Guia mediterrânico vai ligar Lisboa, Alentejo e Algarve

Guia de cozinha mediterrânica vai ligar Lisboa, Alentejo e Algarve
Considerada Património Mundial e Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2013, a dieta mediterrânica é o ponto de partida para o Medfest, uma iniciativa que vai juntar oito países em redor do património gastronómico comum.

Ao longo de 36 meses, Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Eslovénia, Croácia e Chipre vão partilhar mais do que o Mar Mediterrâneo. A dieta comum a estes oito países é o principal foco de um projeto europeu que dá pelo nome de Medfest e que prevê um conjunto de iniciativas ao longo dos próximos três anos.

A parceria internacional foi apresentada esta terça-feira, 13 de maio, no Mercado de Alvalade, Lisboa, onde se deu a conhecer as principais estratégias e objetivos do programa para Portugal. A grande aposta é no desenvolvimento «de experiências gastro-sustentáveis» e na diversificação de ofertas culturais e turísticas em zonas rurais pelo país. «Os turistas deixaram de ter um papel passivo em viagem. Querem cada vez mais vivenciar e experienciar», começou por explicar Artur Gregório, responsável pela associação In Loco, coordenadora do projeto Medfest em Portugal, em parceria com outras entidades. «Queremos promover experiências culinárias mediterrânicas e que que os visitantes conheçam outros territórios», acrescentou ainda.

A primeira iniciativa do projeto tem já formato físico e passará a estar disponível, brevemente, em versão online. Trata-se de um guia self-drive, que vai ligar Lisboa, Alentejo e Algarve. O primeiro percurso sugere uma rota de três dias, com partida da capital, passagem por Arroios, Estremoz, Reguengos de Monsaraz, Alqueva, Ferreira do Alentejo, Castro Verde, Mértola, Alcoutim, Cachopo e Tavira.

Em cada paragem há sugestões para comer, dormir e também para vivenciar experiências tradicionais ligadas à dieta mediterrânica. Como degustar azeites no Lagar da Oliveira da Serra, em Ferreira do Alentejo; fazer pão tradicional num antigo forno comunitário em Cachopo ou aprender a destilar aguardente no Museu do Medronho do Algarve. Entre os restaurantes assinalados na rota estão, por exemplo, o conhecido Noélia & Jerónimo, em Cabanas de Tavira, e a Tasca da Esquina de Vítor Sobral, logo na partida de Lisboa.

O chef é, aliás, embaixador do projeto e fez questão de recordar a importância da valorização do património gastronómico. «A dieta mediterrânica nunca foi muito considerada porque era uma dieta de pobres, sazonal, em que as populações usavam o que tinham na proximidade, à sua disposição. E isso mostra-nos como não devemos acelerar o processo, devemos também usar o que é próprio de cada estação», afirmou Sobral na apresentação do Medfest, concluindo: «A melhor forma de darmos continuidade à cozinha mediterrânica é respeitando a sazonalidade dos produtos».

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