Chef português lança livro com receitas de Timor-Leste

«Sabor de Timor», assim se chama o mais recente livro da autoria de Luís Simões, jovem chef português em Timor-Leste há quase cinco anos, dedicado a recuperar a gastronomia original do país com uma abordagem contemporânea. O livro chega às bancas na próxima semana.

É muito afetiva a ligação que Portugal estabelece com Timor-Leste, o mais jovem país do sudeste asiático. Relação essa que o chef português Luís Simões, de 28 anos e a viver há cerca de cinco no país, homenageia (e reforça) agora com o seu mais recente livro, «Sabor de Timor», em que compila mais de 60 receitas baseadas na gastronomia local original.

A gastronomia de Timor-Leste encontra-se hoje fortemente influenciada pelos países vizinhos, e essa influência não é alheia à antiga ocupação indonésia, lembra o chef. Se antes a alimentação se baseava no milho, na batata e nos vegetais e as confeções passavam por assados, cozidos e grelhados, hoje muito do que se come em Timor-Leste é frito e à base de arroz.

Perante isto, Luís Simões lançou-se numa espécie de arqueologia gastronómica para «redescobrir as técnicas e os sabores da gastronomia timorense», tendo encontrando uma «quantidade muito reduzida de receitas que seriam originais». O desafio foi recuperar essas receitas de um ponto de vista contemporâneo, e com o intuito de as tornar mais nutritivas e saudáveis.

Muitas das receitas acabam por contar histórias de Timor, e «o verdadeiro Timor está nos municípios, e não só em Díli», ressalva. É fora da capital que se come a verdadeira gastronomia típica, aquela que um timorense também o ajudou a descobrir. O resultado é um «receituário» atualizado com mais de 60 receitas que homenageiam os produtos locais, em especial o gengibre, tamarindo, malagueta, lima e coco.

Ao folhear o livro encontram-se assim 15 receitas de sumos e chás, três de cocktails com álcool, três de sopas, seis de peixe, sete de pratos vegetarianos, dez de pratos de carne e 20 receitas de sobremesas. Todas acompanhadas de fotografias captadas pelas lentes de Jorge Simão (que também faz trabalhos para a Evasões), no terreno que Luís Simões tão bem conhece desde há quase cinco anos.

Com a publicação de «Sabor de Timor», o chef partilha também com o público o seu olhar sobre uma nação rica em património e qualidade, apesar de estar ainda «em construção». «O que me faz continuar em Timor-Leste é o grande desenvolvimento do país», confidencia o português natural da Praia de Mira (Coimbra) e que fez as malas para Timor – julgando tratar-se de um desafio profissional de média duração – para ser o chef executivo no Hotel Novo Turismo, em Díli, em 2014.

A paixão pela cozinha surgiu do «gosto pela horta, pelos sabores, pelos aromas», lê-se na apresentação do livro, e levou-o a rumar a Coimbra, com apenas 14 anos, para estudar Cozinha e Pastelaria na Escola de Hotelaria e Turismo. Dividiu depois o tempo entre hotéis, catering e trabalhos em part-time, licenciando-se em Produção Alimentar em Restauração na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e tirando o mestrado em Gestão e Direção Hoteleira na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar do Instituto Politécnico de Leiria.

No seu percurso podem destacar-se experiências profissionais em grupos hoteleiros como o Ritz Carlton em Tenerife, o Hilton em Praga e o Grupo Pestana em São Tomé e Príncipe. Antes de voar para Timor-Leste foi assistente do Diretor de Operações na Pestana Management em Lisboa.

O livro, prefaciado por Xanana Gusmão, vai ser apresentado no Instituto Camões, dia 6 de junho, às 18h30, na Praia de Mira no dia 8 de junho; na Associação Tane Timor, no Porto, dia 10 de junho; na Escola de Hotelaria de Coimbra no dia 11 de junho e na Biblioteca Municipal de Ponte de Vagos no dia 12 de junho. A edição é relativamente limitada e chega às principais livrarias no dia 14 de junho ao preço de 15 euros, com receitas que qualquer leitor pode fazer em casa.

 

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