosas, especiarias e gomas veganas, além dos cabazes de fruta e legumes (pré-feitos ou personalizados) que se podem comprar todas as quintas-feiras.

A Retratos d’Aldeia também vende cabazes de frutas e legumes, todas as quintas-feiras.

Camas e mesas recentes em Olhão

Os tons azul-petróleo, verde salino e terracota, que ajudam a dar cor aos 67 quartos singles e duplos do PURE FORMOSA CONCEPT HOTEL, aberto há ano e meio, prestam homenagem às paisagens das salinas de Olhão e da Ria Formosa. Na cidade cubista algarvia, este é um dos mais recentes reforços da hotelaria local, pelas mãos de dois irmãos olhanenses, Bruno Siragusa e Pedro Loreto dos Santos.

Situado a dois passos da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, o hotel deu nova vida ao local onde funcionou uma antiga serralharia. Os quartos, com bastante luz natural e aposta nas madeiras claras, têm vista para a cidade e alguns têm varanda. Nas zonas comuns, onde coabitam obras em macramé, painéis de cerâmica e cadeirões em vime, há espaço para a sala de pequenos-almoços, área de leitura, zona de bar e petiscos e um pátio abrigado onde apetece sentar à conversa ou a ler um livro.

O Pure Formosa Concept Hotel soma mais de seis dezenas de quartos.

O rooftop do hotel, com vista para a cidade, a Ria Formosa, a serra e as ilhas mais próximas.

Ainda assim, o ex-líbris está no piso mais alto: um terraço com bar e uma piscina exterior rodeada de espreguiçadeiras. Enquanto se saboreiam os cocktails de autor da casa (como o Formosa Cocktail, com gin, melancia, lima e hortelã), é possível avistar-se, de forma desafogada, o centro histórico, a ria, a serra algarvia e as ilhas mais próximas, como a Culatra e a Armona.

O hotel abriu há um ano e meio no centro de Olhão.

A vista panorâmica do terraço, onde também está uma piscina exterior.

O passeio prossegue ali perto, com uma caminhada pela zona da marina, e passando pelo Mercado de Olhão, um conjunto de dois edifícios centenários de fachada em tijolaria, que se tornaram num dos principais postais olhanenses. Ainda hoje, é aqui que se compra peixe, carne, frescos e produtos regionais, durante a manhã.

O Mercado de Olhão.

É à frente do mercado que nasceu o CESTARIA, novo restaurante de Olhão que vem aplaudir as raízes algarvias na cestaria em palma. Não só no nome, mas em toda a decoração, do céu de 92 cestas que veste o teto de uma das salas (feitos artesanalmente por mãos algarvias, em parceria com a Loulé Criativo) ao revestimento de jarras ou aos cestos que trazem pão e entradas à mesa.

“Quis ir às nossas origens. Antigamente, vinha-se às compras ao mercado com cestas para levar legumes, peixe, marisco, etc. Quis homenagear os artesãos, e que essa cultura não fosse perdida”, explica Joseph Viegas, proprietário de 33 anos, que nasceu nos EUA, mas a viver em Olhão desde os dois anos, quando os pais voltaram à terra-natal. Ele próprio apelida os elementos da sua equipa no restaurante de artesãos.

Os rissóis da Ria Formosa (polvo, lingueirão e berbigão) e a maçã gratinada com queijo chèvre e mel da Serra do Caldeirão, duas das entradas do Cestaria.

O lombo de bacalhau em crosta de amêndoa, com puré de batata-doce e lima, uma das especialidades do novo restaurante de Olhão.

A decoração presta homenagem à arte da cestaria.

Na carta, o peixe e marisco vem todo da costa algarvia, exceto o bacalhau, e as carnes maturadas são de raças portuguesas DOP (com mais de uma dezena de cortes). Entre as especialidades estão o camarão-tigre grelhado no josper com manteiga de jalapeños e arroz; o tachinho de bochechas de porco ibérico estufadas em vinho tinto; o lombo de bacalhau com meia-cura em crosta de amêndoa, com puré de batata-doce e lima; ou a carbonara de muxama de atum com linguini nero.

Nas entradas – estes petiscos também se servem entre refeições -, destaque para o trio de rissóis da Ria Formosa (polvo, lingueirão e berbigão, bem recheados e nada oleosos); carpaccio de novilho com avelãs; ou a maçã gratinada com queijo chèvre e mel da Serra do Caldeirão; não se esquecendo os clássicos: pica-paus, amêijoas à Bulhão Pato e saladas de polvo da vizinha Santa Luzia, capital deste molusco.

O tachinho de bochechas de porco ibérico em vinho tinto.

O produto algarvio mantém-se firme nas sobremesas, como exemplificam o folhado de Dom Rodrigo ou a tarte de amêndoa. Já a zona de enoteca ilumina as dezenas de vinhos para acompanhar, com holofote especial nos algarvios. O feedback não podia ser melhor. “Não esperava tanto sucesso em tão pouco tempo”, conta o dono (também proprietário do vizinho mexicano Halo Torito), com casa composta em dias úteis e de descanso. “Olhão está cada vez mais na moda”, explica.

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.




Outros Artigos





Outros Conteúdos GMG





Send this to friend