Comer em conta no Zé Tila, uma casa de amigos em Mira

Os rojões são uma das especialidades do Zé Tila, na localidade de Portomar. (Fotografia: Maria João Gala/Global Imagens)
A Chave é o nome oficial, mas os clientes deste café e casa de pasto chamam-lhe Zé Tila, alcunha de José Frajuca. Ele e a mulher, Graça Rocha, já sabem o que quase todos vão escolher da ementa. E há várias opções: do bacalhau à moda dos enterros ao pitéu de raia, entre outros pratos regionais.

Quando se entra no café e casa de pasto A Chave, em Portomar, é bem provável que atrás do balcão esteja José Frajuca, conhecido como Zé Tila (de Otília, a sua mãe). É ele que, com a mulher, Graça Rocha, conduz, há 39 anos, os destinos desta casa de cozinha regional que começou por ser um bar. O casal manteve-o assim um par de anos, ainda fez bailes e sessões de cinema no salão que, pontualmente, recebe noites de fados; até que o converteu em restaurante. “Na altura, fazia-se aqui a feira aos 11 e 30 de cada mês, e as pessoas precisavam de um sítio para comer”, lembra. “Começámos com sopas, febras, e o tempo trouxe o resto.”

Hoje, as especialidades do Zé Tila incluem diversos pratos de bacalhau, dos sames e caras de bacalhau às línguas, servidas com arroz de grelos ou de tomate. Sem esquecer o rancho do mar, os rojões e outros pratos, inclusive, regionais. É o caso do pitéu de raia, que não prescinde do fígado do animal e só está disponível por encomenda; ou do bacalhau à moda dos enterros, cozido, com cebola, alho, louro, azeite e vinagre. Antes, quando alguém morria, velava-se o corpo e eram os vizinhos a levar a comida – daí a designação.

Histórias não faltam. Zé e Graça habituaram-se a cozinhar até tarde, e não só para alimentar os camionistas que ali paravam. “Houve uma altura em que estava aberto toda a noite. Ligavam-me a dizer: somos dez, queremos bacalhau. Levantava-me da cama e vinha”, conta ele. E quantas vezes gente emigrada em França lhe telefonou do aeroporto, a reservar mesa para a hora de chegada, noite dentro? “Considero os clientes os meus amigos, a minha família”, sublinha. Conhece as preferências de quase todos. Ao vê-los chegar, em 80 a 90% dos casos, sabe logo o que vão comer.

À semana, é servido um prato do dia, que vai variando. Pode ser arroz de galo (geralmente, à sexta) ou arroz da matança, um cozinhado regional que leva febra, fígado, coração e língua de porco. Quem preferir petiscos encontra ainda petingas e fanecas fritas, entre outros peixes. Com a vantagem de que ninguém sai dali com fome, seja a que horas chegue. Estando por lá marido ou mulher, é certo que desenrasca qualquer coisa.

Casa gandaresa

No palco do salão está uma casa gandaresa em miniatura, com rodas, que o próprio Zé Tila fez para integrar as marchas, ou não tivesse um passado ligado à construção.

Zé Tila e a sua miniatura de casa gandaresa.
(Fotografia: Maria João Gala/Global Imagens)

O menu

Diária: 7 euros
Inclui prato principal, bebida e café.

Especialidades: bacalhau, línguas de bacalhau, sames e caras de bacalhau, pitéu de raia, rojões.

Sobremesas: pudim caseiro, arroz doce, leite-creme queimado.

As sobremesas da casa.
(Fotografia: Maria João Gala/Global Imagens)

Partilhar
Mapa da ficha ténica
Morada
Largo 5 de outubro, 39, Portomar, Mira
Telefone
231452418
Horário
Das 9h às 22h30. Não encerra.
Custo
(€) Preço médio: 10 euros


GPS
Latitude : 39.3999
Longitude : -8.2245

 




Outros Artigos





Outros Conteúdos GMG





Send this to friend