Crítica de vinhos: Taylor’s 325 Vinho do Porto Tawny

O porto é o melhor vinho do mundo. Numa altura em que se abusa da designação, sempre que se quer destacar alguma coisa, no caso do porto é mesmo verdade. Prova-se. Quando uma casa clássica festeja os 325 anos, então, é uma verdade com muitos anos, impossível escapar.

Visitamos as caves de vinho do porto em Gaia e ficamos impressionados, primeiro com os volumes gigantescos dos grandes balseiros, tonéis e pipas empilhados como que pela mão de gigante, depois com a incrível história que têm por detrás. A região demarcada do Douro foi formalmente estabelecida em 1756. O Alto Douro, aproximadamente a fatia de território que abarca o Baixo Corgo e o Cima Corgo, dava já provas concretas de fiabilidade e qualidade que permitiam a atividade florescente de exportação do vinho do porto. Interrogo-me muitas vezes sobre que vinhos seriam esses de então, a que sabiam, cheiravam e que lugar tinham na mesa portuguesa. Penso nas oposições de Dona Antónia Adelaide Ferreira – a Ferreirinha – ao Barão de Forrester, em relação ao perfil adequado ao mercado. A primeira defendia o vinho fortificado tal como é o vinho do Porto que hoje consumimos, enquanto o segundo era advogado de um vinho mais seco, próximo dos vinhos de Bordéus, que de resto o mundo procurava avidamente. Ficou o vinho do porto bem estabelecido no grande vale do Douro, e assistimos nas últimas décadas à incrível escalada de qualidade e popularidade do vinho DOC Douro. Tinham os dois razão.

Seja como for, o vinho histórico é o vinho do porto e a Taylor’s decidiu marcar bem as diferenças entre os dois universos, ao mesmo tempo que celebra este ano 325 anos de existência. O grupo Fladgate Partnership mantém-se firme no seu propósito de produzir portos apenas e tem resistido a lançar-se no negócio dos vinhos do Douro. Comemorando esse feito, lançou uma edição especial com uma garrafa inspirada no modelo do século XVII, com um vinho de perfil moderno mas em tudo de acordo com o perfil dos tawnies de então.

David Guimaraens coordenou a produção do lote, a partir de vinhos à partida destinados aos tawnies de 10, 20, 30 e 40 anos guardados nas caves da empresa. Tendo em conta que a reputação da Taylor’s assenta principalmente no porto vintage, com autênticos clássicos no seu palmarés, é assinalável o gesto de reconhecer a força histórica e a qualidade da que é a «alma» do vinho do porto. Um vinho que sempre se fez e faz para os netos, e que contém, em cada garrafa, um convite a apreciar a essência dos melhores, porta aberta aos mais novos apreciadores de vinho do porto vintage para que descubram os tawnies e os seus encantos.

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