A cerveja artesanal com lúpulo biológico à prova no norte

Sete cervejas artesanais feitas com lúpulo cultivado por um professor de Físico-Química, nas margens do rio Cáster, são postas à prova num festival que também tem propostas gastronómicas. De 20 a 22 de outubro no Mercado Municipal de Santa Maria da Feira.

Desde miúdo que Gabriel Cardoso acha piada à planta que dá lúpulo. «É uma trepadeira que sobe muito alto e que dá uma flor que tem um pó amarelo que dá o sabor à cerveja. Para mim, lúpulo é uma palavra mágica». O professor de Físico-Química na Secundária da Feira gosta de tratar da terra e cuidar das suas cabras, bodes, galinhas. «Sempre vivi em casas do campo, com terrenos para cultivar, com árvores de fruto, sempre andei descalço na terra», conta.

Há dois anos resolveu plantar lúpulo nas margens do rio Cáster ao pé de casa, não muito longe do centro da cidade. E este ano desafiou sete cervejeiros do norte do país (Beata, Vadia, Deusa, Sovina, Colossus, Letra e Galdéria) a usarem o seu produto em criações exclusivas e edições limitadas para um festival que terá lugar no mercado municipal de 20 a 22 de outubro. Além de sete novas cervejas e restantes marcas dos cervejeiros, num total de sete mil litros, há sugestões gastronómicas, provas comentadas, concertos (Moonshiners dia 20 às 22h00, Golden Slumbers dia 21 às 22h00), workshops de cerveja, artesanato urbano, motas clássicas e café racers, DJ sets e esculturas de Paulo Neves.

«O meu lúpulo dá muito trabalho, é biológico, orgânico, não uso herbicidas»

O lúpulo foi colhido no início de setembro. O professor está satisfeito com o resultado e quer ter mais variedade no próximo ano. É nas margens do Cáster que cultiva as suas trepadeiras dispostas em quatro filas de 80 metros espaçadas três metros umas das outras. «O meu lúpulo dá muito trabalho, é biológico, orgânico, não uso herbicidas». Esse trabalho implica regar, podar, cortar ervas daninhas, ajustar fios para que as trepadeiras subam sem obstáculos.

É com esse lúpulo fresco que a Beata, a única cervejeira artesanal de Santa Maria da Feira, está a preparar a Maria, uma cerveja loura, refrescante, com pouco álcool, para apresentar no festival. Está em casa, portanto, e a Maria, na verdade, já faz parte do seu cardápio, é feita com lúpulo do professor Gabriel, mas vai sofrer ajustes para a ocasião. «Estamos a afinar a Maria com este lúpulo fresco e caseiro», adianta Hugo Lopes, um dos mentores da Beata, inspirada nessa típica personagem que não sai da igreja.

É um negócio que lhes ocupa as horas vagas: quatro cervejas mais a Maria, 300 a 400 litros por mês, produção vendida em vários pontos do país

Hugo Lopes e Sérgio Sousa conheceram-se no curso de Engenharia Eletrotécnica, bebiam cerveja, e iam descobrindo nas viagens ao estrangeiro que afinal havia mais para descobrir nesse mundo cervejeiro. No ano passado, Hugo, chefe de turno numa refinaria, e Sérgio, gestor de projetos de parques eólicos, criaram a Beata e começaram a produzir cerveja num anexo da casa do avô de Hugo, em Santa Maria de Lamas.

É um negócio que lhes ocupa as horas vagas: quatro cervejas mais a Maria, 300 a 400 litros por mês, produção vendida em vários pontos do país. Trabalho a quatro mãos dos dois amigos que criaram uma loura fresca com gengibre, uma avermelhada com casca de laranja e pimenta-rosa, uma preta encorpada com café torrado, mais uma cerveja aromática e amarga. «Produzíamos, provávamos, gostávamos, e hoje somos alquimistas neste processo de produção artesanal», diz Hugo.

Sandes de bacalhau com cebolada de cerveja

Não há só bebidas no festival, há também pratos confecionados propositadamente para a ocasião, sugestões de acompanhamento que caem bem com cervejas artesanais. A restauração feirense foi desafiada a pensar em pratos especiais e alguns espaços aceitaram o convite. O chef Luís Sottomayor, da Adega Monhé, já tem as suas propostas gastronómicas definidas. Da sua cozinha saem sandes de bacalhau frito com cebolada de cerveja, sandes Santa Maria com pernil de porco assado, cebolada, queijo e fiambre, e ainda piroguis, uma espécie de rissol doce, de maçã biológica.

O restaurante Massa9va apresenta tapas e pregos em bolo do caco feito especificamente para o festival. E a pastelaria Renascer sugere o mais típico doce feirense, a fogaça, de várias formas: fogaça simples, bola de fogaça e tiramisu de fogaça. Um menu que completa com muralhas de queijo. Todas estas iguarias estão no mercado municipal durante os três dias do evento.

II Festival da Cerveja Artesanal com Lúpulo Feirense
Dias 20 (17h00-00h00), 21 (13h00-00h00) e 22 (13h00-19h00) de outubro
Morada: Mercado Municipal, Rua dos Descobrimentos, Santa Maria da Feira
Preço: Entrada livre; cervejas a 2 euros; copo oficial do festival 2 euros.