Roteiro por Arcos de Valdevez, entre floresta, rio e estrelas no céu

Miradouro do Penedo do Castelo da Miranda. (Fotografias de Rui Manuel Fonseca/GI)
Junto às margens viçosas do rio Vez e seus afluentes, pelas ruas do centro histórico de Arcos de Valdevez e nas encostas verdes de serranias, este território é salpicado de surpresas: florestas encantadas, moinhos renascidos, património refrescado e sabores vincados, que se gravam na memória.

Entre as freguesias de Extremo e Miranda, um conjunto de florestas encantadas, miradouros sobre o vale do Vez e fortes com mais de 300 anos atrai as atenções para a zona oeste do concelho. É um território de muitos encantos, à altura de outros postais mais conhecidos, e à espera de ser explorado por quem visita Arcos de Valdevez. Os FORTES DO BRAGANDELO E DA PEREIRA, empoleirados em duas colinas na freguesia do Extremo e visitáveis desde o verão passado, são um dos mais recentes motivos para partir à descoberta deste lado do concelho. São um exemplar raro da arquitetura militar do século XVII, em particular da Guerra da Restauração, entre Portugal e Castela (1640-1668).

O maior, o de Bragandelo é um dos mais bem preservados do Noroeste da Península Ibérica, mantendo a sua configuração original e a maioria dos seus elementos. Depois de séculos à mercê da natureza, a construção foi alvo de campanhas arqueológicas e requalificação por parte do município, que o equipou com sinalética e painéis informativos que ajudam a interpretar as elevações feitas na colina, pela mão humana.

O Miradouro do Penedo do Corvo. (Fotografias de Rui Manuel Fonseca/GI)

Dali, as tropas tinham vista desafogada para a linha de fronteira com a Galiza, e ainda que seja difícil, na serenidade que hoje paira no lugar, imaginar o trovão dos canhões a rasgar o vento e a neblina tão característicos da zona, sabe-se que os fortes da Portela do Extremo tiveram um papel importante no conflito. “A resistência que foi aqui feita, neste eixo, mudou completamente aquilo que estava previsto”, nota o arqueólogo Nuno Soares, chefe da divisão cultural na Câmara de Arcos de Valdevez. O acesso ao forte de Bragandelo pode ser feito a pé ou de 4×4, mas parte da experiência é subir através da antiga trincheira que ligava as duas fortificações, como fizeram os soldados em defesa do território português há mais de 300 anos.

A descoberta da zona oeste do concelho pode começar aqui, no limite norte, ou fazer-se no sentido inverso, iniciando no MIRADOURO DO CASTELO DE SANTA CRUZ, onde está previsto um centro interpretativo que servirá como porta de entrada nos chamados Territórios do Oeste. Do topo desse antigo castelo românico, incrustado num gigante bloco granítico, tem-se vista sobre a vila de Arcos de Valdevez, a serra Amarela e o vale do rio Vez.

Ao longo da cumeada que limita a região, há mais miradouros com vistas panorâmicas para o horizonte recortado de serras, encostas verdes e povoações. É o caso do PENEDO DO CASTELO DE MIRANDA (apenas acessível de 4×4 ou bicicleta), com 30 metros de altura, que deixa ver o Vale do Lima e em dias de céu limpo alcança até o mar, ou o MIRADOURO DE SÃO MAMEDE, em Senharei, voltado para a vertente oeste do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A vista panorâmica do Miradouro de São Mamede, em Senharei.

Pelo meio, impõe-se um passeio pelo PARQUE FLORESTAL DE MIRANDA, apelidado de Floresta Encantada, pela sua densa canópia de árvores autóctones, um ambiente que parece saído de um filme de fantasia. O trilho da Poça do Couto é um dos percursos pedestres – o concelho tem mais de 300 km de percursos pedestres assinalados – que se embrenha pelas manchas verdes de carvalhos, cedros, amieiros, bétulas, pinheiros e muitas outras espécies que povoam os mais de 50 hectares de floresta, em tempos utilizada como viveiro para a reflorestação do Parque Nacional. É um convite a mergulhar no sossego retemperador da natureza, embalados pelas conversas sonoras da avifauna, e com encontros ocasionais de garranos ou cachenas que por ali andam.

Um dos trilhos no Parque Florestal de Miranda.

Se o passeio não for suficiente para a abrir o apetite, um desvio até à CASCATA DO RIO CABRÃO, um afluente do Lima, deve ajudar. Um pequeno percurso de perto de 600 metros, feito por trilhos e passadiços em madeira, leva até ao miradouro de onde se consegue admirar a queda de água, ainda mais imponente no inverno, quando o caudal do rio aumenta. Para chegar ao topo é necessário um pouco mais de esforço, compensado depois com uma pausa no CAFÉ DA PONTINHA, para petiscar.

A cascata do rio Cabrão.

Natalie Varandas assumiu o negócio que o pai abriu quando regressou de França, na década de 1980. A chouriça assada no bagaço, os bolinhos de bacalhau, a broa, os queijos e os enchidos do concelho são protagonistas nas mesas da esplanada, que se tornou ponto de paragem regular de aficionados do BTT e do todo o terreno que se aventuram pelas montanhas ao redor. Para acompanhar, a anfitriã sugere uma caneca de champarrião (uma mistura de vinho tinto, cerveja, açúcar amarelo e canela). A receita para longas tardes de convívio.

Os petiscos tradicionais do Café da Pontinha.

Esta casa familiar fica situada junto à cascata do rio Cabrão.

Novos ventos no centro da vila

Se a paisagem verde do concelho é um chamariz por si só, também o centro urbano convida a calcorrear as ruas pitorescas, pejadas de história, património e sabores tradicionais, e refrescadas com novos projetos. Um desses lugares renascidos no coração da vila é a Igreja do Espírito Santo, feita CENTRO INTERPRETATIVO DO BARROCO, e ela própria uma joia desse estilo artístico. Alia o património às novas tecnologias, e serve de porta de entrada do Barroco do Alto Minho.

O Centro Interpretativo do Barroco.

Através de ecrãs interativos os visitantes podem descobrir alguns dos exemplares mais significativos desse período, fortemente marcado pelo uso do dourado e linhas curvas, em cada um dos 10 concelhos do distrito, e em particular do concelho de Arcos de Valdevez. É ainda possível fazer uma visita guiada virtual para conhecer ao pormenor os elementos patrimoniais da igreja, assistir a uma instalação de videomapping na sacristia, ver uma exposição de peças de arte sacra no coro, subir à torre sineira e até passar por trás do altar maneirista, para observar de pertos os detalhes e curiosidades do trabalho de talha. À saída, é difícil resistir a fazer umas festas na gata Caramela, uma das visitantes assíduas do museu.

Outro novo projeto que veio refrescar a vila foi a GAZELLE GALERIE STORE, uma loja/galeria minimalista, criada por um jovem casal de criativos, Sara da Costa e Eduardo Antunes. Ali, pretende-se “entrelaçar arte e moda”, duas das paixões de Sara, que desde cedo se interessou pelo lado editorial desse mundo. Peças de roupa feminina, de cortes direitos e um visual algo andrógeno, ocupam diversos expositores espalhados pelo espaço amplo.

A nova loja e galeria que chegou ao centro de Arcos de Valdevez.

Sara Costa e Eduardo Antunes, da Gazelle Galeria Store.

Sara desenha toda a coleção, que depois ganha vida pelas mãos de costureiras e artesãs locais. Em destaque está a linha de vestidos e biquinis feitos em crochet, peças únicas, e de edição limitada. A loja acolhe ainda uma seleção de cerâmicas e joalharia, e um espaço de exposição aberto a “qualquer artista que queira expor o seu trabalho” – de momento está em exibição um conjunto de fotografias de Eduardo. É também atelier, com serviço de consultoria, no qual Sara se compromete a ”guiar o cliente num processo criativo de escolha”, com acompanhamento dedicado, não fosse o entusiasmo com que abraça o projeto. Autodidata, lembra-se de, em criança, andar pela casa, não muito longe dali, a moldar lençóis e tecidos no corpo para criar os seus próprios desfiles de moda, inspirada por revistas como a Vogue.

Mais abaixo, são as memórias olfativas que despertam ao passar em frente à CASA DOS CAFÉS, que continua a encher a rua com um subtil aroma a café acabado de moer. Agora, não é tão intenso quanto na altura em que a torrefação ainda se fazia ali, recorda Ester Campos. Entretanto, o negócio cresceu, já com os filhos ao comando das operações, e a fábrica dos cafés Bricelta foi instalar-se na zona industrial. Ao balcão da casa que abriu com o marido há quase 53 anos, Ester continua a encher cartuchos de café avulso, e confessa que de tantos anos no ofício, já nem precisava de balança. “Já tenho o peso nas mãos”, afiança. “Às vezes é certinho, nem um grama a mais, nem a menos”.

Na Casa dos Cafés, há café acabado de moer.

O café biológico da Bricelta também é vendido mais abaixo, numa mercearia a granel que vai buscar inspiração e nome à avó de Catarina Soares, que tinha uma venda na aldeia onde cresceu. Nas prateleiras da PUREZA há frutas e legumes biológicos, farinhas, infusões, leguminosas, massas e sementes a granel, e também pão de fermentação natural, detergentes, produtos de higiene pessoal e acessórios amigos do ambiente, que convivem com peças da antiga mercearia da avó Pureza.

Catarina Soares, responsável pela Pureza.

E já que se está de passeio pelo centro histórico, por entre legados de família, há que passar na DOÇARIA CENTRAL, para provar os premiados charutos dos Arcos, os rebuçados e o sortido. A receita dos charutos tem passado de geração em geração na família de Clara Laranjeira, desde a sua tetravó, a Francisca Doceira, que fundou a casa em 1830.

Clara Laranjeira, da Doçaria Central, mantém a tradição geracional deste espaço.

Para pratos mais robustos, encontram-se as especialidades do concelho em mesas de referência como a d’O LAGAR, de ambiente rústico e familiar, onde se destacam o bacalhau à Lagar (frito e com cebolada), o bacalhau à Lagareiro e a posta de cachena, e também o tradicional bolo de discos. Mais adiante, O BRASEIRO conta mais de 30 anos a dar cartas nos grelhados – que atraem filas de comensais ao take-away da churrasqueira – e também no bacalhau, na posta de cachena acompanhada por arroz de feijão tarrestre, nas entradas feitas com alheira de cachena produzida no concelho, e no cuidado casamento com os vinhos locais.

Berta Soares e António Sousa, do restaurante O Lagar, com o bacalhau à Lagar.

A Carne Cachena é uma das apostas d’O Braseiro.

Para conhecer melhor as referências produzidas no concelho, o lugar indicado é o espaço VINHOS & SABORES, da Associação dos Vinhos de Arcos de Valdevez, que além das garrafas alinhadas nas prateleiras, tem diariamente uma seleção de quatro vinhos a copo. Regularmente são convidados produtores para harmonizar os seus vinhos com outros produtos locais, como doces, biscoitos, enchidos, mel e compotas, também disponíveis na loja. Desses encontros nasceram algumas combinações improváveis como a Moira Encantada – chouriça de cebola assada, com mel e charutos de ovos – que já entraram para a carta, ao lado de petiscos como o bolo de tacho e as broinhas dos Arcos. O espaço acolhe ainda provas, eventos gastronómicos e degustações, para dar a conhecer o que se melhor se produz no concelho.

Para os amantes vínicos, a morada obrigatória é o Vinhos & Sabores.

 

Passeios e descanso junto ao rio

O rio Vez, nascido na Serra do Soajo, é a coluna vertebral que atravessa o concelho, antes de ir desaguar ao rio Lima, percorridos 40 quilómetros. Para o conhecer melhor, podemos começar mesmo no centro urbano de Arcos de Valdevez, à mesa do restaurante e bar ORIGENS, numa varanda debruçada sobre o rio, em frente à praia fluvial da Valeta, emoldurada pelas margens verdes do Vez.

Ali, brilham os hambúrgueres artesanais, massas e saladas, e uma recente aposta nos pratos de autor, como sugestões do dia, assinados pelo chef Marco Freitas (uma espécie de amostra do que a equipa está a preparar para o novo espaço, que irá abrir em breve em Ponte de Lima). São sabores inspirados na memória e no território, como a dourada grelhada, com molho de manga e coco, que evoca os Descobrimentos Portugueses, o risoto do Gerês, cozinhado numa base de espinafres que lhe confere a cor verde das encostas do concelho, e coroado com cogumelos de produção local, ou ainda uma delicada sobremesa de pêssego e rosa, das memórias de infância da chef pasteleira Bárbara Pereira. Para harmonizar com os pratos, destacam-se os cocktails de assinatura do barman Rui Mendes, como o Origens, uma mistura à base de licor Beirão, xarope de eucalipto e tónico de flor de sabugueiro, que o torna surpreendentemente fresco. Ou ainda uma sobremesa em estado líquido, à base de rum, cordial de ananás, coco e café, licor de banana e pó de ananás, feito com as sobras do fruto, uma das muitas formas de combate ao desperdício do Origens.

O chef Marco Freitas, do Origens.

A recriação da carne de porco à alentejana do Origens.

De baterias recarregadas, pode-se continuar a desfrutar do rio ao longo da Ecovia do Vez, um percurso de 35 quilómetros, que funciona também como corredor do Museu da Água ao Ar Livre do Rio Vez, cujo objetivo é valorizar a diversidade de fauna e flora do rio, não fosse o concelho Reserva Mundial da Biosfera, declarada pela Unesco. Seguindo por caminhos rurais, trilhos e passadiços ,o visitante encontra painéis informativos e postos de observação, que ajudam a interpretar o que vai observando ao longo do percurso: répteis, anfíbios e aves, como o melro d’água – o símbolo do museu e um bioindicador da qualidade do ecossistema fluvial -, árvores e arbustos, moinhos, pesqueiras e praias fluviais.

A ecovia está dividida em três etapas. Para sul, o limite é Jolda S. Paio, já na margem direita do rio Lima. Para norte, a meta é a bela aldeia de Sistelo, e é nesta última etapa – onde não nos meses de verão não é permitida a circulação de bicicletas – , que liga a ponte medieval de Vilela a esse território classificado como Paisagem Cultural, que surgiram nos últimos meses dois novos troços de passadiços. O primeiro, inaugurado no verão passado, veio substituir um percurso de quase três quilómetros que antes se fazia por estrada, e agora segue junto à margem rochosa do rio Vez e abraçado pela vegetação ripícola, entre o Poço das Caldeiras, na freguesia de Loureda, e São Sebastião, na freguesia de Cabreiro. Os passadiços permitem chegar a lagoas onde se pode dar mergulhos refrescantes no verão, e que de outra forma seriam inacessíveis.

Outro trecho recém-inaugurado corresponde à parte final da ecovia, já à chegada de Sistelo. Dali, quem quiser continuar as caminhadas, têm mais trilhos à escolha, que levam a conhecer as encostas em socalcos, os miradouros, sobre o vale, não poucas vezes coberto pela neblina, ou as brandas no alto da montanha. Um bom ponto de partida para tomar pulso ao território é o CENTRO INTERPRETATIVO DA PAISAGEM DE SISTELO. E antes de meter os pés ao caminho, há que retemperar forças no Cantinho do Abade, a olhar o postal pintado de verde. A mesa é fiel aos sabores da região, com broa de milho, posta de cachena e vinhão produzido no concelho. Aconselha-se ainda a guardar espaço para uma fatia da tarte de Sistelo e para o pastel de feijão tarrestre, uma criação da casa.

O Centro Interprepativo da Paisagem de Sistelo.

Se é refúgio para passar a noite junto ao rio que se procura, destacam-se dois antigos moinhos, um banhado pelo ribeiro de Parada, outro pelo rio Ázere, e ambos com os seus encantos. Na aldeia de Ribeiro, em Prozelo, José Carvalhas transformou duas ruínas junto ao ribeiro de Parada em alojamentos de charme. Cada um dos MOINHOS CARVALHAS, a Casa Afonso e a Casa Martim – os filhos de José -, mantém a base original em pedra e tem um piso superior revestido a cortiça, composto por um quarto, sala e cozinha, um reduto perfeito para uma escapadela a dois. A intenção do produtor de carne cachena, e fervoroso defensor do património e tradições rurais, foi voltar a moer farinha naqueles moinhos. Objetivo conseguido e que faz questão de mostrar a todos os hóspedes e visitantes que queiram ter um contacto mais próximo com o mundo rural e a vida campestre. São ainda convidados a participar nos afazeres da quinta, seja na apanha da castanha, da azeitona, da uva e do milho, ou em workshops de confeção de broa. E a relaxar ao som da água do ribeiro, junto ao lago de trutas ou na piscina rodeada de vinhas, na companhia do simpático burro Silvas e das vacas de raça cachena.

Duas casas compõem os Moinhos Carvalhas.

Este turismo de aldeia fica situado em Prozelo.

Já do outro lado do rio Vez, na freguesia de Couto, as grandes mós, a prensa e a nora do MOINHO DO ÁZERE, onde antigamente se produzia azeite, são a atração central do grande salão que hoje ocupa todo o edifício original, um espaço amplo de convívio, ideal para umas férias em família ou com um grupo de amigos. Ali, existe ainda uma cozinha totalmente equipada e uma sala que, sendo necessário, se transforma num quarto extra. As suítes – três no total – foram construídas numa nova ala, com varanda voltada para o rio Ázere e o denso arvoredo da sua margem, de onde chega o cantarolar dos pássaros que enche o quarto logo pela manhã. A propriedade ribeirinha estende-se ao longo de um hectare no encalço da levada, com as altas copas das árvores a criar sombra a frescura no verão, e a resguardar do calor as brincadeiras junto ao rio povoado de trutas e lontras, os mergulhos, as sestas nas camas de rede, e os churrascos de final de tarde iluminados pelos raios de sol poente que se esquivam por entre a folhagem. Aqueles dias de veraneio em lugares especiais, onde se constroem boas memórias.

O Moinho Do Ázere, na freguesia de Couto.

 

Olhar as estrelas na Porta do Mezio

Em Arcos de Valdevez também se contempla o céu estrelado. O recém-criado Parque de Observação de Estrelas é constituído por seis AstroSpots – locais com condições favoráveis para observação do céu noturno – , em Gião, Paradela, Travanca, Tibo, São Bento do Cando e Lordelo. A zona de receção aos visitantes fica na Porta do Mezio – à entrada do Parque Nacional da Peneda-Gerês -, onde são dinamizadas diversas atividades, como caminhadas noturnas com observação de estrelas, observações astronómicas, workshops de astronomia e astrofotografia, oficinas de astronomia para crianças, jantares gastronómicos, entre outras. Antes de olhar os astros, convém aconchegar o estômago no Soajo, com a afamada carne de cachena assada no forno do saber ao borralho Rosa Rocha – Rosinha, como é conhecida – deixa a especialidade a cozinhar lentamente durante seis horas, daí que esteja apenas disponível ao fim de semana, ou por encomenda.

Observação de estrelas.

Aprender sobre ciência

As oficinas da Criatividade Himalaya, compõem um espaço cultural, científico e pedagógico, instalado na antiga escola secundária de Arcos de Valdevez, e dedicado ao legado de um dos maiores cientistas e visionários portugueses da viragem do século XIX, o padre Manuel Himalaya. Destacou-se tanto pela sua altura, que lhe valeu a alcunha de Himalaya, como pela sua inteligência e perspicácia. Era movido pela vontade de melhorar a vida das pessoas, com invenções que garantissem um equilíbrio entre o que tirámos e o que devolvemos à natureza. Um pensamento ecológico que chocou com a ascensão dos combustíveis fósseis na altura. O projeto divide-se entre uma zona expositiva e museológica, dedicada à vida e obra do cientista, e outra ala dedicada à eco cidadania, com atividades científicas baseadas nas ideias do Padre Himalaya e que põem miúdos e graúdos a produzir energia elétrica pedalando numa bicicleta, por exemplo. O Núcleo Interpretativo começa com uma linha cronológica, com alguns dos acontecimentos da vida do inventor arcoense, como o Grande Prémio da Exposição Internacional de St. Louis, nos EUA, em 1904, na qual apresentou o seu Pirelióforo, uma máquina solar que usou para fundir metal com recurso aos raios de sol. Há uma réplica no exterior.

Oficinas de Criatividade Himalaya.

Reviver a história

Na margem esquerda do rio Vez ergue-se o recuperado Paço de Giela, sobranceiro ao vale. É classificado como Monumento Nacional e serviu como posto de defesa fronteiriça na Idade Média, adotando outras funções ao longo dos séculos. O conjunto é composto pela torre medieval e o corpo residencial, com janelas “manuelinas” e entrada fortificada. Na recuperação do Paço foram apenas introduzidas estruturas que permitem circular nos vários patamares, com o mínimo de intervenção no edifício. Na torre, os visitantes podem explorar num ecrã interativo as várias fases de construção e remodelação do Paço, assistir a um pequeno filme sobre o Recontro de Valdevez, um torneio ocorrido em 1141, entre cavaleiros de Afonso Henriques e Afonso VII de Leão e Castela, seu primo, e do qual os portugueses saem vitoriosos, e ainda ver um conjunto de objetos encontrados nas escavações arqueológicas de Giela. O espaço acolhe diversos eventos, concertos, espetáculos, workshops e atividades com crianças, sessões e é também o local da recriação histórica do Recontro de Valdevez.

Paço de Giela, classificado como Monumento Nacional.

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.




Outros Artigos





Outros Conteúdos GMG





Send this to friend