9 km para caminhar nos Passadiços do Paiva

Depois do incêndio que, em agosto do ano passado, destruiu um troço de 700 metros dos passadiços junto ao rio Paiva, em Arouca, a estrutura reabriu dia 13 de abril. É por isso possível voltar a Arouca para percorrer a pé quase nove quilómetros de montanha, mas vale a pena prolongar o passeio pelo Geoparque.

Um caminho de madeira com 8,7 quilómetros que serpenteia a margem esquerda do rio, ora em escadaria abrupta com vistas de arrepiar ora como varanda de luxo entre penedos e bosque, tornou Arouca uma meca dos amigos das caminhadas. Até que, em agosto de 2016, um incêndio florestal destruiu o que liga a Praia do Areinho à do Vau, abrangendo a zona de maior declive em todo o percurso. O fogo destruído 700 metros da estrutura mas acabou por impedir a circulação em quatro quilómetros. Após as obras de restauro, o corredor de madeira reabriu dia 13 de abril. E apesar de valer a pena percorrê-lo por si só, seria uma pena ir a Arouca e passar ao lado dos outros encantos do seu Geoparque, na serra da Freita, e ainda pelas mesas daquelas terras montanhesas, que tão bem nos retemperam com a sua carne de sabor distinto.

No acesso aos passadiços, algumas regras mudaram – agora recomenda-se inscrição antecipada (através do website passadicosdopaiva.pt), assim como um pagamento, via multibanco, do valor simbólico de um euro. E esta inscrição prévia já pode ser feita agora, mesmo quando faltam uns dias para a reabertura. Esta foi a forma encontrada pelo município para evitar afluência excessiva, de modo a facilitar eventuais situações de socorro.

O percurso dos passadiços liga as praias fluviais do Areinho e do Espiunca, com a praia do Vau a surgir a meio do percurso, sempre com apoios ao caminhante. Em média, é ginástica para duas horas e meia a três horas, alguma resistência física e espírito de aventura (é que, de caminho, se tem de atravessar uma ponte suspensa). É preciso ter em atenção duas coisas. A primeira, é que há ir e voltar, por isso, o caminho total são quase 18 quilómetros. Uma forma de contornar a volta é, indo em grupo, deixando um carro em cada extremo; outra é combinar com um dos táxis nas entradas dos passadiços.

Ou então, ser valente e saltar logo para a segunda decisão: escolher por onde começar. Tanto pode ser pelo Areinho, onde ataca logo a escadaria que trepa pela fraga, começar pelo Espiunca, que deixa essa parte danada mais para o final, ou pelo meio do percurso. Seja por onde for, é um caminho de uma imensa frescura verde com carvalhos, freixos, sobreiros, amieiros, rochedos e o rio Paiva sempre ao lado. Os impressionantes lances de escadas diagonais permitiram acessibilidade a lugares que eram antes praticamente impossíveis de alcançar a pé.

Da Panorâmica do Detrelo da Malhada, a 1099 metros de altitude,
avista-se a maior parte do Geoparque e a sua vegetação
rasteira de urze, carqueja e tojo.

Entre as paragens mais tentadoras para pausas fotográficas contam-se a ponte de pedra de Alvarenga, uma obra com quase 250 anos, e a garganta do Paiva, o mais famoso percurso de águas bravas do país. Outros lugares para consolar a vista são a cascata das Aguieiras e a praia fluvial do Vau, onde tanto se pode parar para dar um mergulho como para fazer piqueniques.

É natural que os passadiços abram o apetite para mais do Geoparque de Arouca, que ganhou a designação por conter um património geológico valioso e singular. Entre essas preciosidades, encontram-se as pedras parideiras, as pedras boroas e as trilobites gigantes. Não só podem ser vistas ao vivo, encontrando- se entre os 41 geossítios classificados do Geoparque, como se pode aprender bastante mais sobre elas, em visitas a dois lugares abertos ao público – o Centro de Interpretação Geológica de Canelas e o Museu das Trilobites Gigantes e a Casa das Pedras Parideiras.

O Geoparque de Arouca está parcialmente integrado na serra da Freita. Sendo tarefa difícil picar o ponto em todos os seus 41 geos-sítios – os lugares de interesse geológico –, é possível, contudo, escolher cinco deles para os percorrer no espaço de um dia. Ficam a distâncias razoáveis entre si (cerca de dez minutos), foram intervencionados recentemente e constituem um bom resumo daquilo que o Geoparque representa – em cada um deles, placas informativas explicam a sua importância e que elementos naturais (serras, rios e formações rochosas) se podem ali observar. Acrescente-se a isto a viagem pela natureza e pelas paisagens da Freita, e ainda umas paragens para comer o melhor que ela dá, e está um programa feito.

De ponta a ponta, são nove quilómetros de caminhada;
18, em ida e volta. Dicas preciosas para a hora de
repor energias: a Casa Caetano, em Alvarenga, e o hotel Vale do Rio.

Serra acima, a primeira paragem pode ser na Panorâmica do Detrelo da Malhada. Dali, a 1099 metros de altitude, avista-se a maior parte do Geoparque e a sua vegetação rasteira de urze, carqueja e tojo – base da alimentação das vacas que também se encontram pelo caminho, dando o sabor distintivo à celebrada carne arouquesa. Adiante, junto das Pedras Boroas do Junqueiro, basta olhá-las para compreender o nome, com as fissuras no granito a fazerem lembrar a crosta de uma broa.

Próxima paragem, Campo de Dobras da Castanheira, de onde se avista, no vale, a aldeia do Castanheiro. Calcula-se que estas dobras nas rochas sejam marcas do mar, com 500 milhões de anos. E da água do passado passa-se para a água do presente, seguindo para o miradouro da Frecha da Mizarela. A visita pode terminar no marco geodésico de São Pedro Velho, de cujos 1077 metros de altitude se vê um postal onde cabem os vales de Arouca e dos rios Paiva e Douro, as serras de Valongo e do Marão, o Gerês e a ria de Aveiro. Subir a serra é um pequeno preço a pagar por tão grande recompensa.

 

Passadiços do Paiva, Arouca
Reserva de bilhete obrigatória através de passadicosdopaiva.pt
Preço: 1 euro (pagamento prévio por multibanco); 2 euros se o pagamento for feito no Turismo de Arouca ou na praia do Areinho. Grátis para crianças até aos 12 anos. Jovens entre os 12 e os 17 anos pagam 1 euro. Valor igual tem o bilhete sénior.

 

VISITAR

Centro de Interpretação Geológica de Canelas e Museu das Trilobites Gigantes
Canelas de Cima, 213
Tel.: 916352917 Web: cigc-arouca.com
Das 10h00 às 15h00; domingo, das 14h00 às 17h00. Encerra à segunda.

Casa das Pedras Parideiras – Centro de Interpretação
Rua de Santo António, Castanheiro
Albergaria da Serra
Tel.: 256484093 Web: geoparquearouca.com
Não encerra.

Radas Meteorológico de Arouca
Tel.: 256484093 Web: geoparquearouca.com
Visitas todos os dias sob marcação

 

COMER

Casa Caetano
Alvarenga, nas redondezas dos passadiços do Paiva, é famosa pelas carnes arouquesas. A Casa Caetano é o restaurante mais antigo da aldeia, com 50 anos, que serve carne certificada. Além do bife à moda de Alvarenga, propõe vitela assada no forno, bacalhau grelhado e, por encomenda, cabrito assado e arroz de cabidela caseiro. É recomendável não saltar a sobremesa da casa, pudim de bolacha e caramelo.

Albisqueiros, Alvarenga
Tel.: 256955150 Preço médio: 15 euros
Encerra à segunda.

El Pata Negra
Presuntos espanhóis e cerveja preta de pressão são os pontos fortes do El Pata Negra. Com assumida orientação ibérica, tem uma extensa carta de tapas, pintxos e outros petiscos como hambúrgueres e francesinhas. Destaca-se por ser o restaurante aberto até mais tarde na cidade – ao fim de semana, as suas portas só encerram às 05h00 – e não falta espaço na enorme sala.

Rua Doutor Ernesto Soares dos Reis, 122
(Oliveira de Azeméis)
Tel.: 256688188 Preço médio: 10 euros
Não encerra.

 

DORMIR

O primeiro hotel português assente na autossustentabilidade fica a 40 minutos de Arouca. Produz energia hídrica, eólica, solar, fotovoltaica, de biomassa e biodiesel. O Vale do Rio foi desenhado para se integrar de forma harmoniosa no arvoredo do vale do Caima e no seu interior parece que se continua cá fora. Vários espaços têm paredes envidraçadas, tornando a natureza uma presença constante. O restaurante HC foi construído propositadamente fora do edifício dos quartos, à beira-rio, para levar os hóspedes a sair e fazer um curto passeio até lá.

Hotel Vale do Rio
Av. Soares de Basto, Palmaz (Oliveira de Azeméis)
Tel.: 962156451 Web: www.valedorio.pt
Quarto duplo a partir de 80 euros por noite

(Nota: artigo atualizado dia 11 de abril de 2017 acrescentando a informação da reabertura. O original foi publicado a 4 de julho de 2016)