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Ir às compras na aldeia da Comporta

Casa da Cultura
O espaço que junta várias lojas pop-up foi em tempos um armazém de arroz e uma sala de cinema.
Coral Comporta
Vintage Department Comporta

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Não é de hoje que a pequena aldeia e arredores caíram no goto de veraneantes endinheirados. A diferença, que não é pequena, está no facto de hoje isso não ser mais um segredo bem guardado de meia dúzia e da Comporta se ter tornado viralmente apetecível para o comum dos mortais — o célebre desabafo de Cristina Espírito Santo, repetido à exaustão, “é como brincar aos pobrezinhos” tinha, afinal, outras e maiores implicações.

Famílias como os Espírito Santo e celebridades como a princesa Carolina do Mónaco ou o designer de sapatos Christian Louboutin (diz-se que trocou a casa na praia do Carvalhal por uma outra na de Melides), habitués de longa data, possibilitaram que, aos longos das últimas décadas, se fossem aqui instalando lojas bastantes cosmopolitas — e nem sempre acessíveis a todas as bolsas — mas perfeitamente adaptadas ao espírito de luxo “de pé descalço”.

Algumas ficaram pelo caminho; outras estão até hoje. Facto é que a vinda crescente de pessoas ­­— com particular destaque para os madrilenos que, graças à autoestrada entre Madrid e Lisboa, fizeram da Comporta a sua estância balnear — está a abrir portas para outros negócios.

Entre as novidades, que se concentram em apenas duas ruas, porta sim porta não, destaca-se, para começar, a Casa da Cultura, que resulta da reabilitação de um armazém de arroz e do antigo cinema na rua do Secador. No interior, existem duas salas para exposições, espera-se recuperar a ideia de voltar a ter uma sala de projeção de filmes na aldeia e, até 18 de setembro, numa área em que se recriaram as casas de palafita do porto de pesca da Carrasqueira foram instaladas várias lojas pop up de marcas portuguesas. É caso dos vinhos Parus, produzidos na Herdade da Comporta, ou da Pura Cal, um projeto de decoração de interiores da dupla João Bernardes Vilela e Tiago Patrício Rodrigues com loja própria na LX Factory, em Lisboa, que trouxeram para a casa o conceito de “Summer Store”.

Na mesma rua, num antigo consultório de dentista, instalou-se nesta temporada uma extensão da loja lisboeta Vintage Department. E veio para ficar. Imaginada pela dupla Emily Tomé, gestora, e Alma Mollemans, fotógrafo, para ocupar uma área no bairro do Príncipe Real, onde desde então se dedicam à recuperação de móveis antigos e de peças industriais, esta réplica pisca o olho a quem, mesmo em tempo de férias, não perde de vista a inspiração para decorar a casa.

Não por acaso quem encontrou o espaço para esta loja foi Carlos Pissarra, que também se ocupa, entre outras coisas, de fazer as suas montras. Anteriormente ligado a projetos editoriais de lifestyle, Carlos e a mulher, São Pissarra, ex-diretora da revista feminina Lux Woman, deixaram-se contagiar pela ideia de ter uma loja de decoração. Chama-se Coral Comporta e tem como produto forte uma seleção muito pessoal de louças e peças de cerâmica nacionais (como a Costa Nova). Rendido ao ritmo local, com um pico forte de compras pós-praia ao entardecer, Carlos Pissarra está convicto de que o (seu) futuro passa por aqui.

 

Coral Comporta
Rua do Secador, 9, lj. 1
facebook.com/CORAL-Comporta
Todos os dias, das 10.00 às 14.00 e das 16.00 às 21.00

Casa da Cultura
Rua do Secador, 8
facebook.com/Casa-Da-Cultura-Da-Comporta
De terça-feira a domingo, das 10.00 às 14.00 e das 16.30 às 20.30

Vintage Department Comporta
Rua do Secador, 5
vintage-department.com
Todos os dias, das 10.00 às 14.00 e das 16.00 às 22.00