«Este é um roteiro alternativo para sentir a alma da cidade»

A médica e investigadora Katia Andrade decidiu exprimir o seu enamoramento pelo Porto através de um livro de poesia, o Poemário Ilustrado do Porto, que é, ao mesmo tempo, um guia para conhecer a cidade de outra maneira.

Quando começou a escrever poemas sobre o Porto?
Eu nasci em Angola e estudei Medicina em Coimbra, mas foi a minha avó materna, que também vivia em Angola, Amélia Andrade, que me transmitiu o amor pelo Porto. Ela dizia que era a cidade mais bela de Portugal. Decidi fazer aqui a minha especialidade, comprei casa e fui-me enamorando do Porto devagar e desse enamoramento foram surgindo poemas. Iam-me acontecendo à medida que passava pela cidade.

Quis, então, fazer um percurso em poemas pela cidade.
Tal e qual, porque o livro é sobretudo também um roteiro poético-fotográfico. Entre os muitos poemas que tinha sobre o Porto, escolhi 18 e dividi-os por temas como lugares, ruas, museus e caves do vinho do porto, igrejas e monumentos, pontes e espaços verdes.

É um convite às pessoas para verem o Porto com olhos de poesia?
Este Poemário Ilustrado é sobretudo um roteiro alternativo para quem, mais do que conhecer o Porto, queira sentir a alma desta cidade, que é histórica mas também moderna. É uma cidade aberta aos outros. Quando se ouve tanto falar de muros, do fechamento na Europa, o Porto é o contrário disto tudo, é uma cidade cada vez mais cosmopolita.

Diria que o Porto é uma cidade mais poética do que outras?
Vivi em várias cidades mas tenho um encantamento particular pelo Porto, porque foi a cidade onde mais me tardei. Mas é bem possível que faça também um poemário sobre Paris, onde fiz o meu doutoramento [em Neurociências Cognitivas] e onde vivo agora. Estou a preparar um poemário sobre o Alto Douro Vinhateiro, onde vou muitas vezes.

Há algum lugar do Porto que considere especialmente inspirador?
Há um encanto no Porto que é só do Porto, portanto, direi que todos os lugares. E este livro tem esta vocação, não só como roteiro, mas como experiência poética, porque o interessante é que através dele nós podemos passear pelo Porto, visitar e conhecê-lo sem sair de casa.

E como aconteceu ter como mecenas desta edição o café Guarany?
Devo muitíssimo ao Agostinho Barrias, proprietário do Guarany e também do Majestic, que é um homem de grande generosidade e muito apostado na cultura, sendo este espaço [o café Guarany] muito aberto à cultura. Eu cheguei aqui, abordei-o e ele, com a maior generosidade, contribuiu para a edição.

Um livro de amigos
Outras três pessoas contribuíram para o livro, entre elas a médica Estrela Rocha, que escreveu as anotações sobre cada lugar e também a artista e fotógrafa Luciana Bignardi, autora das fotos. O pintor portuense António Bessa é o autor do quadro que ilustra a capa.



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