Eneko Lisboa: as novidades e os clássicos que se provam na casa Michelin

O lavagante do Eneko Lisboa.
Um foca-se nos clássicos do chef Eneko Atxa, outro nas suas criações recentes, mas a paixão do basco pela natureza e pelas estações é transversal aos dois menus de degustação do Eneko Lisboa, o restaurante de Alcântara que abriu em 2019 e ganhou uma estrela Michelin no ano seguinte.

Os mais de 800 quilómetros que separam Lisboa de Larrabetzu, a zona montanhosa e rural do País Basco onde se fixou o Azurmendi, começam a encurtar assim que se entra na primeira sala do Eneko Lisboa, o restaurante que Eneko Atxa abriu em Alcântara há três anos, detentor de uma estrela Michelin. O primeiro momento desta experiência gastronómica começa logo num espaço intimista que antecede a sala de refeições do espaço, e que recria, em ambiente intimista, um pouco dos cenários naturais de Larrabetzu. É aqui que acontece o piquenique, ao som de pássaros e numa mesa revestida com plantas e troncos, onde se servem, numa cesta, um pacote de quatro snacks: o brioche de de enguia fumada com emulsão de enchova; o tártaro ibérico com emulsão de wasabi; a infusão de hibíscos; e o merengue de piquillo (pimento espanhol) com sorbet do mesmo.

O piquenique dá o arranque das cerimónias dos dois menus de degustação do Eneko Lisboa, o Adarrak (de dez momentos, mais contemporâneo e onde surgem as últimas novidades e criações do chef, por 159 euros, ou 274 com harmonização vínica) e o Erroak (com nove momentos, focados em alguns dos pratos mais icónicos do percurso de Eneko Atxa, a 129 euros, ou 214 com vinhos), nomeadamente algumas das propostas mais conhecidas do Azurmendi, o três estrelas Michelin que o chef abriu há quase duas décadas.

A tartelete de bacalhau do Eneko Lisboa. (Fotografias: DR)

O camarão da costa com gel vegetal e granizado de tomate velho.

No caso do menu das novidades, servem-se pratos como o tártaro de beterraba com emulsão de ervas e sorbet de beterraba; o rabo de boi em crosta de pão, com caldo de legumes e bombons de Idizabal; camarões da costa com gel vegetal e granizado de tomate velho; lavagante assado e descascado com manteiga de café e cebola roxa de Zalla (zona do País Basco); ou o porco ibérico com pesto e trufa a acompanhar. No menu focado nos clássicos de Atxa, há espaço para combinações como a tarte de bacalhau; as ostras com azeitona e azeite; os cogumelos feitos al ajillo; ou o salmonete trabalhado e servido de duas formas, primeiro braseado e depois assado com molho de pimentos vermelhos ao carvão e ervas. Entre cada prato, vale a pena ir provando o pão de leite cozido a vapor e o pão de trigo alentejano de massa mãe, feitos na casa, para molhar no azeite transmontano que se serve à mesa.

Em qualquer um dos menus, a preocupação com o produto da estação nunca passa para segundo plano, visão partilhada por Lucas Bernardes, chef-residente do Eneko Lisboa. “A natureza e as estações são a minha inspiração mais forte e mais importante, o que nos dá o mar, o campo, a montanha. São os produtores que decidem o que vou cozinhar. É importante escutar o território e a gente que sabe escutar o território”, explica o chef basco, que já foi eleito o mais sustentável do mundo, e que já soma seis estrelas Michelin (três no Azurmendi, uma no Eneko, outra no Eneko Bilbao e uma outra fora do País Basco, no Eneko Lisboa).

Eneko Atxa já soma seis estrelas Michelin, entre Lisboa e o País Basco.

O tártaro de beterraba.

A constelação Michelin que já acumula debaixo do seu nome – e esforço – são um motivo de satisfação, mas Eneko Atxa não se ilude: o que importa é olhar em frente. “Todos os dias digo: ‘Bom trabalho’. Mas amanhã de manhã, o mais importante é recomeçar do zero. Todos os dias, há que conquistar objetivos”, conta o chef, que não esconde os encantos que encontra por Lisboa. “O que me surpreende mais aqui é eu andar pelas ruas e perceber a maneira de se viver, a amabilidade das pessoas, o seu amor pela gastronomia”, acrescenta Atxa, também o responsável pelo Basque, que divide a morada com o Eneko Lisboa, num espaço ao lado. Nesta última morada, o fine dining fica de lado e aposta-se mais nos petiscos bascos para partilhar, em ambiente mais informal.

O restaurante de Alcântara abriu em 2019.

O Eneko Lisboa ganhou a primeira estrela Michelin no final de 2020.

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Mapa da ficha ténica
Morada
Rua Maria Luísa Holstein, 13, Lisboa
Telefone
912411863
Horário
Das 19h30 às 23h30, de terça-feira a sábado.
Custo
() Menu de degustação Adarrak (dez momentos) desde 159 euros, sem vinhos. Menu de degustação Erroak (nove momentos) desde 129 euros, sem vinhos.


GPS
Latitude : 39.3999
Longitude : -8.2245




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