Opinião: Algarve consolida liderança nas estrelas Michelin

O crítico de comida e vinhos Fernando Melo explica por que motivo, mesmo sem todas as estrelas que nos são «devidas», a edição de 2018 do Guia Michelin nos traz motivos para festejar.

Continuam a cair a conta-gotas as estrelas para os restaurantes, mas a toada é de festa e não é altura de olhar para a farta chuva que de novo aconteceu no universo espanhol da alta-cozinha. Temos dois novos restaurantes com estrela Michelin e alegramo-nos com isso.

O chef João Oliveira tem feito um percurso brilhante e foi o elemento chave para cativar a ambicionada distinção no guia vermelho Michelin para o hotel Bela Vista, na Praia da Rocha, Portimão. Já podia ter acontecido no ano passado, mas agora vem bem a tempo e é mais uma bandeira para a cozinha portuguesa. Casa da Calçada (Amarante), The Yeatman (Vila Nova de Gaia) e Vila Joya (Algarve) são as cozinhas por onde passou João Oliveira e fizeram dele o perfecionista que assumiu o lindíssimo Bela Vista onde, desde o primeiro instante, só nos tem dado alegrias. Não se vai ficar pela primeira estrela, que o seu talante culinário permite-lhe chegar ao topo da classificação.

O outro restaurante que conseguiu a primeira estrela foi o Gusto, no Conrad, curiosamente meses após o sommelier Miguel Martins ter começado a oficiar, após um desempenho brilhante no Bela Vista. Gonçalo Narciso dos Santos pelo Bela Vista, Joachim Hartl pelo Conrad são hoje duas pessoas particularmente felizes enquanto diretores incansáveis, a dar às equipas todas e as melhores condições para trabalhar.

E o Algarve tem sem dúvida razões para festejar. Ocean (Vila Vita) ou Vila Joya, um deles será em breve o primeiro três estrelas de Portugal, disso estamos certos. Mais do que preparados, mais do que merecedores. Impossível não felicitar todos os bravos que mantiveram as suas estrelas e continuam diariamente a trabalhar encostados à perfeição. Parabéns e obrigado. Até para o ano!

 

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