Roteiros da Evasões: Onde nos levarem as perguntas

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(Fotografia de Leonel de Castro/GI)
Os melhores guias de cada lugar são aqueles que os trazem desinteressadamente no coração, olhando-os com uma visão de ternura.

Vou contar aquilo que fazemos na Evasões, quando queremos fazer um roteiro de fim de semana em lugares que nos são desconhecidos (e quanto mais desconhecido e improvável é um lugar, mais apetite nos dá). É um procedimento simples, praticamente instintivo: procuramos falar com quem é de lá. Há sempre alguém a quem pedir ajuda, instruções, caminhos e boas mesas, segredos e revelações. Colegas que são de lá, amigos ou amigos de amigos que são de lá, família daquelas bandas e ainda, last but not least, as dicas que os leitores nos vão enviando.

Também acontece ser um regresso com uma nova perspetiva, que nos leva a recuperar os contactos do bloco de notas que se arquivam – e quanta ajuda temos tido da boa gente de museus locais, de donos de restaurantes e pousadas e outros habitantes felizes. Nós somos sempre os melhores guias da nossa terra – falo por mim, que rapidamente criava um roteiro do coração com uma visita ao meu bem querido museu municipal, um mergulho no rio num lugar que cá sabemos, uma caminhada pela serra e, claro, aquela adega da minha terra.

Os melhores guias de cada lugar são aqueles que os trazem desinteressadamente no coração, olhando-os com uma visão de ternura. Por isso, publicamos roteiros maravilhosos sempre que tivemos a sorte de juntar os olhos do nativo aos do fotojornalista – e recordo apenas um deles, mas podia falar de mais, que foi quando o Leonel de Castro conduziu a Sara Dias Oliveira pelos caminhos da sua Carrazeda de Ansiães. Neste tempo em que a internet e as apps parecem preencher todos os espaços, ainda vamos tendo a confirmação que ninguém faz melhor em indicar caminhos do que a alma humana que deles bebe e neles se faz. Por isso, arrisco a sugerir um lema de passeio (além de confiar na Evasões, claro está) – vá por aí fora e pergunte.

 

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