Sébastien Bras, o chef francês que abdicou das estrelas Michelin

Desde 1999 que o Le Suquet recebe a nota máxima no guia gastronómico. Esta semana, o chef abdicou da honra e pede que o deixem criar sem pressão.

A cada ano, o anúncio dos Guias Michelin concentram a atenção dos chefs de todo o mundo, que anseiam ver o seu o nome e o dos seus restaurantes nas páginas daquele que é o mais reputado guia internacional de gastronomia. Não é o caso do chef Sébastien Bras que, esta semana, anunciou o desejo de ver retiradas as três estrelas ao seu Le Suquet.

“Hoje, aos 46 anos, quero dar um novo significado à minha vida e redefinir aquilo que é essencial”, explica o chef francês num vídeo partilhado pelo próprio no Facebook. Bras, que dirige o restaurante em Laguiole, manifestou a vontade de abdicar da distinção máxima atribuída e que mantém desde 1999.

A pressão de agradar aos inspetores de forma a manter as três estrelas Michelin foi o motivo invocado pelo chef. Em declarações posteriores à AFP, Bras explica-se: «És inspecionado duas ou três vezes por ano e nunca sabes quando. Cada refeição que sai pode ser inspecionada. Isso significa que cada uma das 500 refeições que saem da cozinha podem ser avaliadas».

Quanto às eventuais e potencialmente dramáticas consequências da saída do guia, Bras admite que isso o possa tornar menos famosos, mas que continuará a «cozinhar os excelentes produtos sem ter que estar a pensar se as criações vão agradar aos inspetores Michelin».

Bras não é o primeiro chef a rejeitar as estrelas. Alain Senderens recusou-as em 2005 e, de forma ainda mais dramática, o chef Olivier Roellinger encerrou mesmo seu restaurante, corria o ano de 2008. A exigência e a pressão associada à manutenção de um posto de destaque no Guia tem atormentado os chefs. Todas as discussões sobre o tema termina, invariavelmente, no nome de Bernard Loiseau, o homem que inspirou a figura de chef no filme de animação Raratouille e uma das figuras de proa da nouvelle cuisine.

Quando, em 2003, começaram a surgir rumores de uma eventual despromoção do seu restaurante, Loiseau acusou a pressão. “Se perder a estrela, mato-me”, terá confessado então a um colega de profissão. Acabou por cumprir a ameaça em fevereiro do mesmo ano.

Questionados sobre o apelo de Sébastien Bras, os responsáveis da Michelin revelaram que o nome do Le Suquet não seria retirado do atual guia, mas que «o pedido será tido em consideração». O Guia Michelin para França deverá ser anunciado no início do próximo ano.