Antigo chef do Tabik abre restaurante em Lisboa

Depois de se estrear como chef executivo do Tabik, Manel Lino, com a cumplicidade da mulher, Joana, e do também cozinheiro Rodrigo Pacharro, arrisca‑se finalmente em casa própria, no Trio. É um triunvirato: produto, staff e cliente.

Quando assumiu a cozi­nha do Tabik, no Bes­saHotel Liberdade, Ma­nuel Lino agradeceu a liberdade para criar um conceito de cozinha a seu gosto – «bom produto a bom pre­ço» – mas nunca escondeu o dese­jo de abraçar um projeto seu, mais autoral.

Natural de Salvaterra de Magos, ele esteve cinco anos na Catalunha (com uma rápida passagem pela Escócia) e no seu regresso a Por­tugal, antes do Tabik, passou pe­lo Alentejo Marmoris Hotel & Spa juntamente com Alexandre Sil­va (LOCO), envolveu‑se no Com.Horta e, em parceria com a mulher, Joana, desenvolveu o Jour to Cook, onde experimentou uma liberda­de criativa que lhe serve de bitola.

Aliás, a cumplicidade da compa­nheira viria a revelar‑se uma vez mais providencial nesta nova fase, pois ela é a sua sócia no Trio. Por se tratar de um investimento do ca­sal, a escolha da zona, perto de vá­rios hotéis e do Parque Eduardo VII, não foi óbvia, mas foi a possí­vel para já — com a vantagem de ser o bairro onde também vivem.

A sala, com iluminação cirúrgi­ca e ilustrações de João Samina e Tamara Alves, comporta apenas 16 a 20 pessoas à vez, mas o res­taurante está preparado para ser­vir 25 refeições durante a semana e um pouco menos aos sábados – encerram ao domingo e segunda e há apenas jantares. Será o bas­tante para tornar o negócio viá­vel? Porque o produto, além da li­berdade criativa, é algo a que Li­no dá bastante importância, para o seu fine dining ele recorre sobre­tudo aos mercados da cidade para se abastecer e reduz ao mínimo o desperdício. Esta gestão dos recur­sos permitiu‑lhe, após uma hesita­ção inicial, manter‑se fiel à convi­ção de não ter à la carte mas ape­nas dois menus de degustação a 28 e 42 euros, sem bebidas.

Com a cumplicidade do parcei­ro Rodrigo Pacharro, Lino prefere ganhar aqui menos dinheiro – para equilibrar as contas aposta na con­sultoria a outras marcas e no en­sino –, mas ter a possibilidade de ir trocando «indisciplinadamen­te» produtos e pratos. Existe uma percentagem de 10 por cento que permanece, como a corvina com couves crocantes e molho de sar­dinha, um sucesso, mas todos os outros ficam no máximo por mês e meio e todas as semanas há no­vidades. Por isso mesmo não há almoços. Em compensação, além de ser surpreendido pela comi­da, o cliente goza aqui de atenções como a oferta do couvert e servi­ço livre de água (é cobrada apenas uma taxa).

Tudo somado, o que poderá faltar num ou noutro pormenor é largamente compensado pelo entusiasmo de quem está a fazer o melhor que sabe (e pode) neste momento. Até porque quem corre por gosto cansa‑se muito menos.

 

Trio

R. Francisco Manuel Melo, 36 (Pq. Eduardo VII)
Tel.: 912087901
Das 19h30 às 22h30
Encerra domingo
Preço médio: Menu de degustação a partir de 28 euros