Justa Nobre regressa às origens no seu novo restaurante em Lisboa

A transmontana Justa Nobre inaugurou há 27 anos, juntamente com o marido António, o primeiro restaurante Nobre no bairro da Ajuda. E fez história. Como não há amor como primeiro, após outras voltas, está de volta ao ponto de partida.

Muito já se disse e escreveu sobre o casal Nobre que, contra ventos e marés, nunca desarmou – ela ao leme da cozinha, ele como anfitrião. A fama e o bom proveito conseguiram-nos, sobretudo, num período de ouro de 1990 a 1998, no primeiro Nobre no bairro da Ajuda. Ajudados pela crítica e por uma clientela leal, na qual se incluía gente influente da classe política, os Nobre tornaram-se uma referência de bem receber e de uma gastronomia de boa têmpera regional mas com o toque de uma cozinheira autodidata que soube evoluir e criar um estilo próprio.

O sucesso levou-os, em época de vacas gordas, a «dar um passo maior do que a perna», como os mesmos admitem, pelo que não resistiram a desdobrar o filão em muitos outros sucedâneos espalhados por Lisboa e arredores. Não correu bem, perderam muito dinheiro e por um bom tempo viram-se privados de um espaço a que pudessem realmente chamar de seu. Deram a volta por cima.

Rodeados de familiares, como tanto gostam, fazem o que melhor sabem no Nobre by Justa, no Campo Pequeno, e também no Casino Estoril, dedicado a bifes e petiscos. Que são para manter, só que, como não há amor como o primeiro, no final de setembro, os Nobre inauguraram o À Justa no número 107 da Calçada da Ajuda.

O trocadilho com o nome da pequena-grande cozinheira transmontana, que para mais se confunde com o do próprio bairro, tem mais que ver com o poder fazer as coisas à sua maneira do que propriamente com o espaço acanhado – não é grande, mas cabem 38 pessoas e a decoração arquitetada pelo ateliê Santa Fé Orange, com azulejos e nas paredes e ripas onduladas de madeira no teto a lembrar o esqueleto de um navio, torna-o leve.

A última palavra será sempre a de Justa, mas neste projeto ela preparou tudo de forma a poder delegar o dia-a-dia à dupla Filipe Nobre e Carolina Brito, na sala, e à dupla Gonçalo Moreno e André Santos, na cozinha. Quem vem à procura dos clássicos da chef, como os seus pastéis, a sopa de santola, o robalo selvagem à Justa ou as farófias, vai encontrá-los seguramente na ementa, a ideia, porém, é que, aos poucos, Gonçalo, sempre com a bênção da mestre, tenha liberdade para criar novos pratos, como já é o caso do lombo de garoupa assado no forno com caldeirada do mar. Os vinhos, por seu turno, estão bem entregues nas mãos do escanção Sérgio Antunes. No final, fica-nos a certeza de que esta é mais uma casa à maneira da Justa, com a comida e o aconchego a que sempre nos habituou, mas de olhos postos na continuidade e na necessária evolução do seu legado.

 

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À Justa
Morada: Calçada da Ajuda, 107 (Ajuda)
Tel.: 213630993
Horário: Das 12h15 às 15h00 e das 19h15 às 23h00. Encerra sábado ao almoço e ao domingo.
Preço médio: 30 euros

 

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