Norte: O que é que Viana Tem?

Tem rio, tem mar, tem boa gastronomia, tem uma arquitetura sedutora, tem as condições ideais para ser descoberta a pé ou de bicicleta. Uma cidade à moda antiga, viva, perfeita para uma escapadinha de fim de semana. Porque nem só para sul é que é caminho.

Cidade pequena, plana, quase sempre com o rio Lima ou o Monte Santa Luzia no horizonte, estivesse Viana do Castelo localizada na Holanda, Bélgica ou França e as suas ruas estariam repletas de bicicletas. Foi precisamente por aí que Joana e Filipe Maia, ambos formados em Engenharia Civil, começaram o seu negócio. Depois de muitas viagens e vários anos a trabalhar em Angola e na Austrália, voltaram para casa e abriram uma loja de «pasteleiras». A ideia era boa, mas não tinha rodas suficientes para andar. Era preciso alargar o conceito. Assim nasceu em 2013 À Moda Antiga, uma loja repleta de produtos tradicionais portugueses. «Uma das coisas que mais me fazia confusão na Austrália era a falta de identidade», explica Joana. «Há gente e produtos e gente vinda de todo o mundo, mas é tudo recente, os edifícios mais antigos têm meia dúzia de anos. Falta uma memória coletiva».

Além da loja há também um bistro com pratos idealizados pelo marido e preparados por uma cozinheira da terra. Tanto se pode comer uma posta de novilho grelhada com redução de vinho do porto como um cogumelo recheado com salmão fumado e queijo da ilha gratinado. Tudo feito na hora, garante Joana. «Não temos arca congeladora, só um frigorífico, por isso os nossos produtos são sempre frescos». Destaque para os hambúrgueres (verdadeiramente) artesanais. As pasteleiras? Continuam lá, à venda, feitas à mão, mas têm também alguns modelos para alugar.

É em duas rodas que partimos à descoberta da cidade. Algumas horas bastam para tirar as medidas a Viana. Não se pense, contudo, que uma capital de distrito se conhece num dia. Pequenos tesouros como a Igreja da Misericórdia, famosa pelo seu painel de azulejos pintados pelo mestre setecentista Policarpo de Oliveira Bernardes: o Museu do Traje, também na incontornável Praça da República, uma viagem pela história de alguns dos icónicos trajes minhotos; a loja Objectos Misturados, no número 32 da rua Mateus Barbosa, onde é possível comprar um livro infantil, uma peça de autor ou ver uma exposição de pintura; a confeitaria Manuel Natário, casa das já típicas bolas de Berlim e outros sem números de doces da terra; o Teatro Municipal Sá de Miranda, uma sala à italiana inaugurada em 1885 que ainda hoje é uma referência na região; o navio-hospital Gil Eanes, espaço museulógico com visitas diárias entre as 09h30 e as 19h00; a Biblioteca Municipal, ali mesmo ao lado, edifício projetado por Siza Vieira. Apenas um dos grandes nomes com obra feita na zona ribeirinha, juntamente com Fernando Távora e Souto Moura.Há alguns anos a revista  Wallpaper chegou mesmo a classificar a cidade como uma Meca da Arquitetura.

De bicicleta, a pé, ou de carro, quase todos os caminhos vão dar à Fábrica do Chocolate, espaço inaugurado em 2014. Localizado na antiga fábrica de chocolate Avianense – ali instalada de 1922 a 2004 – funciona agora como hotel, restaurante e museu.

É, na verdade, toda a uma experiência. Uma odisseia à volta do chocolate. Todos os quartos têm uma decoração própria, sempre à volta do chocolate. Até o gel de banho e o creme de corpo cheiram a chocolate. A comida também promete ser uma experiência gastronómica à volta do… chocolate. Tanto chocolate que até enjoa? De forma alguma. «As pessoas às vezes têm medo que coloquemos uma tablete em cima do bife ou do peixe, mas não é nada disso que se passa», brinca Pedro Araújo, o chef. Ele que nasceu em Viseu, trabalhou em Londres e é apaixonado pela cozinha minhota.

O que faz é reinterpretar os pratos típicos mantendo as suas características originais, acrescentado-lhes aqui e ali uns pozinhos de cacau. Como umas pataniscas de bacalhau com puré de grão de bico e grué, vieiras estufadas e ovo escalfado e cogumelos, lombinhos de bacalhau com grelos e nabos, lascas de chocolate e bacon ou mesmo rojões. Na nova carta há também um arroz de cabidela com chocolate! A proposta é arriscada, mas plenamente conseguida. Na maior parte das vezes nem sequer se percebe onde está o ouro preto. «O segredo está nos pormenores», brinca o chef.

Viana tem muitos segredos mal guardados. Como o Centro de Remo – é possível ter aulas de iniciação e remar nas águas do Lima desde que marcado com antecedência –, e a praia do Cabedelo, zona requalificada no final de 2015 e unanimemente considerada como uma meca do kitesurf a nível europeu. «Isto é perfeito. Não é caro, come-se bem e não está repleto de pessoas. Como é que esta cidade não está repleta de turistas?» Palavras de Irís Hulsman, uma sueca que juntamente com o marido e o filho passam férias na cidade pelo terceiro ano consecutivo e onde dizem sentir-se em casa. «Atenção, eu gosto que não haja muita gente, o que não falta são sítios que perdem a sua essência devido ao excesso de turistas, mas não deixo de me espantar. Vocês gostam mais de ir para sul, não é? », conclui Íris, antes de se fazer à agua.

 

EVASÕES RECOMENDA

FICAR

Hotel Fábrica do Chocolate
Rua do Gontim, 60
Tel.:258244000
fabricadochocolate.com
Preço por noite em quarto duplo partir de: 90 euros
Preço médio: 25 euros

 

ONDE COMER

Manuel Natário
Rua Manuel Espregueira, 37
facebook.com/pastmanuelnatario

À Moda Antiga
Largo João Tomás da Costa, 63
Tel.: 258023229
facebook.com/amodaantiga

 

O QUE VER

Museu do Traje
Praça da República
Tel.: 258809300
cm-viana-castelo.pt
Teatro Muncipal Sá de Miranda
Rua de Sá de Miranda
Tel.: 258809382

 

COMPRAR

Objectos Misturados
Rua Mateus Barbosa, 32
Tel.:258828415
facebook.com/objectos.misturados

 

ATIVIDADES

Centro de Remo
Rua Doutor Adriano Magalhães / Argaçosa-Meadela
Tel.:258842374
vianaremadoresdolima.pt

 

 



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