A arte e o design estão a mudar a face industrial da Barrosinha, em Alcácer

O hotel fica dentro da Herdade da Barrosinha. (Fotografia: DR)
A gestão da Herdade da Barrosinha, fundada em 1947 em Alcácer do Sal, mudou de mãos. Um coletivo de empresários ligados às artes está a desenvolver um novo conceito de hospitalidade, ligado a uma comunidade residente de artistas e ao passado industrial do lugar. O hotel permite já vislumbrar um pouco do figurino do projeto em curso, que levará anos até estar terminado.

Mircea Anghel é um dos rostos mais ativos de um grupo de empresários ligados às artes, e que conseguiu ficar com a gestão da Herdade da Barrosinha, propriedade fundada em 1947 a dois quilómetros da cidade de Alcácer do Sal, que chegou a pertencer a Abel Pereira da Fonseca, um dos maiores industriais do século XX.

Por estes dias, quem visitar o Hotel da Barrosinha encontra-o ativo, de um lado para outro, a supervisionar as mudanças que correm em várias frentes no perímetro da herdade – das mais às menos visíveis aos olhos dos hóspedes, para quem provavelmente, a Barrosinha ainda é apenas um hotel de charme rural.

O projeto de desenvolvimento urbano e rural em curso na herdade respira muito em função da experiência adquirida por Mircea e pelos seus sócios, em várias áreas, mas muito ligadas às artes. Mircea nasceu na Roménia, filho de pais diplomatas, e chegou a Portugal com 14 anos. Rapidamente, apaixonou-se pelo país.

(Fotografia: DR)

Cursou Finanças e tinha um emprego bem-sucedido na área dos fundos de investimento, até, há 11 anos, dar-se conta do estilo de vida “stressado” e exigente em que mergulhara. “Antes de o meu segundo filho nascer, disse para mim que era a última oportunidade de não ter uma vida séria, e aí comecei esta aventura”, conta.

Mircea Anghel refere-se a ter deixado o emprego na área das finanças para se dedicar a uma atividade mais branda: a construção de um barco-casa, que atualmente descansa no cais palafítico da Carrasqueira, na Comporta. Procurando ajuda, “porque não sabia trabalhar com madeira”, descobriu a Herdade da Barrosinha.

“Descobri que a herdade tinha um mestre – o senhor Joaquim Flamingo, que vive em frente à taberna -, encarregue da serração durante 30 anos, numa altura em que a herdade estava quase ao abandono. Ele foi a primeira pessoa que me introduziu à técnica do corte da madeira e à carpintaria”, revela o responsável.

(Fotografia de Leonardo Negrão/GI)

Com o barco-casa a flutuar, decidiu investir nas manualidades, integrando pequenas oficinas em Lisboa. Mais tarde, criou a sua, que veio a instalar na Herdade da Barrosinha (cuja casa principal também recuperou, para aí residir com a família). A sua oficina, chamada Cabana, soma agora uma década de projetos.

“Não sabia nada, inventei tudo”, admite Mircea Anghel à Evasões. Focado na hotelaria, o seu portefólio inclui peças de mobiliário em madeira e outros materiais concebidas exclusivamente para para unidades de pequena e média dimensão, nas quais se destaca o JAM Lisbon, na zona ribeirinha da capital, com 160 quartos.

O objetivo do grupo de empresários é transformar a Herdade da Barrosinha, mantendo a herança industrial do espaço e dando-lhe novas valências. O grande salão de convívio (onde se serve o buffet do pequeno-almoço) é uma amostra do que será a estética “industrial morto” que revestirá o hotel de 37 quartos e sete casas.

(Fotografia: DR)

“Esta zona central que estamos a desenvolver é uma primeira etapa de um projeto maior, a longo prazo. O masterplan já está feito e ficou a cargo do atelier de design e arquitetura OODA, que fez novo edifício da Gulbenkian em Lisboa”, revela Mircea. Um projeto que implicará recuperar edificado existente e construir outro.

A face da Barrosinha vai mudar, já que no projeto está a criação de 16 estúdios e ateliês para artistas e designers fixos (de cerâmica, betão, madeiras, produção vídeo, entre outros) desenvolverem o seu trabalho – e os hóspedes vão poder circular entre eles, fazendo parte da comunidade.

No hotel, os hóspedes contam com uma piscina e zona de lazer, uma taberna típica, com petiscos alentejanos, uma adega e loja de vinhos da Barrsinha. Nos planos está também a ideia de criar um restaurante com o conceito “da horta para a mesa” e um pátio de laranjeiras com oferta de peixe e carne frescos, a par de outros melhoramentos e serviços.




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