Entrevista ao Melhor Bartender Português, que vai à final mundial em Miami

O bartender João Rodrigues vai competir no Diageo World Class, em Miami
Eleito Melhor Bartender Português 2016, João Rodrigues, do algarvio Columbus Cocktail & Wine Bar, vai agora representar o país na final mundial em Miami, de 26 a 30 de setembro. Na bagagem leva ingredientes regionais para surpreender o júri.

A coquetelaria em Portugal, está bem e recomenda-se?
A coquetelaria está muito bem em Portugal. E isso vê-se pela qualidade dos profissionais de bar, que temos de norte a sul do país, e também pelo facto de o cliente estar mais recetivo à sugestão do bartender – em vez de só pedir caipirinha, mojito ou gin tónico –, o que nos dá motivação para criar cocktails novos de forma a surpreender.

Há uma tendência para associar a comida a cocktails. A coquetelaria sai a ganhar ou a perder?
É sem dúvida uma mais-valia. Não é propriamente fácil combinar os sabores de um prato com os do cocktail, mas aconselhar o cliente nesse sentido, em vez do tradicional vinho ou cerveja, leva-nos para outro nível em que bartenders e cozinheiros trabalham mais próximos.

Existem cada vez mais bartenders nacionais a dar cartas no estrangeiro. A internacionalização é um passo inevitável para atingir um outro estatuto (e visibilidade) na carreira?
Como em qualquer outra profissão, a internacionalização é algo positivo – alargamos horizontes numa profissão em que é preciso estarmos em constante aprendizagem. Diz-se que as bebidas doces e frescas são uma preferência nacional.

O que pode um bartender fazer para mudar isso?
Os portugueses preferem bebidas doces e frescas, pois são as mais fáceis de beber, mas com a expansão da cultura do cocktail isso tem vindo a mudar. Mas é preciso ter cuidado: um cliente que bebe a sua caipirinha doce não está preparado para um Negroni, por este ser amargo. Inicialmente aconselharia um fizz ou um sour, por estes serem cocktails equilibrados e por facilitarem a iniciação a cocktails mais ácidos. É um trabalho que demora, mas ao mesmo tempo cria uma relação com o cliente.

Há quase uma relação amor-ódio pelo gin. Para vocês, bartenders, ele é o vilão ou o herói deste capítulo que se está a viver nos bares?
Na minha opinião o gin é um herói. E a forma como mudaram a sua imagem é genial. Uma bebida que era maioritariamente consumida por clientes mais velhos, passa agora a ser consumida em massa por todas as faixas etárias, dos 18 em diante. O gin, com a sua nova imagem de glamour, fez que os portugueses abrissem os cordões à bolsa.

Quais são as suas armas secretas para surpreender em Miami?
Não sei se posso considerar armas secretas, mas tenciono levar na bagagem alguns ingredientes regionais. Em cada prova o júri vai poder encontrar um sabor típico português.

 

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Curiosidade

Promovida pela Diageo, uma das maiores distribuidoras de bebidas premium, a competição internacional World Class premeia todos os anos os melhores bartenders e mixologistas do mundo inteiro antes de eleger o grande vencedor.