«Para o rum competir com o whisky, a qualidade é essencial»

Fotografia de Gonçalo Villaverde/GI
Gilberto Brinceño nasceu em Barquisimeto, na Venezuela, e é formado em Engenharia Química. A sua carreira passa, há mais de 30 anos, pelo universo das bebidas espirituosas, tendo trabalhado no Canadá e no Brasil, antes do regresso a casa, em 2007. Neste momento, é master blender da Diplomático, marca premium com rum de origem controlada.

Qual é o papel de um master blender?
Faz parte da sua responsabilidade supervisionar todo o processo de produção de uma bebida. No caso da Rum Diplomático, falamos de um maestro ronero, alguém capaz de criar um rum equilibrado, tanto de sabor como de aroma. O master blender verifica todos os destilados e o tipo de alambique a usar, antes do envelhecimento, garantindo que cada rum mantém o seu perfil.

O Diplomático apresenta-se como um rum premium. A indústria está a voltar-se para rum de melhor qualidade?
Sem dúvida. Se as companhias de rum querem competir com o whisky ou o brandy, a qualidade é essencial. E qualidade no rum significa mais tempo de envelhecimento, barricas de melhor qualidade e bons destilados de base. Por outro lado, sinto que os consumidores estão cada vez mais exigentes e esperam um bom retorno. Mas houve tempos em que o rum foi muitas vezes usado apenas como base para outras bebidas. Há muitos anos, os runs eram usados como base de cocktails porque eram bebidas amargas, sem nenhum processo de envelhecimento. Mas com o início da globalização, nos anos 1990, tornou-se mais fácil dar a conhecer o rum de qualidade. Muitas companhias já o faziam, mas não tinham possibilidade de colocá-lo num mercado internacional devido às taxas. Hoje há um rum para toda a gente.

O que distingue o Diplomático?
Usamos três métodos diferentes na destilação, cinco tipos de envelhecimento (até 12 anos) e cinco tipos de barricas. No final, há mais de quarenta destilados individuais que são combinados para produzir diferentes tipos de rum. Não há nenhum produtor venezuelano a ter a versatilidade da nossa Destilerías Unidas. Para além disso, a destilaria da Diplomático está situada no sopé dos Andes, perto das plantações de cana de açúcar e do Parque Nacional Terepaima, com a água mais pura para a produção do rum.

Qual é a maneira correta de beber e avaliar um rum?
O que devemos procurar primeiro é a cor, o aroma e depois o sabor. Queremos um espirituoso dourado, translúcido e conseguimos vê-lo melhor agitando um pouco o copo, mas não de maneira vigorosa, como no vinho. Devemos trazer o copo até junto do nariz, mas não inspirando profundamente, pois queremos identificar os aromas. O último passo é provar. Primeiro damos um pequeno gole para o palato se habituar ao sabor e aí detetamos sensações básicas como doce, salgado, amargo. Já no segundo gole devemos deixá-lo algum tempo na boca. É aí que vamos descobrir novos sabores e aromas.

História da Rum Diplomático
A marca foi fundada em 1959. O Diplomático é produzido na Venezuela, pelas Distilerías Unidas, distinguida como Melhor Destilaria do Mundo, no London Rum Fest, em 2013. Neste momento, é distribuído em setenta países, Portugal incluído, e tem selo DOC (Denominação de Origem Controlada).