D’Ourique: a cerveja de estilo belga criada entre voos

Hugo Elias tem dois ofícios: é comissário de bordo de uma companhia aérea e cervejeiro. Lançou o ano passado a cerveja D’Ourique. De estilo belga, fabricada em Lisboa, venceu já alguns prémios internacionais.

Foi num quarto de hotel em Moscovo, preparando-se para descansar antes de apanhar o voo seguinte, que Hugo Elias percebeu qual o hobby a que se queria dedicar. Comissário de bordo da TAP há 10 anos, já há muito que tinha «necessidade de fazer algo mais».

Durante um almoço na Rússia, um colega contou que fazia cerveja em casa e isso fascinou-o. «Quando nos despedimos, fui para o quarto pesquisar na Internet e percebi que fazia muito sentido», explica o cervejeiro que o ano passado lançou a sua própria marca de cerveja de estilo belga: a D’ourique, homenagem ao bairro lisboeta.

O seu trabalho como comissário de bordo permite-lhe estar em vários sítios num curto espaço de tempo.

O seu trabalho como comissário de bordo permite-lhe estar em vários sítios num curto espaço de tempo. Aproveitou essa característica para aprender com quem sabe. Nas folgas, trabalha como ajudante cervejeiro na Bélgica, Estados Unidos e Brasil. Mas a primeira porta a que bateu foi à da LX Brewery, Lisboa, para fazer o curso que tinham disponível.

«O Gonçalo Sant’Ana disse-me que não era altura para ensinar porque estava muito calor e recomendou-me que levasse um kit para fazer em casa». Mas Hugo não queria ficar por aqui e depois da cerveja feita ofereceu-se para trabalhar lá. A partir daí, começou a tratar das cervejas do Gonçalo nas folgas.

Na Bélgica, a Alvinne Brouwerij aceitou a sua proposta de trabalhar por um dia. «Às 8h30 estava lá e comecei a trabalhar no engarrafamento»

Aproveitou as estadas noutros países para aprender mais. Na Bélgica, a Alvinne Brouwerij aceitou a sua proposta de trabalhar por um dia. «Às 8h30 estava lá e comecei a trabalhar no engarrafamento». O carinho com que foi recebido fê-lo sentir-se em família. Seguiu o mesmo caminho no Brasil, na Tupiniquim e na Seasons, duas microcervejeiras no chamado «Vale da Cerveja», em Porto Alegre.

«Estava a chover e eu bati à porta da Seasons. Levaram-me a várias fábricas e embebedaram-me. Disseram que eu era um «português maluco que achava que ia fazer isto». Quando voltou à cidade, bateu novamente à porta da Seasons e já não caiu no erro de se deixar embebedar. «Agora já sou da casa. Levo sempre as minhas botas de trabalho e nem preciso avisar».

Nos EUA, faz o mesmo na Wynwood Brewing Company (Miami) e na Free Will Brewing (Perkasie, Pensilvânia). O que o fascina dos Estados Unidos – onde começou a cultura da craft beer – são os bares de cerveja. «Em Nova Iorque há cartas de cento e tal referências e eles sabem o que fazem. Servem à temperatura certa com um à vontade que me deixa admirado», conta.

«As cervejas belgas são secas, com leveduras muito boas, muito alcoólicas e com alta drinkability», explica.

Optou por produzir cervejas belgas, porque gosta e porque a concorrência em Portugal é pouca. «As cervejas belgas são secas, com leveduras muito boas, muito alcoólicas e com alta drinkability», explica.

«A levedura é a estrela destas cervejas, mas o desafio é que não se note o álcool elevado», diz. Hugo Elias está a gostar desta vida dupla e nem o jet lag o afeta. Estará presente com as suas quatro cervejas nos próximos festivais portugueses e com uma nova, a D’Ourique Estrela.

Cerveja D’Ourique
Tel: 967244439
Web: www.dourique.com

 

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