Chef Henrique Mouro regressa a Lisboa com novo restaurante

Nunca saiu verdadeiramente de cena, mas tardava a voltar a Lisboa com algo mais substancial. A espera acabou e Henrique Mouro é agora, com os seus arrozes, o mais novo inquilino do Chiado.

Selvagem numa salada com lulas, manga e coco; malandro com berbigão, nabiças e bacalhau; ou tradicional, num prato, sem mais do que a canela… São vinte opções na carta, das entradas às sobremesas e em todas elas, sem exceção, o arroz, nas suas mais variadas formas e tipos, é o ingrediente comum.

Não sendo totalmente inédita a ideia, nos últimos meses surgiram outros restaurantes em Lisboa dedicados ao cereal, o Bagos marca o regresso de Henrique Mouro à capital. Apontado como um dos chefs mais promissores da sua geração, Mouro esteve por bons anos ao comando do Assinatura até que saiu e tentou definir uma outra trajetória para a sua carreira.

Passou fugazmente pelo Tavares, fez consultoria para um restaurante em Monsaraz, que mantém, e foi convidado por mais de uma vez no Sociedade, na Parede, mas sabia a pouco. Bastante acarinhado no meio gastronómico, Mouro abriu o Bagos no início de julho, sem aviso prévio, num dos bairros mais cotados, graças ao desafio lançado por António Pinheiro. É dele o espaço na Rua António Maria Cardoso e o convite ao chef surgiu durante um almoço.

Tudo apontava para mais uma petiscaria, mas Mouro acabou por trocar as voltas aos planos e insistiu num conceito monovarietal.

Ciente de que o arroz é uma preferência nacional, com inúmeras aplicações no receituário tradicional, Mouro pensou numa carta a duas velocidades, primavera-verão e outono-inverno, fiel a produtos sazonais como os cogumelos ou a caça, mas também aberta as várias influências.

Por outras palavras, e por mais que assuma a sua preferência pelo  Carolino – «tem mais goma e absorve muito bem os sabores» – e que no menu não faltem as suas versões do arroz de marisco, de feijão ou até de tamboril, a sua intenção é trabalhar o produto – e os subprodutos, como as massas ou as bebidas, o que dá pano para mangas – de forma a garantir uma viagem por vários territórios. Isto sem esconder a curiosidade em vir a usar as variedades negra e vermelha (mais indicadas para o inverno, a seu ver).

Outra curiosidade fica para o capítulo dos doces, onde decidiu fazer do arroz doce a base para tudo, e estamos a falar desde um soufflé até um pastel de massa filo. Também o há a preceito, confecionado com Carolino, mas Mouro está em pulgas para testar, a conselho de um familiar com raízes orientais, o Basmati como alternativa.

Para breve, fica a promessa de menus temáticos, de ter chefs convidados e um prato especial para os almoços de sábado, mas certo mesmo é o menu executivo, nos almoços de terça a sexta, a 12 e a 15 euros. Haja barriga para tanto arroz. João Miguel Simões

Bagos Chiado
Rua António Maria Cardoso, 15B (Chiado)
Tel.: 213420803
Web: facebook.com/bagoschiado
Das 12h00 às 23h00. Encerra à segunda e ao domingo.
Preço médio: 30 euros



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