Produtos tradicionais e inovadores à prova em Alijó

Bolo de carne produzido artesanalmente por Dália Boura e a mãe. (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)
Mel, azeite, doçaria à base de figo, bolos de carne, fumeiro e vinhos são os produtos em destaque na Feira dos Vinhos e Sabores dos Altos que se realiza sexta, sábado e domingo (14, 15 e 16 de junho) no Parque da Vila, Alijó.

Nas vilas e aldeias do planalto de Alijó, há gente a recuperar tradições e a inovar. Como é o caso de Isabel Morais que, depois de ficar desempregada, decidiu, em finais de 2014, criar o seu próprio emprego. Inspirada pela tradição secular da produção de figo seco, na aldeia de Carlão, de onde é natural e onde continua a viver, abriu um negócio de doces feitos a partir do mesmo.

Num encontro entre jornalistas e os produtores que estarão presentes na Feira dos Vinhos e Sabores dos Altos, que decorreu na Casa dos Noura, em Alijó, Isabel, bem como outros produtores falaram dos seus projetos. “O figo seco de Carlão é muito famoso. Ainda hoje existem, em muitos terrenos rústicos, fornos de secagem de figos, já em ruínas. São fornos pequenos que antigamente os produtores construíam com o material que tinham à mão. Assim, quando chegasse a época da apanha dos figos, secavam-nos logo para se conservarem o resto do ano”, conta. A tradição foi caindo em desuso. Mas este produto está a ser recuperado no seu projeto Cabeço Bandeiro.

“Optámos por fazer um biscoito de figo, dar uma nova roupagem ao produto”, como forma de resgatar o hábito que as pessoas tinham de usar o figo como alimento diário. Além do biscoito, Isabel quis fazer algo mais sazonal para a época natalícia: a trufa de figo. Há também salame de figo, coração de oiro (chocolate preto com com moscatel) e PDF (“pedacinho de felicidade”, feito com amêndoa da região).

Outra tradição local e secular é a produção de azeite. E há cinco gerações que ela se cumpre no lagar da Quinta da Peruana, em São Mamede de Ribatua. Fernando Duque (cuja bisavó era mesmo peruana) e a filha, Filipa Duque, estão agora à frente do negócio, que tem alvará desde 1931. “Provavelmente já se produzia antes, e nós começámos a comercializar há 25 anos”, conta Filipa. “Recebemos azeitonas de centenas de produtores do concelho. Aqui, os olivais são tradicionais de sequeiro, em bordadura, muito antigos, e as variedades são tradicionalmente portuguesas. Isto permite-nos criar azeites muito diversificados de excelente qualidade”, refere.

Mel e pólen produzidos por Nádia Campos (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)

Familiar é também o projeto de fumeiro de Ramiro Morais e a mãe Filomena. “Ela é que é a cabeça dos temperos. A minha mãe faz alheiras e salpicão desde pequena, como era norma antigamente . É ela que é o grande segredo”, diz Ramiro. A produção é ainda regional: fazem-se salgas demoradas das carnes, que ficam duas semanas em vinha de alhos. Depois, vão para a secagem em lenha de carvalho e terminam com secagem natural. Linguiças, salpicões, chouriços e alheiras serão alguns destes Enchidos de Alijó que se poderão encontrar na feira.

Também não vai faltar o mel Dom Castorigo, produzido com paixão por Nádia Campos. A empresa começou como um hobby com o marido, há 25 anos. “Começámos a criar abelhas e depois foi crescendo. Decidimos criar a marca para vender o mel”, conta. Desde aí que o negócio não tem parado de crescer.

Os famosos bolos de carne de Alijó serão outro dos atrativos. Neste caso, os produzidos por Dália Boura e a mãe. “O forno da minha mãe é tradicional. Temo-lo há 18 anos. Primeiro era só para produzir para casa. Mas as pessoas da aldeia começaram a querer comprar. Dali, sai o bolo de carne feito com frango, barriga de porco e chourição, além da versão em vinha de alhos.

A feira vai contar ainda com outros produtos, como os vinhos dos altos (do Planalto de Alijó). O vasto programa de três dias inclui o Concurso Escolha de Imprensa que vai eleger os melhores vinhos, provas comentadas, degustação de produtos e concertos com Virgul (sexta), Jorge Palma (sábado) e os Galandum Galundaina (domingo), que irão atuar em conjunto com a Banda Filarmónica de São Mamede de Ribatua, uma das mais antigas do País.




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