Graffiters renovam adega, ideia de jovem com mais de 80 anos

A Fiúza, produtora de vinhos sediada em Almeirim, chamou dois grafitters para renovar a sua adega. A ideia partiu de uma das sócias da empresa, uma jovem com mais de 80 anos.

A curiosidade é geral. Quem passa na rua para ou abranda o passo para ver os desenhos que invadiram as paredes da adega Fiuza. Os grafittis são cada vez mais comuns no mundo contemporâneo, sobretudo nas grandes cidades, não no Ribatejo. Não numa adega, locais por norma com alma secular e conservadora. «Podem não acreditar, mas a ideia foi a minha tia», diz Giovanni Niga, um dos responsáveis pela empresa de Almeirim.

A tia (Maria Luiza Fiúza Guedes de Queiroz) tem mais de 80 anos. «Um dia chegou ao pé de nós e disse que queria grafittar a adega. Confesso que de início ficamos todos perplexos, mas acabou por nos convencer».

Convencidos os restastes sócios, o passo seguinte passava por saber quem deveriam contratar. Mas Maria Luiza tinha tudo bem estudado. Teriam que ser dois artistas, a bem da criatividade; não queria alguém famoso que enviasse uma equipa ; de colaboradores para a adega, mas sim o próprio artista; a terceira, mas não menos importante, era que um deles fosse da região.

Foi assim que chegaram aos nomes de Ivo Santos (mais conhecido por Smile) e Francisco Camilo. Francisco, 26 anos, é o homem da terra. Aluno de Arquitetura, mas já com uma série de exposições e murais no currículo; Smile é cinco anos mais velho e mais mediático. Venceu vários concursos nacionais e internacionais e trabalhou para marcas como a… McDonald’s ou a Red Bull.

Se grafittar uma adega é, por si só, um ato de arrojo, mais surpreendido se fica quando se percebe o número de desenhos espalhados pelos seus 3.000m2. Em quase todas as paredes, sejam exteriores ou interiores (até nos tetos), há imagens pintadas a spray. Uvas, vinhas, uma garrafa gigante, barricas, as próprias letras da marca aparecem pintadas em letras garrafais. A tal parede a que ninguém consegue ficar indiferente. «Entusiasmamo-nos, é verdade», brinca Giovanni. Que não se leia aqui qualquer arrependimento. «De vez em quando dou por mim a olhar para os espaços em branco e penso que ainda se podia fazer mais qualquer coisinha».

Um investimento que tem como objetivos modernizar e cimentar o nome da marca, por isso ; estarão de portas abertas para receber todos os curiosos. Não vale bater à porta e pedir para ver os grafittis, mas mediante marcação (através do site) é possível fazer visitas guiadas. E respetivas prova e compra de vinhos. Afinal é de uma adega que se trata.

Marca com história

A empresa (Fiuza & Bright) está sediada em Almeirim desde 1985. Nasceu de uma parceria entre a família Fiuza – com tradição secular na viticultura – e o australiano Peter Bright, enólogo radicado em Portugal. A marca dá primazia às monocastas. «Fiuza. Conhece-se pela casta» é, aliás, a sua assinatura. A gama Fiuza Monocastas é a mais vendida, sobretudo Sauvignon Blanc e Chardonnay. Seguem-se os Fiuza 3 Castas Tinto e Branco, blend das castas internacionais. No último ano produziram um milhão de garrafas.

 

Travessa do Vareta, 11, Almeirim
Tel.: 243597491
Web: fiuzabrightpt.com