Crítica de vinhos: os vinhos atlânticos de Ponte de Lima

Mais atlânticos era impossível, os vinhos de Ponte de Lima têm por tradição enfrentar e resolver os pratos mais substanciais e proteicos que há. São diversas as razões, com a conjugação única de estrutura e acidez em primeiro lugar. Depois, um terroir de luxo, este da sub-região do Lima.

Ainda não conseguimos resolver o nome a dar à região – Vinho Verde –, mas utilizamos a sub-região do Lima sempre que falamos dos solos e clima que melhor aprimoram duas grandes castas: loureiro nos brancos, vinhão nos tintos. O «verde tinto» continua a ser das pipas mais caras do país na produção e esgota muito cedo, tal a procura que tem. Lampreia, sarrabulho e diversos outros pratos tradicionais precisam do seu vigor e do seu corte para conseguir equilíbrio e prazer que recompense o trabalho da sua produção.

Tem muitos detratores, mas praticamente todos desconhecedores dos tintos que saem de Ponte Lima; nas outras regiões pode ser rascante e demasiado rústico. A casta branca loureiro, uma das mais notáveis de Portugal, também tem aqui a sua expressão suprema, capaz de surpreender até mais do que a alvarinho. Temos um país vinhateiro que a cada dezena de quilómetros percorridos tem o condão de mostrar realidades totalmente diferentes e vinhas que falam por si.

Bacalhaus, peixes grelhados e até carnes assadas bem condimentadas vão fazer uma festa à mesa com bom loureiro fresquinho no copo. O assunto da frescura de um vinho tem que ver com a capacidade de resolução e ao mesmo tempo a sensação de equilíbrio que proporciona em todas as fases da prova. Envelhecem bem os bons loureiros do Lima por isso mesmo, e ao longo da vida mostrarão cambiantes diversas. Mas melhores serão sempre se os deixarmos repousar nos três ou quatro primeiros anos de vida, nas nossas caves.

 

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