Crítica: os vinhos do filão de Sobreiró de Cima

Provar os vinhos de um produtor transmontano e dar com um elenco como o que fomos encontrar é sempre motivo de alegria. Não são muitos os locais onde os resultados são tão promissores. Trás-os-Montes está a perfilar-se como contendor a ter em conta.

Vêm de Valpaços os vinhos da Quinta do Sobreiró de Cima, de um dueto de vinhas que contrastam em quase tudo, uma é fresca e árida, outra seca e quente. O proprietário António Teixeira viajou profissionalmente pelo mundo fora e manteve sempre viva a centelha de esperança de um dia produzir vinhos de gabarito internacional.

Os granitos e os rigores da sua terra inspiravam inicialmente o contrário, e a vizinha região do Douro em muitos momentos há de ter sido tentação grande. O sonho, no entanto, cumpriu-se, com o acréscimo salutar da audácia de oferecer castas estrangeiras medradas em solos da Terra Quente. Imperdoável para a maioria, aplaudido pelos poucos que saúdam a diferença.

Os dois grandes objetivos iniciais estão cumpridos. Vinhos de talante internacional e Trás-os-Montes a afirmar-se no mundo. Com a enologia segura de Luís Cortinhas, que conhecemos doutros projetos vínicos de expressão local, e uma equipa comercial de luxo, os resultados estão à vista de quem os quiser ver. Assim, vale a pena.

Vinhos finos, aromáticos mas estruturados é o que se pode dizer geralmente dos títulos de Sobreiró de Cima. Os brancos com toques salinos e frescura assinalável, os tintos equilibrados, sem excessos de extração. Belíssima expressão de cabernet sauvignon e outras castas importadas, sempre, contudo, com as autóctones primorosamente tratadas. Boas provas!

Verdelho branco 2015
Grande vocação gastronómica, muito especial com queijo de cabra curado ou bacalhau assado. Há um ambiente frutado e fresco, num fundo mineral atraente e que fica na memória.

Classificação: 16,5
Preço 10 euros

Reserva branco 2015
Códega do larinho e moscatel galego branco, maioria da primeira, vinho de corte apreciável de gorduras no prato, mantendo uma animação floral e frutada agradável e que puxa o petisco.

Classificação: 16,5
Preço: 8 euros

Regional Transmontano tinto 2015
Touriga nacional, trincadeira e cabernet sauvignon. Impressiona pelo prazer que dá a beber e atrai pela muito boa relação qualidade-preço. Merece guarda por um par de anos.

Classificação: 16
Preço: 5 euros

Syrah tinto 2015
Expressão muito especial da casta-rainha do sul de França, vale do Ródano. Tapenade de azeitona preta e toques florais discretos, provém de solos xistosos.

Classificação: 17 valores
Preço: 10 euros

Cabernet Sauvignon tinto 2015
Tal como o syrah, provém da vinha de xisto, o que contribui em muito para maturações fenólica e alcoólica e, consonância raramente atingida em todo o mundo. Grande equilíbrio, grande exemplo.

Classificação: 17,5
Preço: 10 euros

Vinha do Rio Torto tinto 2007
Vinha de grande expressividade, touriga nacional (maioria), alicante bouschet e trincadeira. Maceração e estágio longos, até tudo estar em equilíbrio. Vinho muito elegante, bandeira da casa.

Classificação: 17,5
Preço: 20 euros

Reserva da Família 2004
Touriga nacional, trincadeira e bastardo. Vinho com uma evolução apreciável a mostrar notas balsâmicas, alcaçuz e especiarias, resultando em boa companhia de pratos de tacho e assados longos.

Classificação: 17
Preço: 30 euros