Luís Antunes: «É preciso aventura para tirar os jovens de casa»

Luís Antunes é o responsável pela comunicação da Juvemedia, associação juvenil que promove a mobilidade e a interação social através de diferentes iniciativas.
Há ano e meio ligado à Juvemedia, Luís Antunes é neste momento responsável pela comunicação da associação juvenil que promove a mobilidade e a interação social, através de viagens e outras iniciativas.

Numa era assumidamente digital, o que procuram os jovens nos segmentos de lazer e cultura?
Neste momento os jovens são mais exigentes. Especialmente porque através da Internet conseguem planear uma viagem numa questão de minutos. É por esse motivo que a Juvemedia procura eventos que sejam diferentes e que tenham componentes únicos, como ir a locais onde um jovem não consiga chegar por si só. Isso e ter preços mais competitivos para os nossos sócios.

Quais os programas da Juvemedia que mais têm atraído as novas gerações?
Notamos que estão muito mais interessadas em eventos de curta duração, uma tarde, algumas noites. O evento que maior sucesso teve no ano passado e que a 30 de junho tem repetição é o Creoula 2017. Durante três dias, os sócios vão estar a bordo de um navio da Marinha Portuguesa e participar em todo o funcionamento do barco. Foi uma das iniciativas que recuperámos dos primórdios da associação. No ano passado, também levámos os sócios até à Sexta feira 13 de Montalegre e teve bastante aceitação, pelo misticismo e desconhecido, mas também porque as pessoas não conhecem bem o país.

Dentro do calendário deste ano, quais são as principais atividade?
Para além do Creoula, é o Na Rota da Música – Beatlemania, uma visita a Liverpool, a 28 de abril, durante três dias. Vão poder fazer o percurso do Beatles, ir ao Magical Mistery Tour, passar pela casa do Ringo, ver o sítio onde tocaram pela primeira vez…

O que mudaram nestes 29 anos da associação, os objetivos ou a estratégia?
Os objetivos continuam a ser os mesmos, é motivar os jovens a conhecer novas culturas, lá fora e cá dentro. A Juvemedia começou nos anos 80, quando um grupo de seis jovens não tinha meios para conhecer outros mundos. Juntaram-se, fizeram parcerias, organizaram viagens de comboios e tiveram um grande impacto. E esse espírito mantém-se, inclusive continuamos a ter algum revivalismo quando recuperamos alguns desses projetos antigos, como o Creoula. Agora, a estratégia é que mudou.

O público para quem comunicam hoje é certamente diferente de há 30 anos…
Há sempre uma dificuldade porque as pessoas vão envelhecendo, temos 4000 mil sócios. Claro que o foco são os jovens, mas temos sócios que nos acompanham desde o início e não podemos fechar-lhes a porta. Essas pessoa vão trazendo os filhos, os netos, há sempre uma nova geração que vamos cativando à medida que vamos avançando. Não temos restrições de idades para o nossos projetos.

Qual é o vosso maior desafio?
Com as novas tecnologias temos de olhar um bocadinho mais à frente, de antecipar. Tivemos de nos adaptar às redes sociais, que é o que mais atrai os jovens hoje em dia. Acho que sem o Facebook não conseguíamos chegar lá. Agora a outra parte do trabalho é continuar a ter projetos diferentes, que os cativem, não só no lazer, mas também na área da formação e da solidariedade. Na nossa viagem ao Nepal deste ano, que já esgotou, vamos entregar diretamente um donativo a crianças nepalesas desfavorecidas. Queremos também capacitar os jovens e ajudá-los a ter responsabilidade social.

Hoje é difícil tirar os jovens de casa?
Os jovens ainda conseguem sair de casa e largar os seus computadores, especialmente se for uma iniciativa que os mobilize e tenha elementos únicos. É preciso uma aventura para isso.



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