Casa de Santar brinda à liberdade com um vinho de 1974

Adega da Casa de Santar (Fotografia de Maria João Gala/GI)
Em jeito de celebração dos 50 anos da revolução dos cravos e de prova da longevidade dos néctares ali produzidos, a Casa de Santar, no Dão, foi ao baú buscar um vinho produzido em 1974, cerimoniosamente aberto num evento que juntou jornalistas e críticos.

A longevidade é uma característica marcante dos vinhos do Dão. E dando provas disso mesmo, a Casa de Santar resolveu assinalar o aniversário redondo do 25 de Abril, com a abertura de cinco garrafas da colheita de 1974, de onde apenas uma não se revelou própria para consumo (estava contaminada com TCA ou o conhecido cheiro a rolha).

O evento de comemoração dos 50 anos da revolução dos cravos, que juntou jornalistas e críticos na adega da Casa de Santar, começou onde também começa o vinho: na vinha, com uma reflexão sobre a produção vitivinícola da época. “Em 1974 as vinhas não tinham esta configuração. Existia um encepamento misto, de diversas variedades tintas e brancas, e obrigatoriamente teríamos vinhos diferentes dos que temos hoje, porque agora vinificamos por casta e por parcela”, explica Paulo Prior, o novo responsável de enologia da Global Wines, que abriga a marca Casa de Santar. Os vinhos dessa altura teriam em média entre 11% e 12% de teor alcoólico, acrescenta ainda o enólogo. O que não mudou com o passar do tempo foi a paisagem, com a Serra da Estrela ao fundo, o solo e a exposição solar, ainda que também a orientação das vinhas tenha sido alterada.

Em suma, não se pode esperar que um vinho com 50 anos seja menos do que extraordinário. A solenidade da sala de espólio, para onde seguiu a visita, e onde estão descansam exemplares desde 1955, faz-nos sentir na presença de relíquias. E acabaram mesmo por sê-lo. Fora alguma oxidação espectável, todas as garrafas mostraram uma maturação elegante, belíssima cor acobreada, e conseguiram conservar ainda algum tanino, acidez e frescura, com notas de nariz e boca distintas.

O evento culminou com um almoço no Paço dos Cunhas, durante o qual Manuel Pinheiro, o novo administrador executivo do grupo, aproveitou para prenunciar uma vaga de novidades transversal a todas as marcas da Global Wines, mas que para a Casa de Santar significa uma reformulação gradual dos vinhos, mantendo a identidade da marca, como “uma casa que traduz o território do Dão”.




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