A cozinha nacional do Ferrugem continua a conquistar o selo Bib

Chega-se sempre com fome ao Ferrugem, numa primeira vez pela ansiedade, nas outras pela gula mais pura e discernida que pode haver.

A experiência do país profundo tem muitas cambiantes, com o inefável denominador comum do desabafo «valeu a pena», quando se desliga o motor do carro e nos damos conta da paz absoluta em que aterrámos.

Renato Cunha pertence à linha da frente. A uma vanguarda do trabalho do sabor português que ainda não tem paralelo entre nós, os normais. Pensa com a liberdade do artista, executa com o rigor do arquiteto. De resto, as artes plásticas não lhe são estranhas, pinta e desenha, é forte o sentido estético do seu bacalhau com todos (12 euros), uma salada fria de bacalhau com creme de grão, azeite, cebolinhas em picle, ovo de codorniz, azeitona, microverdes e flores.

O robalo selvagem com feijoca branca (24 euros), peixe puro da mais fina maresia, impressiona pela afinação da abordagem culinária e pela assessoria da leguminosa doce que o chef domina bem. E eu que sou alérgico a declinações dos pratos clássicos – de tão poucos que são –, rendi-me totalmente ao tributo ao abade de Priscos 4.0 (8 euros), que é um gelado do famoso pudim e coração de Viana servido num copo de gelo.

O modo correto de usar este Ferrugem é optar por um de três menus, com ou sem complementos vínicos.

Neste capítulo, o chef está praticamente tão à vontade quando na criação sólida. É desassombrado o ainda jovem Renato, concentra-se totalmente no prazer que proporciona à mesa, mais do que nas marcas dos vinhos que seleciona e no quanto sabemos que tem impacte junto dos públicos enófilos. A oferta começa com o menu Minho (4 momentos, 39 euros; complemento de vinhos, 20 euros), que é, lemos na ementa, um olhar sobre a gastronomia popular portuguesa, a despertar as memórias da cozinha de aldeia.

Subimos na complexidade e no preço para chegar ao menu Recortes de Portugal (5 momentos, 48 euros; complemento de vinhos, 25 euros). Exprime, diz Renato, recortes da nossa cultura, do nosso território, da nossa gente, da nossa alma. Curiosamente, a maioria dos clientes do restaurante acaba por pedir o menu Ferrugem (6 momentos, 56 euros; complemento de vinhos, 30 euros). Ir e voltar várias vezes, para perceber que está mais do que na altura da estrela Michelin. Todos merecemos.

EN309, Rua das Pedrinhas 32, Portela
Tel.: 252911700
Das 12h00 às 14h30 e das 20h00 às 22h30. Encerra domingo ao jantar e à segunda.
Preço médio: 42 euros
Rua das Pedrinhas, 32, Portela (Famalicão)
Tel.: 252911700
De terça a domingo, das 12h00 às 14h30
e das 20h00 às 22h30 (domingos apenas almoço)
Preço médio: 35 euros
Web: www.ferrugem.pt

 



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