Centro de equitação terapêutica no Campo Grande, em Lisboa

Centro de Equitação Terapêutica da APCL, em Lisboa (Fotografia de Paulo Alexandrino/GI)
Numa atividade ainda pouco regulada e em que a terminologia se vai aperfeiçoando, cabe às famílias colocar as perguntas certas. Este centro de equitação terapêutica funciona no Hipódromo do Campo Grande e tem neste momento um ano letivo a decorrer com 108 alunos. Aceita inscrições, mas tem lista de espera.

À luz do crescente conhecimento internacional, o termo hipoterapia já não é tido como o mais adequado para referir as terapias com recurso a equinos, clarifica Patrícia Pinote, coordenadora técnica do Centro de Equitação Terapêutica, criado há 22 anos pela Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa (APCL) em parceria com a Sociedade Hípica Portuguesa. “O termo hipoterapia referia-se especificamente à recuperação motora ou neuromotora dentro do chapéu da equitação com fins terapêuticos e criava dificuldade em balizar o tipo de intervenção a realizar a cada cliente. O nome que a Sociedade Portuguesa de Serviços Assistidos por Equinos (SPSAE) propõe é serviços assistidos com equinos e acreditamos que vai ser aprovado a nível internacional.”

A terminologia usada esteve em discussão num encontro nacional promovido pela SPSAE e recebeu, segundo Patrícia, reações positivas dos profissionais. “Foi a Horses and Therapy and Education International, nos EUA, que nomeou a terminologia. Já não se pode dizer que não tem sustentação científica”, reforça, pelo que é expectável que possa vir a ser adotada oficialmente. “A nova terminologia esquematiza as terapias e a educação assistidas com equinos e o desporto adaptado”, explica ainda a técnica superior de equitação com fins terapêuticos reconhecida pela Escola Nacional de Equitação. “Em Portugal, assim como noutros países, temos muito boas práticas reconhecidas, mas ainda não existe legislação.”

Tendo isso em conta, Patrícia Pinote deixa um valioso conselho às famílias, que geralmente não estão por dentro da área na hora de recorrer a estes serviços. “É uma atividade pouco ou nada regulada, por isso é importante que as famílias saibam fazer as perguntas certas: qual é a formação base do terapeuta e da equipa que vai acompanhar o cliente? Os clientes têm de ser criteriosos quando escolhem estes serviços e fazer perguntas.”

Trabalho de equipa com a família

O Centro de Equitação Terapêutica da APCL destina-se não só a portadores de paralisia cerebral e situações neurológicas afins, mas também a outras condições do neurodesenvolvimento (como autismo, défice de atenção e concentração, entre outras), desde que não tenham contraindicações à prática de equitação. A avaliação prévia é feita pelo médico habitual do cliente através do preenchimento de um formulário disponibilizado pelo centro, e a partir daí uma equipa multidisciplinar traça os objetivos conforme o caso.

Os equinos são uma grande ajuda na recuperação motora ou neuromotora de um problema, por exemplo, para uma pessoa que tenha feito uma operação à anca e cujo médico entenda que o cavalo contribui para corrigir a postura. Ou ainda no caso da paralisia cerebral, na qual o cérebro não consegue produzir ações motoras funcionais. “O que ajuda é o passo, que faz um movimento tridimensional muito similar ao da marcha humana e exerce um efeito no sistema nervoso central que ajuda na melhoria da resposta neuromotora ou física”. Quem o afirma é Patrícia Pinote, coordenadora técnica do Centro de Equitação Terapêutica.

Já a equitação terapêutica “é mais adequada a pessoas com autismo, défice de atenção ou concentração e requer exercícios bastante diferentes” com vista “ao aumento da atenção ou ao reajuste do comportamento em relação à perceção que se tem da realidade”, explica Patrícia. Limpar o cavalo, lavar-lhe os cascos, fazer o maneio e aparelhá-lo estão entre as atividades possíveis. A terapia surtirá tanto mais efeito quanto melhor for “o trabalho de equipa entre a escola, a família e o centro de reabilitação”, resume.

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.




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