Crítica: vinhos novos feitos como antigamente

Fixou-se a data de 1878 para o nascimento formal da adega e vinhos José de Sousa, mas isso é apenas uma exigência dos tempos modernos, feitos de carimbos e registos. A prática da fermentação e envelhecimento em talha de barro é milenar.

O barro, o aço e o homem são construídos de uma única forma: têmpera. No recozimento do barro, no fogo martelado da forja e na educação, aprende-se que são os fundamentos mais básicos que explicam e sustentam os sucessos futuros. Dos registos deixados pelos antigos, o vinho de Sorrento, proveniente das vinhas de Pompéia e da encosta mediterrânea de Amalfi, foi o mais caro de todos os tempos.

É pelo menos daí que vem a prática da fermentação e maturação em talha de barro, mais de 2 mil anos de história e prática. Sem vidrados, sem artifícios e sem manipulação. Afinal o que se procura hoje na vanguarda da enologia, os antigos sabiam mais do que pensamos.

A Adega José de Sousa, em Reguengos de Monsaraz, com as suas 114 grandes ânforas de barro de S. Pedro de Corval e duas olarias mais, possui o maior parque de vasilhas de barro do país e está desde 1986 no património da José Maria da Fonseca. Fomos provar e aprovar o estado da arte.

Vinhos novos feitos como antigamente

Frescura, notas terrosas e granularidade. Os três atributos que juntos só encontramos nos vinhos de talha José de Sousa e que tivemos oportunidade de provar na adega de Reguengos de Monsaraz. Se puder, prove e compre-os todos. Senão, vá por nós, que vai bem. Boas provas!

– José de Sousa regional alentejano tinto 2015 | José Maria da Fonseca

52% grand noir, 33% trincadeira, 15% aragonês. Fruta escura de caroço cozida, notas de ervas aromáticas. Vinho especiado, bom para um bom ensopado de borrego e petiscos de porco preto.

Classificação Evasões: 16,5
Preço: 8 euros

– José de Sousa Mayor regional alentejano tinto 2015 | José Maria da Fonseca

58% grand noir, 30% trincadeira, 12% aragonês. Figos secos, rama de tomate e tâmaras secas são notas originais que ficam no contacto com este vinho. Tudo muito suave na boca.

Classificação Evasões: 17,5
Preço: 25 euros

– J de José de Sousa regional alentejano tinto 2014 | José Maria da Fonseca

56% grand noir, 32% touriga francesa, 12% touriga nacional. Frescura notável, grande elegância em boca. Aromas de chocolate preto, bagas escuras e torrefacção de café. Grande vinho.

Classificação Evasões: 18
Preço: 50 euros

– Puro Talha DOC Alentejo branco 2015 | José Maria da Fonseca

Antão Vaz, Manteúdo e Diagalves. Nos aromas evoca algum património de champanhe, complementado por mel e avelã torrada. Na boca estrutura firme de boa frescura.

Classificação Evasões: 17
Preço: 30 euros

– Puro Talha DOC Alentejo tinto 2015 | José Maria da Fonseca

50% grand noir, 30% trincadeira, 10% aragonês, 10% moreto. Muito especiado tanto na boca como no nariz, notas licorosas abundantes e uma estrutura macia. Muito bom.

Classificação Evasões: 17,5
Preço: 35 euros