Rum, mel e cocktails: passear ao sabor da cana de açúcar da Madeira

Engenho do Norte (Fotografia de Artur Machado/GI)
Introduzida no início da colonização da ilha, por volta de 1425, a cana de açúcar é ainda hoje uma das culturas que faz mexer a região.

“A Madeira já foi um dos maiores produtores de açúcar a nível mundial”, realça Octávio Freitas (o chef tem no currículo a autoria de um livro de receitas com mel de cana). Destronada por outras potências, como o Brasil, atualmente os produtos da cana sacarina resumem-se a uma dupla de ícones da gastronomia madeirense: o rum agrícola da Madeira (ou aguardente de cana) e o mel de cana. A sua produção concentra-se no período da apanha da cana – a frescura da matéria-prima é essencial -, que se inicia em março, podendo estender-se até maio.

Engenho do Norte (Fotografia de Artur Machado/GI)

 

Na vila costeira de Porto da Cruz, o bulício concentra-se em redor do ENGENHO DO NORTE, que aos 97 anos de atividade gaba-se de ser a única destilaria na Europa a utilizar ainda máquinas movidas a vapor para transformar a seiva da cana em rum agrícola. A cadência da maquinaria em laboração abafa o som das vozes, e o aroma adocicado da garapa invade o nariz. As visitas guiadas ao engenho, em especial nesta altura, são viagens sensoriais e no tempo. Depois de acompanhar todas as etapas da produção, o visitante pode completar a experiência com uma prova ou uma masterclass. Uma das estrelas da companhia é o Rum 970 Reserva, envelhecido durante seis anos em cascos de carvalho francês, que lhe suaviza o paladar, marcado por notas de caramelo salgado, impressas pela proximidade do engenho com o mar.

 

É também um dos exemplares que compõem a coleção de rum do PUKIKI, na Calheta. O bar, aberto em 2016 por Carla Marques e Martin McDermott, celebra a ligação da Madeira com o Havaí, para onde emigraram muitos madeirenses (lá chamados de pukikis), para trabalhar na indústria sacarina, entre eles o inventor do ukulele, conta-nos Carla, enquanto prepara um dos cocktails de assinatura da casa. Quase todos levam rum agrícola da Madeira (a mostrar a versatilidade da bebida para além da famosa poncha), como o Laurissilva, que ao rum junta licor de ervas, citrinos, ananás e canela. O refresco ideal para uma pausa ao final da tarde, no terraço com vista para o mar.

Pukiki (Fotografia de Artur Machado/GI)

Pukiki (Fotografia de Artur Machado/GI)

 

O mel de cana
Em 1927, uma lei decretou o encerramento de todos os engenhos de aguardente da Madeira, obrigando as fábricas a focar a sua produção noutros propósitos, como o mel de cana. Foi o caso da FÁBRICA DO RIBEIRO SÊCO, fundada em 1883, e hoje uma das maiores referências da ilha no que toca ao mel de cana, produzido através de uma série de filtragens e cozeduras da garapa até chegar a um líquido viscoso, com cor de caramelo e aroma torrado.

Fábrica do Ribeiro Sêco (Fotografia de Artur Machado/GI)

 

Engenho do Norte. Rua do Cais, 6, Porto da Cruz. Tel.: 291563346. Visitas guiadas por marcação de segunda a sexta, das 9h às 18h e sábado, das 10h às 17h.

Pukiki. Rua das Furnas, 77, Estreito da Calheta. Web: pukikibar.com. Das 16h às 23h. Encerra domingo e segunda-feira.

Fábrica do Ribeiro Sêco. Ruas das Maravilhas, 170, Funchal. Tel.: 291741503. Web: fabricaribeiroseco.pt. Das 9h às 13h e das 14h às 18h. Encerra sábado e domingo.




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