Percorrer Lisboa à procura de Almada Negreiros

A exposição organizada pela Gulbenkian é uma oportunidade de ouro para redescobrir a obra de um dos mais multifacetados artistas portugueses. E um excelente motivo para sair à rua à procura do legado que deixou em Lisboa.

Muito se tem dito e escrito sobre a exposição «José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno», e o público tem correspondido. Só no primeiro fim de semana houve mais de 4500 visitantes, sendo que algumas pessoas esperaram quase duas horas para entrar. Está tudo mais calmo, entretanto. Ainda assim, talvez seja prematuro dizer que Almada está na moda. Até porque se as modas são muitas vezes passageiras, a ver por esta retrospectiva a sua obra promete estar para durar.

Estão lá os famosos retratos de Fernando Pessoa e o Manifesto Anti-Dantas, naturalmente, mas o que mais surpreende é a diversidade e a riqueza da sua produção ao longo de seis décadas. Mais de quatrocentos trabalhos distribuídos por dois pisos organizados em oito núcleos temáticos. Pintura, desenho, cerâmica, vitrais, painéis, cinema, novelas gráficas, teatro e até dança, Almada namorou e trabalhou com todas as artes. O cartaz do filme A Canção de Lisboa? Sim, também lá está. Também é seu.

«José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno» está até 5 de junho na Gulbenkian

«José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno» está até 5 de junho na Gulbenkian

Um homem a quem a maioria dos portugueses parece saber de cor o nome todo, mas que poucos conhecem verdadeiramente a obra. «Ele está presente no nosso imaginário, mas cai-se muitas vezes no cliché. Fala-se quase sempre no mesmo. A sua colagem ao futurismo, os retrato do Pessoa, a célebre frase “A alegria é a coisa mais séria da vida”, e pouco mais. Almada é muito mais do que isso.» Palavras de Ana Vasconcelos, conservadora do Museu e uma das curadoras da exposição, juntamente com Mariana Pinto dos Santos, historiadora que mais tem estudado e divulgado a sua obra. «As pessoas estavam curiosas. A última grande retrospectiva que lhe tinha sido dedicada foi em 1993, por altura do seu centenário.»

Fazer uma visita acompanhada é um privilégio (há visitas guiadas, sob marcação), mas se há caraterística igualmente assinalável é a facilidade com que qualquer leigo pode desfrutar da sua obra, mesmo nem sempre sendo trabalhos fáceis, populares.

«Para ele a arte era espetáculo, comunicação para o público. Não era um ato fechado», revela Ana Vasconcelos.

Um autodidata que viveu um ano (e não gostou) em Paris, teve um relação pessoal e artística com Madrid (entre 1927 e 1932), e que fez de Lisboa um dos palcos do seu trabalho. Muitos deles encomendados pelo Estado Novo. Nunca foi, contudo, um artista do Regime. «Ele não era rico, precisava de aceitar encomendas, mas a sua independência era reconhecida por todos», assegura a curadora.

Muitos dos seus trabalhos foram contestados, outros destruídos, mas alguns continuam bem vivos na capital. Na exposição podem também ser vistos estudos efetuados para a realização dessas obras públicas – como é o caso dos painéis das gares de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos, onde remete para a ligação da cidade e dos portugueses ao rio e ao mar. Estudos que são obras de arte por si só.

«Os meus olhos não são meus, são os olhos do nosso século», lê-se num dos núcleos da exposição. É quase impossível não ver a cidade e o mundo com outros olhos, depois de ver o mundo pelas cores dos olhos de Almada. Está patente até ao dia 5 de junho.

Miguel Castro e Silva também está no Museu

Seja durante ou depois da exposição, vale a pena passar pela cafetaria e esplanada do museu, até porque agora tem um novo conceito. E um novo chef, nada mais nada menos do que Miguel Castro e Silva. Ele que transformou e revolucionou um espaço, deixando de ser self-service. O menu do dia custa 12,50 euros.

 

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Das 10h00 às 18h00. Museu encerra à terça.

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