Redondo: Um roteiro pela vila histórica alentejana

Entre o típico montado, a verdejante paisagem da Serra de Ossa e vinhas a perder de vista, a vila de Redondo reúne o que de melhor o Alentejo tem para oferecer. Em tempos declarada, pelo rei D. João I, ponto de passagem obrigatória para todos os viajantes com destino a Évora e Vila Viçosa, a hospitalidade é por aqui uma tradição que teima em manter-se viva, de preferência à volta de um copo de vinho.

Já diz o povo que o pão quer-se com olhos, o queijo sem e o vinho que salte aos ditos. É exatamente esta trilogia que é celebrada na Enoteca, local escolhido para dar início a esta visita à vila de Redondo. Situada no centro histórico, dentro das muralhas mandadas construir no século XIV pelo rei D. Dinis, resultou da recuperação do antigo celeiro comunitário – ou «do Povo», como é mais conhecido –, que funcionou entre os séculos XVII e XX.

Ali dá-se a conhecer a cultura do vinho, acompanhando todas as várias fases do processo, desde a vinha até à mesa, onde é saboreado na companhia do estaladiço pão alentejano e dos melhores queijos e enchidos da região, servidos na tradicional louça de barro, que é outra das imagens desta terra. Um autêntico templo de Baco, ou não fosse esta uma terra conhecida pelos seus bons vinhos, que até tem um museu a eles dedicado.

Algumas portas abaixo, um pequeno letreiro chama a atenção a quem passa. «Querem conhecer a muralha, entrem», lê-se à porta da Olaria Mértola. E vale mesmo a pena aceitar o convite, não só para calcorrear as muralhas, com vista para o montado e para a Serra de Ossa, mas especialmente para ver trabalhar o mais antigo oleiro da vila. João Mértola, com 84 anos, faz sempre questão de mostrar a quem lhe entre porta adentro, o forno fernandino onde, ‘de vez em quando», ainda coze o barro. Começou a aprender o ofício tinha apenas 7 anos, «à conta de pão e porrada», como diz com humor.

Foi o pai, vendedor de louça, quem o iniciou na arte de moldar o barro, aperfeiçoada depois com alguns dos maiores mestres deste ofício. Enquanto fala, mestre João vai moldando mais alguns pratos, pires, jarros, canecas e torrados, os recipientes antigamente usados na ordenha das vacas. E que hoje têm, curiosamente, «muita saída».

A tradição do barro na vila perde-se na memória dos tempos. Em 1516, já o foral manuelino da vila mencionava uma comunidade de oleiros e regulamentava o seu comércio. «Nos anos 40 do século XX ainda eram às dezenas as olarias espalhadas pelas ruas de Redondo, hoje não chegam a 10», revela Luís Mendes, guia no Museu do Barro. Para lá chegar basta seguir pela Rua do Castelo abaixo, passar a Porta do Sol – ou da Ravessa, como também lhe chamam – e caminhar algumas centenas de metros em direção ao antigo Convento de Santo António.

Aberto em 2009, o museu conta a história da olaria redondense, através das peças mais antigas encontradas na região, com cerca de cinco mil anos, até aos nossos dias. Os visitantes são ainda convidados a percorrer as olarias do concelho, para assim acompanhar de perto esta arte, bem como a experimentar moldar o barro, dando forma às suas próprias criações. Neste roteiro, destacam-se, por exemplo, a olaria do Poço Velho, uma das poucas que continua a recolher o barro nos barreiros locais e a fazer a preparação da argila de forma artesanal. E a Pirraça, a mostrar como é possível modernizar a tradição, sem perder as suas características originais.

De regresso ao centro histórico, é agora tempo de conhecer outro dos patrimónios desta terra – a comida. E para isso um dos locais obrigatórios é a Tasca da Ti Chica, «uma taberna à antiga», como se apresenta, mesmo em frente à Porta do Relógio. Abriu portas este ano, no mesmo local onde durante décadas a popular Ti Chica serviu vinho e petiscos a gerações de redondenses. Da antiga proprietária herdou não só o nome como o espírito. «Aqui só se servem petiscos», avisa a empregada, enquanto nos avia de vinho, que isto não é lugar para formalismos.

É entrar, sentar, comer e beber, enquanto a conversa flui ao som de uma moda cantada ao balcão. À mesa vão chegando ovos com farinheira, orelha de porco, moelas, açordas e as já famosas migas da casa – de tomate, simples ou de coentros, acompanhadas com presinhas e entrecosto frito, como manda a tradição.

O património não se esgota no entanto no centro histórico. À volta da vila existem cerca de 50 monumentos megalíticos, que se podem visitar percorrendo o Percurso Pedestre das Antas. Uma rota de seis quilómetros, com partida e chegada na Aldeia do Freixo, ao longo de uma bonita paisagem de campos agrícolas e montado, onde se destaca a zona da Ribeira do Freixo. É também a pé que melhor se aprecia a vizinha Serra de Ossa, que se ergue a uma altitude de 653 metros, entre os concelhos de Redondo, Borba e Estremoz. E onde ainda subsistem manchas da floresta primitiva da região, composta por montados de sobro e azinho, bem como extensos estevais, que servem de habitat a animais protegidos como a águia de Bonelli, o bufo real, algumas espécies raras de morcegos ou a víbora cornuda.

São vários os percursos pedestres que a cruzam, quase todos com partida da típica Aldeia da Serra, onde no regresso se impõem uma paragem no restaurante Serra D’Ossa, para provar as sopas de tomate e de beldroegas ou o premiado gaspacho com carapaus fritos da Ti Quinita, uma das mais afamadas cozinheiras da região. Tudo isto acompanhado, claro está, de um copo de vinho.

 

DORMIR

Hotel Convento de São Paulo
Aldeia da Serra, Redondo
Tel.: 266989160
Web: www.hotelconventosaopaulo.com
Preços: Quartos a partir de 65 euros (com pequeno-almoço)

COMER

O Ermita
Hotel Convento de São Paulo, Aldeia da Serra, Redondo
Tel.: 266989160
Preço médio: 30 euros
Aberto todos os dias das 12h30 às 15h e das 19h30 às 22h00
www.hotelconventosaopaulo.com

Ti Chica
Largo D. Dinis, 27, Redondo
Tel.: 266095146
Preço médio: 15 euros
Aberto todos os dias das 11h00 às 00h00
www.facebook.com/Petiscos-da-Ti-Chica-226032731077245

Serra d’Ossa
Rua Principal, 77, Aldeia da Serra, Redondo
Tel.: 266909037
Preço médio: 15 euros
Aberto de quarta a domingo das 11h00 às 22h30 e segunda das 11h00 às 16h00

Enoteca
Rua do Castelo, Redondo
Tel.: 266989911
Preço médio: 10 euros
Aberto de terça a sexta, das 15h00 às 21h00, e sábado e domingo, das 12h30 às 21h00
www.cm-redondo.pt

VER

Museu Regional do Vinho
Praça da República, 5/6, Redondo
Tel.: 266909100
Aberto terça das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00 e de quarta a domingo das 10h00 às 18h00
Entrada livre
www.cm-redondo.pt

Museu do Barro
Convento de Santo António, Alameda de Santo António, Redondo
Tel.: 266909100
Aberto terça das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00 e de quarta a domingo das 10h00 às 18h00
Entrada livre
www.cm-redondo.pt

Olaria Mértola
Rua do Castelo, Redondo
Tel.: 962679394

Olaria Pirraça
Rua Conde Redondo, 85, Redondo
Tel.: 266909797 / 965015874

Olaria Poço Velho
Sítio do Poço Velho, Redondo
Tel.: 266909709



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